Mostrando postagens com marcador escola. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador escola. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Visita da Dora


No início da semana passada a agenda da escola da Laura veio com um recadinho: "mães, no próximo fim de semana a Laura levará o peixinho para casa". A escola tem essa proposta de que cada fim de semana uma criança leva um peixinho e fica responsável por ele, devolvendo-o na segunda. Só de ouvir falar no assunto já mil argumentos pulam na minha cabeça e o fato é que não, eu não gosto dessa ideia.

Não me entendam mal, eu ADORO peixe. Nós já tivemos 3 peixinhos fofos, sendo que a mais velha, a Kika, ficou conosco por muitos anos, quando morreu eu chorei e fiz luto como acontece com qualquer outro animal de estimação. Eu gosto tanto de peixinhos que não concordo com a ideia de fazer do mesmo um objeto, uma experiência. Aloww, a Laura convive com SEIS animais de estimação! Se é para aprender a respeitar uma vidinha, ter responsabilidades, etc, tudo isso ela aprende x6. Mas ok né? Futuras mamães aí lembrem-se de que a vida tem dessas.

Na sexta-feira, ao buscá-la na escola, veio então o dito cujo - que na verdade é uma dita cuja chamada Dora, uma peixinha beta linda e feliz.



Recebemos a encomenda com aquele nosso mau humor característico. Ainda mais ao constatar que o aquário não tinha tampa e nós temos gatos - um deles bem atentado (corta para a cena de eu dirigindo a 60 km/h na BR e a Cah segurando o aquário que não parava de balançar com a coitada da Dora agitando lá dentro).

Ao chegar em casa, colocamos o pobre ser dentro do armário para passar a noite - isso nos daria tempo para pensar em como cuidar para que ele não fosse devorado nos próximos dois dias. Na mochila dela havia comida, produtos para a água e o Diário do Peixinho. Abri o diário: "Olá! Você está recebendo a visita da Dora! bla bla bla". O texto falava sobre os cuidados e a seguir os pais relatavam a experiência - uma mais incrível e empolgante que a outra (de onde vêm esses pais?). E a gente gostando cada vez mais rs

Respirei fundo e falei: vamos lá, se Laura recebeu essa tarefa, ela vai fazer da melhor forma e pronto. Cah complementou: tira uma foto do peixe, assim se alguém o comer compramos outro igual.

- Vamos dar papá para a Dora filha? Já está na hora do jantar da sua amiguinha! (essa fui eu toda alegria de viver). Abri o pote de ração e...

Derrubei tudo no chão. Bolinhas minúsculas espalhadas pelo quarto, gatos querendo comer tudo, eu sem paciência NE-NHU-MA comecei a resmungar putadavida. Cah riu muito da minha cara.

Corta novamente para a cena de nós ajoelhadas no chão catando bolinhas e colocando no pote. Mas o que para mim começou como uma tarefa super hiper irritante, terminou como sempre termina tudo o que fazemos com a Laura. Ela ajudando a recolher as bolinhas, de repente parou, me deu um baita abraço apertado e falou:

- Mãe, timamu!

Tem como ficar de mau humor??? Hoje, ao devolver a Dora, entreguei também o Diário com um texto bobo-alegre igual ao dos outros pais.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

A escola

Laura está frequentando a escola desde outubro do ano passado. No início, morríamos de dó, pensávamos que ela se sentiria novamente abrigada ao se ver cercada de crianças sem as mães. O período de adaptação foi de uma semana, na qual ela aumentaria uma hora de permanência na escola até completar o período todo no último dia. Depois disso, a psicopedagoga faria um relatório sobre como foi o processo, como a Laura reagiu, quanto tempo levou para se adaptar com os colegas, com as atividades propostas, etc.

Ok, isso foi a teoria. A prática foi mais ou menos assim:

1º dia: Laura chegou curiosa e queria entrar na salinha dela, mas estava tímida. Fiquei preenchendo uns formulários enquanto a Cah foi levada por ela até lá. Quando chegou, a Cah conversou rapidinho (já havíamos passado mais de um mês preparando-a para esse dia) e a prof fechou a porta. Foi contar até 3 para ouvir o berreiro. Na volta, ganhou um sorvete gigante para aplacar nosso sentimento de culpa rs

2º dia: chegamos e ela ficou meio chorosa, não quis ir até a sala. Para que se adaptasse ao ritmo da escola, não a levamos até a porta novamente, deixamos isso a cargo da Tia, mas ouvimos a choradeira assim que viramos as costas. Na volta, fui até a sala espiar e a vi sentadinha entre os colegas toda animada. Ela demorou para me ouvir, mas quando ouviu, veio com carinha de choro correndo para o meu colo. Já nesse dia, depois de longa reunião com a psicopedagoga (o motivo disso eu conto no próximo post), ouvimos de todos que ela estava se adaptando melhor do que a encomenda, que o chorinho não passou de alguns minutos e que ela mostrava interesse em participar de tudo o que era proposto. Saímos infladas de orgulho.

3º dia: nem chorou, nem sofreu. Laura ficou o dia todo e ainda saiu de lá com um desenho que ela mesma pintou. Na volta para casa não parou de falar toda empolgada, e das tias só ouvimos elogios.

4º dia: ela já sabia o caminho e quando chegou, foi direto para o corredor toda solta. A prof informou que já poderíamos deixá-la o turno inteiro se assim preferíssemos, pois ela já estava curtindo todas as atividades e não chorava mais.

5º dia: pouco antes de sairmos de casa senti que ela parecia um pouco quente. Resolvemos medir a temperatura e quase caímos dura: estava com 38º de febre! Era a primeira vez que ficava doente. Ficamos tão nervosas que corri para a farmácia para comprar um remédio que já tínhamos em casa. Quando voltei, medimos novamente e estava em 39º, ela estava queimando, toda molenga, não reagia a nada.

Era sexta-feira, passamos a noite inteira de vigília com paninhos úmidos na testa. A febre baixava com o efeito do remédio, mas tornava a subir horas depois. Foi assim por dois dias, mas no dia seguinte ela já estava animada querendo brincar.

Laura tem uma disposição imensa com tudo o que a vida oferece, mas o medo é real e se apresenta nas mais diferentes formas toda vez que ela enfrenta algo novo.

Nossa pequena quer sair do casulo, mas o tempo parece exigir muito mais do que ela está preparada a dar no momento. Ao mesmo tempo, para romper com o mundo velho, temos que encarar os desafios hora ou outra não é? E como sabemos que isso dói, nos sentimos minúsculas. Afinal, só o que podemos fazer é estar lá depois para dar um beijinho e fazer os curativos.

Enfim, a febre passou e a nova vida começou mais uma vez. Agora Laura tem loucura pela escola, fica até difícil segurá-la nos finais de semana e feriados, pois se pudesse ela iria todos os dias.