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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Contra o tempo

Travamos uma batalha contra o tempo para solucionar uma série de problemas nos quais tropeçamos pelo caminho. Descobrimos que saúde vem em primeiro lugar, não importa o quão essa frase seja batida. Descobrimos que o importante é estarmos vivas, não importa o quão conformista seja essa expressão.

Descobrimos, porém, o quanto é triste resumir a vida em trabalhar-dormir (salvo variações: trabalhar mal-dormir pouco e vice-versa).


Eu sempre gostei de entrar no Google Earth e procurar aquelas ilhas perdidas no meio do nada, com 50 habitantes, 100 no máximo. Gosto de ver aquelas casas, entender como funciona o lugar, tentar imaginar como as pessoas se relacionam por lá. Vejo casinhas sem ordem, terrenos assimétricos, e ruas... para que ruas? Apenas algumas passagens batidas mostrando que ainda há jeito de ser feliz com simplicidade.

É interessante como a vida vai nos cobrando esse sossego. Tempos atrás agitávamos na Paulista sem ter hora para terminar. Hoje gramado e cerca branca são os líderes na nossa lista de desejos. Trocamos o fervo pelo silêncio, a quantidade pela qualidade, risadas frenéticas por sorrisos compartilhados. Mas a vida é sacana: volta e meia me pego caindo na grande cilada do mundo corporativo. Agora mesmo já passa da meia-noite e esse foi o único momento do dia em que pude parar para escrever aqui.

Me preocupa muito e me faz pensar que ter tempo significa criar - inventar mesmo - esse tempo. Pois tudo o que não quero é ser mãe ausente, mãe de mesada e de bronca na entrega do boletim. Quero estar presente e não quero aceitar esse "não tenho tempo, não posso" imposto pela vida, pois se os 50 habitantes daquela ilha podem... Eu posso também.