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terça-feira, 11 de março de 2014

Para não esquecer...

Laura cresce absurdamente bem debaixo dos nossos olhos, e mesmo com o tempo consumindo nossos dias sem dó, temos o privilégio de poder acompanhar tantas dessas mudanças. Aqui faço um relato sobre o que significa ser Laura hoje, aos 3 anos e 9 meses de vida, simplesmente para que eu não me esqueça disso jamais:

- Ela anda fissurada em ballet, foi a primeira atividade que nos pediu para fazer e já está ansiosa para começar nesta semana.
- Em um prato de comida, o brócolis é devorado primeiro. Ou então qualquer coisa em formato de bolinho.
- Ela já aprendeu a conviver com o irmão sem ciúmes, mas adora tirar os brinquedos dele quando não estamos vendo (lembro tanto da minha irmã mais velha rs)
- Tem tiradas sensacionais, fico imaginando onde é que elas são produzidas.
- Adora falar sozinha, faz mil caras e bocas, sussurra, ri, briga, etc.
- Vibra com coisas como: perfume, batom, pulseira, relógio, bolsa, roupa nova, presentes, sapatos.
- Gosta de sopa com queijo e pão.
- Tem facilidade imensa com letras desde os 2 anos de idade.
- Não tem muita coordenação motora, acha super difícil coisas como: descer escada, pular corda, pular num pé só.
- Já entendeu que tem medo de piscina, mas enfrenta sorrindo.
- Brincadeira preferida: fazer comidinha.
- Atividades que mais gosta: ir ao teatro, ao shopping, dançar, ouvir música.
- É muito boazinha e disposta a cooperar, mas totalmente insubordinada.
- É debochada, tem um senso de humor muito inteligente e perspicaz.
- Não consegue cantar nenhuma música inteira, nem mesmo as da galinha pintadinha.
- Trocou de escola com absoluta facilidade, traquejo e jogo de cintura.
- Liga todos os dias para uma amiga nossa, a Teia, do seu celular de brinquedo.
- Tem um senso de localização fora do comum: basta fazer um caminho uma única vez para reconhecê-lo e saber onde vai dar.
- Cheira tudo o que vai comer.
- Costuma estragar as coisas do seu quarto quando não está de acordo com algo.
- Sabe ler o próprio nome.
- Gosta de coisas azedas, picantes e não tão doces.
- Detesta mingaus e vitaminas.
- Nunca dá nome para as bonecas, só chama de boneca.
- Não gosta de lugares tumultuados.
- Se ela se machuca em público, finge que não doeu e ri forçado.
- Traquinagem favorita: riscar paredes.
- Já está com 96cm, mas ainda pesa 11kg e continua comendo pouquíssimo.
- Ensinou o Nico a bater palminhas e é a única que arranca gargalhadas dele com a maior facilidade.
- Quando está de bom humor, fala pra gente que nos ama a cada meia hora.
- Adora o escuro (inclusive já usou isso como referência: eu te amo gigante, do tamanho do escuro).
- Fica mau humorada quando leva bronca logo cedo.
- Gosta de rock, música eletrônica e também de baladas com voz feminina.
- Entre as canções infantis, as preferidas são: todas as da Galinha Pintadinha, as mais famosas do Patati & Patatá, algumas do Balão Mágico (super fantástico, somos amigos, cafuné, galinha magricela) e algumas do Palavra Cantada.
- Ela realmente curte climas diversos: dias de chuva, dias de sol, calor ou frio. Só não viu graça nenhuma na neve.
- Adora carros, percebe semelhanças entre estilos e reconhece alguns modelos (inclusive de anos diferentes), embora não saiba os nomes. Ela sabe, por exemplo, quais são os carros/caminhonetes/minivans/caminhões/motos semelhantes ao nosso e aos dos nossos parentes e amigos mais próximos.
- Geniosa, sempre que não gosta da ordem que recebe, ela resmunga como se fosse uma adolescente.
- É bastante metódica com suas atividades diárias e suas coisas. Se encontra uma porta fechada, mantém sempre fechada; se encontra um sapato em uma prateleira, guarda sempre no mesmo lugar da mesma forma que o encontrou; se tem uma ordem de tarefas no dia, segue exatamente a mesma ordem e se trocarmos algo ela se confunde e/ou questiona.
- Em um grupo de crianças, se destaca totalmente: fala menos, mas ri bastante, brinca de um jeito exclusivo, não parece sentir necessidade de companhia embora aprecie quando aparece, prefere ficar perto de crianças maiores.
- Fica chata e irritada com facilidade, mas a nuvem cinza passa fácil se não embarcarmos no mau humor dela.
- Simplesmente ama tomar banho e escovar os dentes.
- Tem dias que contraria absolutamente tudo o que dizemos.
- Nunca falou sobre sonhos, nunca teve pesadelos (só uma vez, na primeira semana logo que chegou)
- Caiu da cama uma única vez, mas adora dormir toda espalhada.
- Muitas vezes sente as coisas quietinha. Coisas como ciume, saudade, vontade de ter algo que não tem, frustração e incerteza fazem com que ela se feche e sofra. Mas ao mesmo tempo ela nos deixa acessar tudo isso e ajudá-la a falar sobre o assunto.
- É extremamente sensível a tudo o que acontece ao seu redor e se empenha muito quando percebe que estamos tristes, além de demonstrar profundo respeito quando estamos chateadas com algo. Ela pergunta: o que foi mamãe? Então respondemos e ela pensa um pouquinho, responde: ahh tendi. Fica em silêncio e abraça, dá um beijinho, fala coisas como: eu adoro você, vou trabalhar do seu lado. <3

Posso com isso? =)

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Quando o dia chega ao fim

Uma noite dessas, minha mãe liga para saber dos netos. Eu respondo com voz de alívio:
- Ufa... Já estão dormindo finalmente!
Levo imediatamente um puxão de orelha. "Que é isso filha? Nunca deseje não estar com seus filhos, que tristeza você sempre quis tanto e agora comemora quando estão dormindo....blablabla".

Demagogias à parte, a vovó ali não entendeu bem o que eu quis dizer. Sim, quando chega a noite e os dois estão na cama sinto um alívio. Enfim respiro devagar e consigo relaxar, tomar um café, ver alguma amenidade na TV.

Quando temos filhos, a vida toda muda, o grau de importância de tudo aumenta. Nós passamos o dia cuidando, alimentando, tomando decisões, levando pra escola, criando atividades, dando banho, chamego, colo, bronca, castigo... Longe de falar mal da maternidade, mas quem é mãe sabe que não é mole não!

A vida com dois filhos é bem diferente, sobretudo pelas necessidades de um bebê. Eu não fazia ideia do trabalho que dava ter uma criança que não anda. Uma simples ida ao supermercado vira uma odisseia. A bolsinha de "viagem" triplicou de tamanho e não dá pra sair de casa sem umas duas mamadeiras reserva, mais suco ou chá, fruta e papinha, fraldas, lencinho e panos, muitos panos.

Por quê? Porque bebê baba! E vomita! De quebra, você precisa levar mudas extras de roupa para você também. E depois decide, dependendo do tipo da saída, se vai de carrinho de passeio ou de descanso, ou se vai encarar um colo 100% do tempo (só mesmo bêbada para ter essa ideia). Tem que planejar como vai ser essa saída, pois ele dorme lá pelas tantas, e grita lá pelas outras tantas. Tem que sair sem brincos para não ter a orelha arrancada, cabelos presos para não ficar careca, roupa escura para não exibir rodelas de baba amarelada. E um sapato baixinho bemmmm confortável para qualquer distância.

E antes que alguém pense, assim como a minha mãe, que tudo isso é uma reclamação, digo que não, não é. Apenas aceitamos que a adaptação não é fácil, que não é automática, que exige muito, mas muito esforço de todas as partes, e que tudo isso compensa muito no fim do dia quando chega 20h e os dois estão dormindo profundo no aconchego e segurança de suas caminhas.

É um alívio saber que sobrevivemos a mais um dia. Que conseguimos ser um pouquinho melhores do que ontem. Que mais um dia se passou e nossos filhos são reais. Que diante de toda a sorte de acidentes, sequestros, assaltos e demais atrocidades que destroem famílias diariamente, a nossa foi poupada e meus amores estão a salvo.

Sim. Nós sentimos um alívio enorme quando eles estão dormindo :)

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Dia das mães com certidão em mãos!

Depois de saída a sentença, fiquei de olho no prazo do processo para retirada da certidão de nascimento da Laura. Como ela foi registrada inicialmente em Belo Horizonte, onde nasceu, foi necessário solicitar o cancelamento do documento por lá para então obtermos a autorização de registrá-la aqui, onde vivemos.

E esse dia finalmente chegou: às 15h30 do dia 06 de maio tomei posse da certidão de nascimento da Laura. Lá no topo, seu nome completo; logo abaixo, eu e Cah no campo Filiação. Depois, avós maternos de ambos os lados.

A sensação? Não sei dizer... Eu resolvi fazer a certidão sozinha em segredo para presentear a Cah no Dia das Mães, então não pude ligar para ela e desabar chorando. Tampouco quis pagar mico no cartório, que estava cheio de gente. Fiquei o tempo todo tentando fazer meu pensamento fugir desse que foi um dos acontecimentos mais importantes da minha vida. Engasguei diversas vezes e quando me entregaram o documento pronto, agradeci à moça como se ela tivesse me dado a Laura embrulhada pra presente. O resto do dia pouco trabalhei. E como era de se imaginar, não consegui segurar a surpresa até domingo, naquela noite mesmo entreguei o "presente" à Camila, que ficou tão besta quanto eu. E aí sim pudemos chorar nossa vitória.

Nossa família nasceu.

No Dia das Mães, cercadas de amigos e crianças, curtimos um presente ainda mais legal! Uma matéria publicada no canal iGay do portal IG estampando nossa felicidade assim, para quem quisesse ver.

http://igay.ig.com.br/2013-05-12/nosso-primeiro-dia-das-maes---camila-e-vivian-adoram-filha-laura.html

Pode ser melhor???

Aproveito aqui para deixar muitos beijos e abraços a todas as mamães (e futuras também, pois sonhar já é ser um pouquinho mãe) que nos acompanham por aqui =)

domingo, 28 de abril de 2013

A lenda do desfralde

Hoje, um domingo lindo nascido depois de um sábado exaustivo, seguido de uma semana loucamente cansativa, eu e esposa dormíamos serenamente quando fomos acordadas por um serzinho que sussurrava:
- Mãe, todô!

Laura acordou. Feliz da vida porque finalmente aprendeu a levantar da cama, abrir a porta e sair ao invés de ficar lá sentada como se não andasse, gritando MANHÊÊÊ como se não houvesse amanhã. Sim. Laura teve que ser estimulada a sair do quarto por conta própria, como também teve que ser estimulada a brincar, pular e fazer inúmeras atividades que tantas crianças fazem normalmente. E não estou contando isso para fazer brotar a compaixão no coração da humanidade - odeio compaixão. Falei por que isso talvez dê bases para que entendam como está sendo o processo de desfralde aqui em casa.

Pois bem, antes de ter filhos eu tinha pânico do desfralde. Me apavorava com a ideia de ter uma criança se mijando toda pela casa, me via limpando xixi por todo o canto, tudo fedendo, etc. Mas lá por outubro ou novembro, época em que a Laura entrou na escolinha, deu a louca e tirei a tal da fralda. Então, para quem ainda não se aventurou, aqui vai nosso beabá:

Primeira etapa

Começamos testando a reação dela só em casa e durante o dia. Foi um sucesso no primeiro dia, ela amou ficar sem fraldas e se empolgou total com a dancinha senta e levanta no penico. Inicialmente tive medo de deixá-la curtir o sofá da sala, já que a impermeabilização não funciona para o xixi (oi?). Ficava de minuto a minuto convidando: "vamos fazer xixi filha!" Pegava pela mão a criatura e levava para o penico lá no banheiro, ensinava a tirar a calça, blablabla.
No segundo dia ela concentrou seu ódio no penico. Assim que o viu abriu o maior berreiro, não quis saber de sentar no dito cujo e mandá-la fazer xixi parecia o mesmo que dizer: "filha, vá para a forca e morra". Mesmo assim não teve nenhum vazamento, mesmo contrariadíssima ela fez xixi no penico bem bonitinha.
Nos dias que se seguiram, como o mau humor aumentava, Camila resolveu colocar o penico na sala, assim ficaria mais perto de nós e talvez não se irritasse tanto. Deu super certo, ela fez as pazes com a privadinha e voltou à animação do primeiro dia. Nesse ponto, resolvemos avisar na escola que estávamos mantendo-a sem fralda durante o dia, que se possível dessem continuidade ao trabalho por lá.

Material usado: calcinhas, pano, desinfetante e paciência.
Recursos adicionais: convite para fazer xixi a cada 2 minutos e meio (não eram perguntas, eram CONVITES, creio que faz toda a diferença quando a criança está na fase do NÃO), dancinha do xixi e do cocô feliz, tchau para o xixi, repetição do ritual pós-penico: levanta do penico, limpa a perereca, coloca a calcinha, dá a descarga.
Resultado: nem contabilizei quantos xixis tivemos na calça, mas foram poucos, pouquíssimos, nem cheguei a me irritar.
Tirada de fralda primeira etapa: sucesso total.

Segunda etapa

Como a coisa toda tava uma maravilha, arriscamos tirar a fralda também durante os percursos de carro. Nosso maior medo aqui era que se rolasse uma escapada o trabalho seria triplo - santa paciência tirar a capa daquela cadeirinha para lavar -, sem contar que percorremos com ela longos trajetos cada vez que saímos de casa. Tudo isso fez com que levássemos algumas semanas para criar coragem.
Mas quando o dia chegou, chegou chegando. Tiramos e ela fez direitinho a parte dela. Dois momentos foram cruciais para percebermos de que ela estava mesmo preparada para viver sem fraldas:

1- Um dia eu retornando para casa com ela quando encaro um belo congestionamento. Lá pelas tantas, Laura fala a frase arrepiante "Mãe, té xixi". Olhei para ela disfarçando a tensão e falei: "agora não filha, mas quando a gente chegar em casa você pode fazer xixi ok? (por favor por favor por favor por favor)". Ela: "tá bom!" E cumpriu o combinado, chegamos em casa muitos minutos depois e a calcinha estava seca.

2- Pouco tempo depois de tirarmos a fralda nos trajetos, encaramos uma viagem longa para o RS. Foram 7 horas na ida e 10 horas na volta. Paramos duas vezes em cada etapa, Laura não pediu para parar nenhuma vez e fez xixi somente nos banheiros. Sei que não estava apertada, pois seguiu brincando e se divertindo - e até dormindo - numa boa o caminho todo.

Material usado: calcinhas.
Recursos adicionais: nenhum.
Resultado: Laura nunca fez xixi na cadeirinha, então o resultado não poderia ser melhor.
Tirada de fralda segunda etapa: sucesso total.

Terceira etapa

Quem pegou no sono com tanto tédio agora pode acordar que a ladainha começou rs Depois de meses usando fraldas apenas para dormir, eu e Camila fugindo sempre da conversa enfim decidimos encarar: já era hora de tirar a fralda noturna. Como sempre esquecíamos de comprar aquela capa para forrar o colchão, fomos adiando a data, o que não sei se foi bom. Afinal, Laura muitas vezes deu sinal de que era capaz de segurar o xixi durante a noite - várias manhãs vieram com fralda sequinha. Mas passava o tempo e o xixi voltava a surgir, nos desencorajando a começar a terceira e dolorosa etapa.
Mas como acontece sempre, um belo dia a gente se jogou na coisa: enfiamos um saco de lixo gigante na cama sob o lençol, reduzimos o líquido da noite e fizemos a lição de casa com a pimpolha. Ela já estava sendo adestrada para isso há um tempinho, mas o lance foi mais intenso no dead line. E assim começou:

1º dia: cama sequinha de manhã, criança e mamães felizes a cantar. Esse foi o assunto que reinou no café da manhã e a Laura não parava de falar sobre o fato, não duvido que tenha contado até para a professora.

2º dia: mais um dia de cama sequinha e eu já começava a respirar - então minha filha seria dessas crianças iluminadas?

3º dia: HA-HA. Acordei e lidei com uma criança tão enxarcada que deu a impressão de que ela fez xixi plantando bananeira na cama. Fiquei irritada e tal, expliquei que ela deveria ter levantado e feito xixi no penico, mas ok né? Acontece.

4º dia: mais xixi e mamãe aqui um pouquinho menos paciente explicando o que ela deveria fazer e quase esquecendo de imprimir na voz aquele tom positivo ideal para uma maternidade saudável.

5º dia: só não tinha mais xixi porque senão faltaria espaço para o cocô. Sim, uma criança que nunca havia feito cocô na calça, que sempre foi um reloginho, desregulou. E a mãe aqui desregulou mais ainda: dei bronca, perdi a paciência, tirei a roupa suja aos puxões e dei um banho com zero amor. Como parecia que ela não se importava, aquilo me frustrava ainda mais. Ridículo eu sei, mas eu sou assim: ridícula e irracional de manhã.

6º dia: cheguei no quarto e vi a cena: lençol e plástico no chão, criança deitada no colchão cheia de xixi... (calma que agora vem a parte difícil)... Cantando. Sim, ela estava cantando. Tarja preta para o meu momento surtado: fiz tudo o que não podia fazer, briguei, gritei, falei sem parar por vários minutos, fiquei de mau humor o resto da manhã, coloquei criança de castigo por ter tirado o plástico, etc. Um horror. Depois desse show matinal, liguei pra Camila que estava no trabalho e desandei a contar tudo e dizer que eu não ia me arrepender de coisa nenhuma, que aquela criança tava fazendo de propósito e que tudo se foda. Cinco minutos depois uma culpa me corroeu fundo e fui bater um papo com uma Laura triste. Falei coisas mais positivas, usei voz calma, olhei no olho, abracei, convidei para brincar... Enfim, o equilíbrio em pessoa.

Material usado: máquina de lavar, vários pijamas, calcinhas e lençóis, grandes doses de irritação.
Recursos adicionais: gritos, broncas e daí para pior. Cheguei a tirá-la da cama uma noite para fazer xixi, mas morri de pena porque ela dorme muito bem. O habitual era reduzir líquidos à noite, mandar fazer xixi antes de dormir e logo ao acordar.
Resultado: começou bem, mas graças à habilidade maternal aqui, o negócio desandou.
Tirada de fralda segunda etapa: fracasso total.

Depois de alguns dias com xixi diário na cama, eu disfarçando a raiva de ter que fazer a cama e lavar tudo todos os dias para não sobrecarregar nossa gostosinha que não tem culpa de ter uma mãe estressada, passamos a considerar outras opções. Em uma conversa com uma amiga que é psicóloga, mãe e super ponderada, contei a novela do desfralde noturno e perguntei se ela achava que seria problemático voltar às fraldas à essa altura da história. A decisão foi tomada depois de eu ouvir a pergunta: "O que você acha que será mais traumático: ela acordar todos os dias vendo você fingir que não se irrita ou voltar a usar fraldinha por um tempo e ter a mamãe feliz de volta?"

Né gente, eu sempre levando os tapas na cara. Fui pra casa decidida a voltar para as fraldas. À noite, na hora de dormir, conversei com ela. Mostrei a fralda e falei que eu a admirava por se esforçar em fazer xixi no penico, e que o xixi na cama não era um problema, que iríamos colocar a fralda de novo e mais tarde tentaríamos mais uma vez. Que isso significava que ela estava crescendo e aprendendo a ser uma criança maiorzinha e que a mamãe estava (cof cof) super feliz com isso. Aplausos.

1º dia de fralda: Laura acorda feliz da vida dizendo que não fez xixi na cama. Te falar? Psicologia infantil não é ciência, é praga rs

A partir desse dia, hoje ela completa 4 dias de retorno às fraldas e além de não fazer um pingo de xixi na cama, também aprendeu a sair da cama e abrir a porta. Não sei ainda quando vamos tirar novamente, mas fica a dica para quem vai passar por isso: escândalos matinais não resolvem.

Resumo da ópera

Por mais que a gente se prepare para o momento; que saiba que essa é uma tarefa simples para nós, mas importantíssima e muito difícil para os pequenos; que saiba que temos que ter muita paciência e amor, criando estímulos para que a criança aprenda a controlar seu xixi; que isso funcione como um trampolim para que a criança se torne mais segura e independente... Por mais que a gente saiba de tudo isso, na hora do vamovê a situação é: você trabalhou até tarde, acordou todos os dias da semana com - além das tarefas habituais - cama molhada, lençol, cobertor, travesseiro, pijama, calcinha, meia e criança para lavar, falou a mesma coisa infinitas vezes e a criança parece ter entendido mas é difícil saber o que realmente entende uma criança de 2 anos. Enfim, você está com frio, cansada e estressada antes de tomar o café da manhã.

Então a grande lição é: não superestime seus poderes de mãe - uma cama molhada ainda pode te derrubar!

Ok, agora a lição verdadeira: o aprendizado no ser humano não é linear, e sim espiral. Aprendemos e desaprendemos a todo o instante e isso é muito fácil de perceber nas crianças, pois elas ainda sabem poucas coisas. Portanto tudo tem que ser incansavelmente repetido e sim, temos que agir de forma positiva, pois eles percebem nosso olhar raivoso e tom de cobrança, sensação horrível que acabam carregando para a vida.

quarta-feira, 27 de março de 2013

O cabelo da nega

Sabendo que a Laura viria para uma família de brancos, para uma região de predominância branca, não nos surpreendeu que ela fosse a única criança negra da escola. Aliás, ela é a única criança negra em vários lugares. E já tive que ouvir muitas vezes, ao fazer essas observações acima, que não devemos vê-la como uma criança NEGRA. Ela é apenas uma criança igual às outras, que perceber isso só faz com que alimentemos o racismo dentro de nós. Oi?

Sempre saio com a sensação de que me chamam de racista pelo simples fato de VER a minha filha como ela é! Ver sua cor, reconhecer sua raça e valorizar a cultura de seus antepassados, tudo isso faz parte de uma luta de séculos pela visibilidade negra. Se eu, caucasiana, opto por ignorar esse "detalhe", estou corroborando para aquela tática estrategicamente cega que predomina o nosso mundinho safado: "racismo não existe mais".

Assim, tratamos de trabalhar muito bem a autoestima da nossa fofolete, enaltecendo todos os atributos pessoais e referentes à raça. Vamos combinar que isso não dá muito trabalho, visto que minha filha é linda de morrer (cof cof).

E um dos alvos principais do racismo cotidiano é, sem dúvida, o cabelo afro. Gente como o povo se incomoda com a revolta dos cachos! O cabelo dela é lindo, cheio de personalidade, super versátil, permite um sem número de penteados, fica bom de qualquer jeito, não tem dia ruim, não tem problema em ficar armado, não precisa lavar todos os dias, etc. São tantas qualidades que não consigo mais ter tolerância com comentários adversos.



Mas eles acontecem, pois não tenho como impedir a proliferação da ignorância do povo. E acontecem tão agressivamente sob sorrisos "amigáveis" que nos deixam, muitas vezes, sem resposta. Parece que eles têm o poder de entalar um caroço na nossa garganta, impedindo-nos de sair em defesa do absurdo para que eles possam seguir suas vidas medíocres balançando seus cabelos lindos.

Um dia saímos à caça de um espaço para fazer a festa de aniversário da Laura e nos apaixonamos por uma chácara. Uma senhora nos atendeu e mostrou todo o lugar, o tempo inteiro sendo simpática com a Laura, pegando na mão, fazendo-lhe gracinhas. Bem, as mães de plantão aqui vão concordar: quando alguém trata bem nossos filhos, baixamos a guarda e guardamos as garras. E foi assim, durante mais de uma hora passeamos pelo local conversando, volta e meia ela fazia umas perguntinhas sobre adoção, tudo na maior paz. Até que.

Na hora de ir embora, ela solta: "Ah essa Laura é muito linda, pena que quando crescer vai sofrer com esse cabelo". A Camila tirou força do útero para tentá-la ajudar a reparar a indelicadeza: "sofrer para pentear?"
Mas ela não entendeu a deixa e lascou o derradeiro: "Pra tudo! Agora ela não liga, mas quando crescer vai ter que alisar né? Ela não vai querer ficar com esse cabelo quando todo mundo tem cabelo liso bonito".

Aquilo doeu tanto que nos deixou sem ação. Só viramos as costas e saímos, Camila falou algo como "Não teremos esse problema, Laura tem um cabelo lindo e nós adoramos". Até hoje minha cabeça formula respostas destruidoras, mas na hora não conseguimos reagir, tão surpreendente foi aquilo.

O triste disso tudo é que esse não foi nem de longe o único comentário sobre o cabelinho enroladinho da minha nega. E mesmo a gente valorizando e torcendo muito para que ela se curta e tenha a autoestima tão firme quanto uma rocha, dia desses a TV exibia uma insuportável propaganda de chapinha.

Quando vi que a Laura estava muito atenta às imagens de "crespa infeliz, lisa feliz", perguntei: "Laura, quem tem o cabelo mais bonito do mundo?" (esse tipo de pergunta sempre gera a resposta "EUUU!!!" seja qual for o elemento). Mas dessa vez ela demorou um instantinho e respondeu:
- A MAMÃE!!

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

A escola

Laura está frequentando a escola desde outubro do ano passado. No início, morríamos de dó, pensávamos que ela se sentiria novamente abrigada ao se ver cercada de crianças sem as mães. O período de adaptação foi de uma semana, na qual ela aumentaria uma hora de permanência na escola até completar o período todo no último dia. Depois disso, a psicopedagoga faria um relatório sobre como foi o processo, como a Laura reagiu, quanto tempo levou para se adaptar com os colegas, com as atividades propostas, etc.

Ok, isso foi a teoria. A prática foi mais ou menos assim:

1º dia: Laura chegou curiosa e queria entrar na salinha dela, mas estava tímida. Fiquei preenchendo uns formulários enquanto a Cah foi levada por ela até lá. Quando chegou, a Cah conversou rapidinho (já havíamos passado mais de um mês preparando-a para esse dia) e a prof fechou a porta. Foi contar até 3 para ouvir o berreiro. Na volta, ganhou um sorvete gigante para aplacar nosso sentimento de culpa rs

2º dia: chegamos e ela ficou meio chorosa, não quis ir até a sala. Para que se adaptasse ao ritmo da escola, não a levamos até a porta novamente, deixamos isso a cargo da Tia, mas ouvimos a choradeira assim que viramos as costas. Na volta, fui até a sala espiar e a vi sentadinha entre os colegas toda animada. Ela demorou para me ouvir, mas quando ouviu, veio com carinha de choro correndo para o meu colo. Já nesse dia, depois de longa reunião com a psicopedagoga (o motivo disso eu conto no próximo post), ouvimos de todos que ela estava se adaptando melhor do que a encomenda, que o chorinho não passou de alguns minutos e que ela mostrava interesse em participar de tudo o que era proposto. Saímos infladas de orgulho.

3º dia: nem chorou, nem sofreu. Laura ficou o dia todo e ainda saiu de lá com um desenho que ela mesma pintou. Na volta para casa não parou de falar toda empolgada, e das tias só ouvimos elogios.

4º dia: ela já sabia o caminho e quando chegou, foi direto para o corredor toda solta. A prof informou que já poderíamos deixá-la o turno inteiro se assim preferíssemos, pois ela já estava curtindo todas as atividades e não chorava mais.

5º dia: pouco antes de sairmos de casa senti que ela parecia um pouco quente. Resolvemos medir a temperatura e quase caímos dura: estava com 38º de febre! Era a primeira vez que ficava doente. Ficamos tão nervosas que corri para a farmácia para comprar um remédio que já tínhamos em casa. Quando voltei, medimos novamente e estava em 39º, ela estava queimando, toda molenga, não reagia a nada.

Era sexta-feira, passamos a noite inteira de vigília com paninhos úmidos na testa. A febre baixava com o efeito do remédio, mas tornava a subir horas depois. Foi assim por dois dias, mas no dia seguinte ela já estava animada querendo brincar.

Laura tem uma disposição imensa com tudo o que a vida oferece, mas o medo é real e se apresenta nas mais diferentes formas toda vez que ela enfrenta algo novo.

Nossa pequena quer sair do casulo, mas o tempo parece exigir muito mais do que ela está preparada a dar no momento. Ao mesmo tempo, para romper com o mundo velho, temos que encarar os desafios hora ou outra não é? E como sabemos que isso dói, nos sentimos minúsculas. Afinal, só o que podemos fazer é estar lá depois para dar um beijinho e fazer os curativos.

Enfim, a febre passou e a nova vida começou mais uma vez. Agora Laura tem loucura pela escola, fica até difícil segurá-la nos finais de semana e feriados, pois se pudesse ela iria todos os dias.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

De volta!

Depois de meses longe daqui comecei a sentir saudade. Cheguei a pensar em dar cabo desse blog, uma vez que o pote de ouro já foi encontrado... Ficou meio sem sentido continuar.

Mas essa fase passou.

Como também passou a fase da adaptação aqui em casa. Agora aceito que sou mãe e gosto muito disso! Já virei clichezona, falo da Laura o tempo todo para qualquer pessoa. Se alguém der oi no elevador, já largo "Ah você nem imagina como é o oi da minha filha! É o oi mais lindo que já vi, quer ver? (fotos e mais fotos)".

Parte da minha crise com o blog teve a ver com a exposição. Chega uma hora que a proposta do blog confunde um pouco. Afinal, estamos aqui para quê? Será que a Laura vai gostar de saber de tudo isso quando crescer? Será que está certo expor tudo o que ela diz e faz na rede? Bem, nada precisa ser tão 8 nem tão 80. Vamos continuar contando nossa trajetória sim, fizemos grandes e verdadeiros amigos através da blogosfera e, assim como gosto de encontrar apoio, diversão, conhecimento ou papo furado na rede, também posso proporcionar!

Não vou mais ser linear na história toda. Ao todo, Laura vive conosco há 7 meses. Mas a sensação é de que nasceu aqui, da nossa barriga (isso explicaria os quilinhos a mais). Laura agora vai à escola, tem amiguinhos e amiguinhas, faz capoeira, canta, dança, aprendeu a pular, tirou as fraldas, fala O DIA INTEIRO e é muito, mas muuuuuuuito amorosa.

Dia desses estava com ela no quarto, quando cheguei bem pertinho e ela olhou fundo nos meus olhos por um segundo. Aí soltou um: "Oiiii Lala!!!" Minha filha descobriu que pode se ver nos meus olhos.

:) beijos aos meus amigos e amigas!

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Dor verdadeira

Basta ler alguns dos meus posts por aqui para perceber que esse espaço me inspira à reflexão. Na verdade não é o espaço em si, várias vezes desabafo em caracteres silenciosos no word só para depois ter o prazer de deletar, simbolicamente tentando também apagar minhas aflições.

Desde o dia 27 de julho estamos de licença do trabalho. Essa "folga" veio depois de uma sequência, creio eu, de uns 4 ou 5 anos sem férias. Ou mais. Assim, com tanta novidade para assimilar, estava ansiosa para poder deixar algumas preocupações de lado, mas confesso que essa etapa da vida mexeu muito mais comigo do que eu esperava. Por um lado, a felicidade de poder ter aquele pouco mais de calma que a vida pede; por outro, o medo de me afastar demais de mim.

Não ficamos paradas um segundo. Tivemos funções exaustivas com médicos, cadastro para retirada de medicamentos, consultas, inclusão da L. nos planos odontológico e de saúde, compras mil, a escolha da escolinha, revezamento de visitas de amigos e parentes que moram longe, encaminhar adoção definitiva... Enquanto isso, zero salários. Adotantes precisam dar entrada diretamente no INSS para receber o benefício, diferentemente de gestantes que continuam recebendo o valor da empresa, que é reembolsada pelo INSS. Falando assim parece simples. Até que você liga e descobre que precisa fazer um agendamento prévio (no meu caso foi para mais de um mês adiante), e que depois de ser atendida pela primeira vez, o seu pedido vai para avaliação e você aguarda uns 40 dias para receber uma carta em casa indicando o dia do pagamento.

"Mas não se preocupe, eles pagam retroativo", foi o que me disseram os atendentes nas mais de duas vezes que estive lá. Pois e como faço para viver retroativo? Pagar as contas retroativo? Comer retroativo??

Sem salário de ambas, eu e a Cah passamos a viver das nossas economias (que obviamente estavam reservadas para outros fins) e do pouco que minha empresa lucra. Hoje, dia 02 de outubro, ainda não recebemos um centavo e não sabemos quando o $$ virá. Por si só, esse assunto já é suficiente para reativar minha gastrite que estava mais para um vulcão adormecido.

Mas além das praticidades (ou falta de), é um pouco angustiante descobrir que você não ganha superpoderes com a maternidade. Aquela paciência ilimitada não existe para seres humanos normais, que se entopem de defeitos no decorrer dos anos. Sentir que você vira mãe e não está melhor do que antes e que aquele defeito horripilante não desapareceu magicamente é frustrante. Eu me tornei mãe assim, cheia de falhas. E isso é doloroso de se perceber. Acho que quando buscamos a maternidade temos muitas expectativas com o filho sim, mas mais ainda com nós mesmas. E todas elas desabam no primeiro castigo que não surtiu o efeito esperado, no primeiro dia que você olha para sua família perfeita e não se sensibiliza tanto assim....

Mas a vida é caprichosa, faz o favor de nos cutucar ou sacudir se preciso. Ontem soube que uma conhecida do trabalho sofreu um grave acidente de carro. Ela tem a minha idade e o filho, que estava com ela no momento, é mais novo que L.

Minha amiga (sobre)viveu ao acidente, mas seu filho não. Ele morreu um mês antes de completar 2 anos.



Lembro do dia em que ela encheu os olhos de lágrimas ao saber da história de L. e disse: "Depois que nos tornamos mães, não conseguimos suportar a dor de saber que existem crianças sem família".

Agora existe uma família sem sua criança. E então descobri que isso dói muito mais.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

A Saga da Adoção - A ponta do arco-íris

Os primeiros dias foram tão turbulentos que nem nos demos conta de que havíamos chegado na ponta do arco-íris. O motivo pelo qual fizemos tudo o que fizemos, pelo qual mudamos de cidade e de estado, mudamos de emprego, caímos e levantamos tantas vezes, enfim estava diante de nossos olhos. E ao contrário do que sempre imaginamos, demoramos para perceber e sentir.

Antes de ter um filho, a gente imagina um tipo de sentimento, de emoção. Achamos que vamos agir assim e assado, que vamos pensar tal coisa e conduzir a situação de determinada forma. Imaginamos que seremos totalmente diferente do que foram nossos pais e que nós sim seremos as precursoras de uma educação revolucionária. Eis que o momento acontece e você se descobre sentindo coisas inimagináveis. As dores do coração doem tão forte que tiram o ar (literalmente). As alegrias não são abobalhadas igual vemos nos filmes. Não! Elas são reais, profundas e não laterais. Elas não podem ser confundidas com euforia ou animação. É completamente o oposto disso. Ao mesmo tempo em que ficamos encantadas, habita hoje em nossas mentes um sentido de responsabilidade.

Pois é, nos tornamos responsáveis por uma vida. O significado dessa frase é indescritível. Afinal, aquela coisa da qual fugimos por boa parte da vida agora invade cada milímetro dela. E gostamos! É com prazer que conversamos, eu e a Cah, sobre os rumos da educação de L. É com absoluto amor e felicidade que impomos limites, mesmo sabendo que ela só vê nossa cara carrancuda e chora injustiçada.

Tenho zilhões de acontecimentos para relatar aqui no tocante aos próximos dias. Mas a data está se distanciando e perco a lembrança dos detalhes. Ao mesmo tempo, fico louca querendo contar sobre tudo o que tem acontecido AQUI E AGORA, antes que esqueça também disso. Resolvi então fazer um resumo sobre o fim do estágio de convivência, que durou ao todo 8 dias.

Depois de tomarmos as rédeas da situação, a confiança veio à galopes. Nos fortalecemos e começamos a entender o que tínhamos que fazer ali. É claro que isso tudo teve um preço: ao invés de recebermos a autorização para ir embora na quarta-feira, tivemos que aguardar mais uns dias.

Na última entrevista com a AS, L. era outra criança. E nós, outras mães. Em poucas horas estávamos com a tão sonhada Guarda Provisória em mãos! E junto com ela uma pilha de documentos para posterior encaminhamento da adoção definitiva (vou fazer um post específico sobre a parte burocrática do processo).

Mesmo assim, saímos de lá com uma sensação de que estávamos sequestrando L. rs Enfim ela iria com a gente, não teria mais AS nenhuma por perto, ninguém de olho dizendo o que podíamos ou não fazer. O estágio foi fundamental, mas não há preço que pague esse alívio que sentimos ao final de uma semana de avaliação constante.

Agora era hora de despedidas. Em uma semana de tantas emoções, compartilhamos nossas almas com pessoas especiais demais e nunca vamos terminar de agradecer. Lore e Lu, vocês mais do que nos hospedaram, vocês nos receberam de verdade. Nós chegamos lá, nos instalamos na casa de vocês, carregamos cada cômodo com nossas angústias, nossos medos e musiquinhas chatas, e vocês ainda tiveram fôlego para nos oferecer o ombro quando mais precisamos. Antes disso, nos conhecíamos muito pouco, mas agora as sentimos tão íntimas e tão próximas que parece que estão aqui do ladinho.

Aliás, esse é o melhor da amizade. Saímos dos braços delas para cair nos de outras duas pessoas excepcionais: Piu e Ceci. Depois de acompanhar de longe todo o fuzuê, suar frio quando tememos desistir de tudo, por fim só havia uma coisa a fazer: a viagem não seria completa se não passássemos em JF para dar aquele abraço apertado. E assim fizemos: exaustas, mas completas, saímos de BH e fomos à Juiz de Fora na sexta à noite.

O tempo que passamos lá foi curtíssimo, mas suficiente para realizarmos um sonho que, confesso, eu não imaginava que se concretizaria com tamanha perfeição: o sol fraco desperta o sábado para que pudéssemos ver L. e Mariah juntas! Nem todo o cansaço do mundo apaga o valor inestimável desse encontro. Por isso agradecemos imensamente a vocês também, nossas queridas amigas que estiveram ao nosso lado nas horas ruins e com as quais temos o prazer de curtir todas conquistas!

No sábado à noite, mais precisamente às 23h30, chegamos em casa com o nosso pote de ouro. A partir daqui, iniciamos uma nova a aventura: a maternidade vivenciada.

domingo, 26 de agosto de 2012

Nossas descobertas sobre você!!!

-- Interrompemos a programação da novela "A saga da adoção" para apresentar cenas dos capítulos futuros. --


A nossa filha ama banana e não gosta de morango.
Adora suco de laranja e detesta suco de manga (mesmo coado).
Ela ama brinquedos de montar e não dá muita bola para pelúcia, a não ser que eles interajam com ela como o pintinho gigante que pia.

A nossa filha adora desenhar, mas não liga para massinha.
A nossa filha pára o que estiver fazendo para começar a dançar e cantar quando ouve qualquer música (temos que evitar que ela ouça música ruim... hahahaha).


Existem 3 palavras mágicas pra ela: Passear, Banho e Presente.
Ela tem um sorriso muito doce e calmo quando acorda.
A nossa filha sempre dorme agarra em seu carneirinho azul.


Adora trocar de roupa e arrumar o cabelo. Adora pulseira, colar e brinco (mas as mamães dela ainda não tiveram coragem de levar ela pra furar a orelha).
A nossa filha ama bolinhos, sejam de brócolis, acelga ou chocolate, porém detesta comida seca.
Hoje minha filha já fala mamãe tah e mamãe tih.


Vovó é totó. E dinda é tinta.
Cada descoberta é fantástica. Cada fase é deliciosa.

Enquanto escrevo vejo meus 2 amores dançando.





Acho que não existe algo que me deixe mais feliz!!!


Camila

terça-feira, 21 de agosto de 2012

A Saga da Adoção - Um sorriso

"Ser mãe é se expor a todo o tipo de dor, principalmente o da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado". (José Saramago)

Eu não sou dada a replicar frases prontas, mas essa aí é tão nossa que tive que compartilhar aqui. Saindo da consulta com a AS naquele dia, aspiramos o ar de nariz erguido, o peito cheio de esperanças. Da minha parte, muita vontade de colocar em prática o que finalmente havia entendido; da parte da Cah, um alívio ao saber que "sim, estamos pegando nossa vida de volta".

E nossa pequena parecia pressentir que o tempo estava mudando. Ela não gostaria nada nada inicialmente, mas quem disse que é fácil ser criança? Logo que chegamos em casa (Lu e Lore, já me apossei da casa em poucos posts vocês perceberam? rs), ela tentou jogar o mesmo jogo de sempre, mas algo não deu certo. O que era? Ora bolas, estou aqui me esgoelando de tanto chorar e elas nem ligam pra mim? Isso não é justo, estou muito brava!! Ah se eu pego aquela AS de jeito ela vai ver só!

Foi assim por uma, duas, três vezes. As meninas chegaram do trabalho exaustas e tiveram que ver o show da L. (ok sei que vocês vão dizer que não se importaram, blablabla wiskas sachê, mas que foi UM SHOW, isso foi!). Ela não entendia por que não estava mais ganhando todos os colos do mundo, e por que tinha que aceitar certas coisas que não queria. A sequência de birras deu lugar ao sono e finalmente pudemos descansar. Minha mãe ligando sempre com uma dica na manga, nos dando mais confiança para fazer o que era preciso - é isso então? Esse é o caminho? "Não existe fórmula filha, mas toda criança é igual, precisa entender o que ela veio fazer no mundo, e precisa sentir confiança naqueles que cuidam dela. Se vocês têm amor no coração, então esse é o caminho sim". Ahhh o conforto do colo da mamãe (mesmo que distante) é insubstituível.

Eis que ela estava certa. No dia seguinte, ganhei um sorriso da minha boneca logo de manhã. Como pode? Até ontem ela não me deixava chegar perto, pensei que iria piorar depois de eu ter colocado de castigo tantas vezes. Mas pelo contrário, as coisas melhoraram muito em menos de 24h. Naquela mesma manhã consegui trocar sua roupinha sozinha, brincar, pegar no colo, e ainda ganhei uns trocados: ela passou a me imitar na hora das refeições, querendo tudo o que eu comia. Assistimos a tudo de boca aberta.

Aquilo me deu ânimo, descobri uma força que não sabia que possuía. E mesmo que nada até então tenha nos distanciado, com essa nova fase eu e a Cah ficamos ainda mais unidas. Passamos a combinar cada passo, discutir sobre como faríamos em cada situação para que L. liberasse seu lado doce e feliz cada vez mais. Imaginar que nossa família ainda era um sonho possível, depois de tanto medo, tanta dor e tanta vontade de largar tudo e voltar pra casa é algo impossível de expressar em palavras.

Estou aqui relatando os primeiros dias de paz de espírito, porque as birras continuaram! Cada vez ela tentava algo novo, relutava ao ouvir um simples não, e quando se empolgava com uma brincadeira e acabava fazendo algo que não podia, a gritaria era monumental. Mas não importava mais, pois ganhei um sorriso naquela manhã. E estava certa de que viriam outros...

terça-feira, 14 de agosto de 2012

A saga da adoção - Começa a maternidade

Bom, esse post demorou um pouco a ser feito por uma razão. Esse período foi muito difícil para mim (algumas de vocês sabem bem disso). Foi difícil relembrar as emoções, as situações que enfrentamos nesses poucos dias (que pareceram muitos). Mas acho que agora sai.

Como já comentei antes, a Cah conquistou nossa gatinha assim que chegou perto. Ela tem um jeito todo mãezona, é carinhosa, tem muito jeito com criança. Eu amo crianças também, e brinco muito com elas. Mas não tenho esse "quê". E tão logo ela se ligou à Cah, tratou de me rejeitar. Se antes ela gostava do meu colo, nesse dia já não dava nem a mão. Se antes pedia para brincar, nesse dia chorava com a minha presença. Não aceitava mais trocar as fraldas comigo, nem dormir, nem tomar banho ou escovar os dentes, não ficava comigo sozinha nem por um segundo.

Isso foi gradativo, como se eu perdesse um pouco de ar a cada minuto até que chegou ao segundo dia de rejeição e eu já estava em frangalhos. Meu emocional picotado, cada não dela era uma dor no meu coração.   E quando falo em dor no coração, não estou usando uma figura de linguagem, doía mesmo. Sentia uma pontada, um peso no peito, um nó no estômago e uma pressão nos ombros. Em menos de 48 horas eu não conseguia falar no assunto sem chorar.

A Cah conseguia tudo dela, e cada sorriso que ela dava - contra a cara fechada que eu ganhava - me feria. Me sentia fracassada, derrotada, frustrada por não poder curtir o momento como a Camila curtia, envergonhada por não conseguir o amor da minha filha, constrangida por estar passando por isso depois de tudo o que havia feito para tê-la conosco.

A Cah também não podia ficar feliz com isso. Ver que eu não conseguia me aproximar mais a fazia ter raiva da situação, e medo de ter raiva dela também. Afinal, nessa altura nós duas tínhamos o verdadeiro vínculo, ainda não éramos três. Éramos duas tentando ser três, nada além disso.

Todo esse sofrimento me encheu a ponto de não poder esconder mais. Lembro do peso de um momento em que ficamos nós duas no banheiro abraçadas, chorando, perdidas, uma buscando apoio na outra, só pensando em desistir de tudo e voltar pra casa.

Tinha que dividir isso com alguém, ou melhor, com alguéns. Queria saber se isso era normal, se eu era louca, se se se.... Corri para a internet, conversei com outras pessoas que estavam em processo de adoção também, passei uma tarde inteirinha de confidências com a Piu (dia inesquecível hein sapa? kkkk). Hoje posso pedir desculpas se a deixei aflita, mas o ombro que eu tanto precisava, encontrei ali. Um momento único que ajudou a aquietar meu coração.

Nossas queridas, extremamente sensíveis e carinhosas, sem poder ignorar tudo o que passávamos no cômodo ao lado, deixaram (sem combinar!) seu recado. A Lu me entregou uma cartinha antes de sair para o trabalho, a qual li três vezes consecutivas porque chorava tanto que engolia umas frases. Logo depois, foi a vez da Lore, que deixou na minha caixa de e-mails palavras escolhidas a dedo, revelando muito mais do que eu esperava saber na vida. Foram lidas aos soluços rs

Bem, de alma leve, mas ainda dolorida, nos arrumamos para a entrevista com a AS. Decidimos abrir os corações com ela, contar tudo o que estava acontecendo. Que alívio termos feito essa escolha. Assim que tive a oportunidade de ficar a sós com ela, desabei. Falei tudo o que sentia, o que estava acontecendo e como tudo isso estava sendo para mim. Me expus mais uma vez, ri, chorei, me desmanchei diante dela, e ela permaneceu com os braços cruzados impecável.

Quando terminei de relatar a novela, ela calmamente me olha e diz: meu bem, ela está te testando!

Hein?

É isso, ela está testando você - repetiu. Ela sentiu sua fragilidade, você ficou no lugar dela e hoje a menina abandonada é você.

Se tudo estava doendo até aí, imagina ouvir isso. Foi um tapa na cara, mas bem dado. E continuou, agora mais como um abraço: os filhos testam o amor dos pais, precisam entender se é real, se é duradouro, se resiste a tudo. Você precisa mostrar que veio para ficar. Ela não te odeia e nem te ama, ela não te conhece! Ela não conhece vocês, está com medo, não conhece o amor.

Eu fui ouvindo tudo com alívio, parecia que finalmente começava a respirar. Terminada a minha "terapia", chegava a vez da Cah, que também levou seu tapinha. Cah precisava proteger menos, mimar menos, dar menos atenção às birras. Resumindo: cometemos o erro das mães de primeira viagem! Só isso.

Como quando a mãe da gente assopra o machucado e diz que vai passar, saímos de lá horas depois rindo pela primeira vez na vida. Sem fazer ideia do que viria a seguir, eis que começávamos uma nova etapa: finalmente a maternidade.

domingo, 5 de agosto de 2012

A saga da adoção - O primeiro olhar

O plano deu certo. Viajamos horas e horas sem fim no nosso calhambeque 1.0. Fizemos uma única parada para comer e seguimos viagem, a euforia fazendo sumir a dor nas costas, o sono, o cansaço. A Cah, que sempre dorme tão fácil, ficou acordada cantando todas as músicas do nosso repertório para que eu não dormisse. Desse jeito chegamos em BH às 4h30 da madrugada de uma sexta-feira.

Nós íamos nos hospedar na casa das nossas amigas queridas Lu e Lore (Em Cores Almodóvar), mas vamos combinar que chegar na madruga no meio da semana batendo na porta é forçar a amizade né? Então paramos em um posto de combustível 24h, tomamos um café, encostamos o banco do carro e.....zzzzzzzZZZZZZ

Um cochilo de 1 hora e lá fomos nós para a entrevista com a AS marcada para as 8h da manhã. Desgrenhadas, sonolentas, amassadas, assim chegamos à Vara de Infância e Juventude. Como ela ainda não havia chegado, corremos para o banheiro para escovar os dentes, pentear os cabelos, trocar de blusa, lavar o rosto rs

Na entrevista, a AS aproveitou para nos conhecer um pouco melhor e também para falar mais sobre a menina. Nos deu algumas orientações sobre como deveríamos agir nesse primeiro contato e lá fomos nós conhecer a razão das nossas vidas.

Estranho falar assim: "conhecer a razão das nossas vidas", pois o primeiro olhar soou mais como um reencontro, um "até que enfim". Ao chegar ao abrigo, inicialmente não vimos as crianças, fomos ao escritório  conversar com a diretora do espaço. Espertinhos, eles deram um jeito para que nossa princesa passasse pela porta.... Foi eu virar para vê-la e desabei no choro LI-TE-RAL-MEN-TE.

Ok ok, eu tenho muito sangue italiano correndo nas veias, eu chorei no meu casamento, choro quando o cachorro morre no filme, choro quando vejo propaganda de dia das mães. Mas aí a coisa foi mais embaixo: eu fiquei sem jeito pela minha própria reação, a Cah me olhava com os olhos vermelhos, tentando segurar a onda. E eu recorrendo aos pensamentos mais absurdos para conter os soluços (sim, soluços) e manter a pose. A AS já tirou um lenço da bolsa e fiquei rindo e chorando ao mesmo tempo, comovida e envergonhada, sem saber o que falar.

Quando me acalmei, fomos até as crianças. A Cah liberou seu lado mais animado e conquistou a galera. Eu fiz mais o papel de cabide de criança nesse momento - não da nossa, mas de todas no recinto.

Eis que nossa pequena percebeu que a coisa era com ela. E foi se deixando aproximar devagar. Ela não era igual aos outros, ela precisava ser conquistada, era especial. No olhar dava pra ver seu gênio forte, mas no sorriso foi se revelando uma delicadeza impressionante. Um pouco frágil sim, mas mais do que isso, sutil, leve, miúda, sensível.

Ela se aproximou porque quis, porque ficou curiosa, achou divertido. Mostrou que gosta de música, pediu comida na boca, fez carinho na gente, pediu para ir lá fora, brincou conosco no escorregador, se deixou pegar no colo, riu, riu muito. E dormiu embalada por nós o soninho da tarde, o primeiro que vivemos com ela.

Às 14h já estávamos indo para a casa das meninas para descansar. Sem palavras para descrever, esse dia caiu como chumbo em nossos corações. Sentimos coisas que jamais sequer pensamos sentir, ficamos apaixonadas, falando dela por horas e horas. Sabíamos quantos dentes ela tinha, quantas vezes ela sorriu, que palavras conseguiu dizer. Tudo, simplesmente tudo ficou gravado.

As titias Lu e Lore esperavam notícias e seguimos noite a dentro compartilhando cada detalhe ignorando o sono que tomava conta à essa altura. A notícia boa foi além dessa manhã incrível: recebemos a autorização para tirá-la do abrigo no dia seguinte!!

Com esse gostinho na boca, dormimos exaustas.

terça-feira, 31 de julho de 2012

A saga da adoção - Parte IV

Tão logo tomamos essa decisão, não tínhamos ideia do quanto as nossas vidas mudariam e, muito menos, que mudariam tão rápido. Enviamos nossos dados para a Vara da Infância e no dia seguinte já nos ligaram para passar as informações.

Estou dirigindo, toca o celular. Atendi, era a AS. Parei o carro de qualquer jeito e fiquei falando com ela sobre cada detalhezinho do processo, o que teríamos que fazer, o que teríamos que providenciar a partir daí... Ela falou: arrumem as malas e venham o quanto antes!

Hein?? Aí foi um corre-corre danado. A Cah começou a passar mal nesse dia e o estômago só aquietou ontem rs Passamos o resto da noite tentando achar passagem com bom preço para daí a 5 dias = IMPOSSÍVEL. Ao mesmo tempo, é inverno de lascar por aqui. Temos que comprar jaquetas, cobertores, calças compridas, sapatos, botas? Não fazíamos ideia do que comprar, então fomos ao mercado mais próximo ver preços de fraldas, chupetas, mamadeiras. Depois ao shopping comprar pijaminhas, sapatos, etc. Sabia o tamanho das roupas dela, mas não entendia como ela podia caber naquilo. Ficávamos em dúvida, tudo era lindo, tudo era tão novo. Decidimos comprar o básico e depois providenciar o restante com ela.

Um parênteses aqui para as duas alucinadas revirando um balaio de pantufas para encontrar o outro pé da abelhinha. Pagamos cofrinho, deitamos no chão, mergulhamos fundo... E gritamos UHUUU quando achamos.

E o quarto? Berço ou cama? Chamamos nosso personal marceneiro para dar um help, encomendamos armário e cama com proteção (assim usamos por mais tempo). Enquanto os móveis não ficavam prontos, ajeitamos o quartinho com o que tínhamos para que ela ficasse confortável. E o resultado foi muito legal: dois colchões forrados com uma colcha floral, algumas almofadas para decorar a caminha, bichinhos de pelúcia de todo o tipo, uma estante de briquedinhos, um baú, espelho, cortina e tapete felpudo. Deu vontade de dormir? Foi aprovado.

Esses 5 dias se passaram em meio a um turbilhão de sentimentos, pensamentos... Não sabíamos se devíamos avisar a família e os amigos "e se der errado?". Ao mesmo tempo, era impossível não falar sobre isso, era nosso único assunto. Às vezes batia medo de dar errado, às vezes nos achávamos malucas pela ideia de ter um filho assim tão rápido... As perguntas, os anseios, os sentimentos todos eram tão grandes que não cabiam mais dentro do peito.

Então explodimos. E saiu pra todo lado. Contamos para muita gente e deixamos as vibrações positivas nos ajudar a diminuir a ansiedade.

Seguimos tentando encontrar passagem até o último segundo. Como ela já tinha 2 anos, pagava passagem, então a volta era com ela. Mas não tínhamos certeza da data da volta, então teríamos que comprar na hora. Fora isso, os horários não batiam com o que queríamos, os preços subiam ao invés de descer... Foi quando, nos 45s do segundo tempo decidimos ir de carro. Ufa! Problema 1 resolvido! Agora teríamos que providenciar cadeirinha de transporte, DVD para a volta, GPS para as loucas perdidas, mais um dia de folga dos empregos.

Mas quando é para dar certo, a coisa funciona. Ganhamos a cadeirinha, encontramos GPS e DVD baratim baratim um dia antes da viagem, traçamos nosso plano ninja de viajar 11h sem descanso e, enfim, o grande dia chegou!

segunda-feira, 30 de julho de 2012

A saga da adoção - Parte III

Enterrar a história de F. e S. não foi nada fácil, ainda mais porque dependeu de uma decisão - dessas que a gente nunca pensa que vai ter que tomar na vida.

Depois do susto que tomamos do advogado, que quis nos cobrar uma fortuna para fazer o pedido de adoção dos meninos, saí caçando todas as pessoas que conhecia na internet para tentar achar alguma solução. Falei com amigos, colegas, até meros conhecidos poderiam nos ajudar. Nesse desespero, falei com uma advogada que conheci no grupo de adoção pedindo um help.

Eu nem lembrava, mas ela era a pessoa que havia nos indicado a menina de dois anos. Bem como quem não quer nada, ela falou novamente sobre a bebezinha e naquele momento meus ouvidos ligaram diretamente para o coração. A situação a seguir foi cômica: eu e a advogada conversando no bate-papo do Face, enquanto a Cah esperava as informações no bate-papo do Gmail.

Falamos sobre tudo, sobre tudo relacionado a ela, sobre o medo de ter que fazer uma escolha desse tamanho. No fim da tarde conversamos muito, à noite choramos e conversamos mais. Enfim, decidimos pelo que nosso coração mandava: iríamos ficar com ela!

Não tenho palavras para descrever o que sentimos. Por um lado, os meninos não sabiam que nós os queríamos, por mais que eles tenham participado dos nossos sonhos, tomamos o cuidado de não envolvê-los em nada antes de qualquer definição da justiça. Assim, nosso coração foi se aquietando. Forcei não pensar neles para não doer, e ao mesmo tempo torcer muito para que alguém apareça para adotá-los junto com a irmã. Eles não merecem mofar no abrigo por conta de uma decisão fria do juiz.

Por outro lado, a ideia de que ao invés de dois meninos teríamos uma menina em casa, e toda bebezinha.... Ah isso aqueceu nossos corações! Parecia mais real, mais perto, ao alcance das mãos!!

E assim começou o que seria o próximo capítulo da saga. Prometo que vou voltar rapidinho para contar dessa vez rs

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Família na expectativa

Quando tentamos a inseminação, não queríamos que ninguém da nossa família soubesse da história. Combinamos esperar o positivo para contar a novidade. Com a adoção, o plano era contar só quando conseguíssemos a habilitação.

Mas eis que eu fui lendo daqui, lendo dali e concluí que seria mais interessante poder falar sobre a família na entrevista com a assistente social. Assim, respirei fundo e... soltei a matraca. Que alívio!! Adorei contar, amei a reação da minha mãe e da minha sogra. As futuras vovós ficaram animadas, interessadas, querendo saber como funciona, quanto tempo leva, etc.

Eu não imaginei que seria diferente, mas a realidade é uma delícia!

Filho, pode ir se preparando porque aqui a fila da expectativa está aumentando =)

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Uma nova caminhada

Hoje fui na Vara da Infância. Coisa mais estranha entrar na comarca da minha cidade, aquele edifício imenso com cheiro e cor de burocracia, dezenas de salas para todo o lado e eu entrando em cada uma - "oi! é aqui que consigo informações sobre adoção?" - eu sou do tipo que tá na cara que nunca entra em repartições públicas, nem sei pra que lado seguir e sempre acho que vou ser presa ou levar alguma multa (oi?).
Uma pena foi descobrir que eles fazem uma reunião mensal no final de cada mês. Ou seja, para se inscrever agora só na última quarta-feira de outubro. Em breve será lançado o edital e terei mais informações, mas até agora é isso: comparecer na última quarta. Para quem tá pensando em fazer o mesmo, cada cidade tem uma organização diferente, então o melhor é comparecer ao juizado com um documento! A orientação sexual, dizem, não deverá interferir no processo sob hipótese alguma, bem como a união homoafetiva. Mas isso nós veremos... Aguardem mais notícias.

A adoção não foi uma ideia que surgiu agora, por conta da IA que não deu certo. Na verdade esse sempre foi meu grande sonho, compartilhado com igual intensidade pela Cah. Eu falo que desejo adotar uma criança desde que me entendo por gente, desde antes de saber da minha sexualidade. É algo inexplicável, forte demais, como se eu tivesse essa missão a cumprir.

Apenas colocamos a adoção em segundo plano porque sabemos que é mais difícil adotar um bebê. Assim, se tivéssemos nosso baby biológico primeiro, não teríamos essa ansiedade em ter um neném no colo - além do que, teríamos mais experiência para poder adotar uma criança com X idade. Mas se tem algo que a vida anda nos ensinando é que devemos ter o coração sempre aberto a qualquer momento, não adianta determinar todos os passos. Portanto vamos entrar na fila da adoção, mas sem desistir de tentar uma nova IA.


O amanhã é quem irá nos revelar como será nossa família.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Angel...

Uma coincidência cor-de-rosa me fez acreditar que já era hora de voltar a escrever por aqui. Esse tempo todo distante não teve uma razão tão drástica. Na realidade, como não tínhamos muito o que dizer, fomos deixando um pouco de lado, ocupando o tempo com o corre-corre de sempre... logo o blog ficou tão abandonado que deu a impressão de que o retorno teria que ser algo digno. E de fato é.

Hoje acordei animada, sonhei que tivemos uma linda menininha. Mas antes mesmo de comentar com a Cah, ela mesma lançou: "amor, hoje sonhei com o nosso bebê, e era uma menina!". Saímos de casa um tiquinho mais felizes, coisa que se esvaiu em alguns segundos, quando recebemos a notícia de que nossa grande amiga, a primeira, deixou esse mundo.

Eu até quis me agarrar às crenças, encontrar um consolo em algumas frases feitas. Ela era a prometida madrinha do nosso filho, sonhou conosco, pesquisou temas de quartos de bebê, acompanhou todos os passos e esperou ansiosa a nova tentativa. Cada texto escrito aqui foi acompanhado por aquele par de olhos doces e iluminados, cada notícia foi dividida, comemorada e consolada.

Angelita, nossa Angel, vai deixar saudade imensa. E como sabemos que tristeza era algo que não existia no seu vocabulário, tomamos esse último exemplo de vida com pelo menos uma certeza: a danada deu um jeito de conhecer o afilhadinho dela antes da gente. É... não é à toa que recebeu nome de anjo.


quinta-feira, 23 de junho de 2011

"Não tem mais volta"

Foi isso que pensei enquanto aquela cânula fininha e super comprida era inserida na barriga da Cah.

Sim, fizemos a IA finalmente!!! Ainda meio bestas e sem entender direito a seriedade da coisa (rss), ficamos aqui beijando a barriga de 5 em 5 minutos para tentar, caso não esteja já bem óbvio, insistir sobre o quanto desejamos que as coisas estejam agitadas lá dentro.

Em breve entro aqui para contar os capítulos cômicos dessa novela que começou segunda-feira e só terminou ontem. Mas hoje quero estar no clima da Cah, sorrindo e tranquila, com a sensação de "bucho cheio" huahaua

Enfim...inicia a segunda contagem regressiva: faltam 14 dias para o resultado!

Agora uma dúvida para as gravidas ou mamães de plantão. A cah sentiu uma ardência ao urinar e suspeitamos que esteja com infecção urinária (é algo que ela tem com certa frequência). Será que é um mau sinal? Será que ela pode tratar ou o medicamento pode atrapalhar em alguma coisa?

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Dois anos em poesia

Um registro para 30 de maio de 2011
sobre 30 de maio de 2009.

Se a gente resolver levar a cabo tudo o que vivemos em tempo real e costumeiro, meu amor, nossa vida em dois anos de casamento pode se transformar em dez.

Se eu pudesse mudar a vida de alguém para melhor a cada troca de olhar que tivemos, as mazelas do mundo já teriam desaparecido.

Se eu ganhasse um doce a cada gesto de amor que recebi nesses dois anos, já pesaria uns 200 Kg. Se o sentimento que tenho por você fosse concreto como uma pedra, já teríamos construído uma réplica em tamanho real das pirâmides do Egito.

Se precisasse guardar tudo o que aprendi com você em uma caixa, nesta caberia o Planeta Terra. Se eu tivesse ganho uma moeda a cada sorriso seu, Bill Gates me pediria emprestado.

Se o meu coração inflasse toda vez que escuto sua voz doce dizendo "eu te amo", já teria explodido há muito. Mas se o gelo derretesse diante do seu calor, viveríamos o fim do mundo agora.

Se a minha admiração por você fosse uma música, esta poderia ser uma orquestra inteira. Se o meu orgulho em andar ao seu lado tivesse nome, seria preciso criar uma nova terminologia.

Isso porque viver com você é sempre imenso, intenso, beirando o impossível, o inacreditável. Se tivesse que dizer "obrigada" simplesmente por ter me escolhido sua esposa, então teria que ter nascido falando...e nem mesmo se eu vivesse até os 100 anos teria tempo suficiente.

Explicar você é como justificar a mim mesma, então desisto e corto os versos ao meio por medo de estragar dando uma razão ao intangível: eu e você.

Meu amor, em dois anos de casamento já sei que o que temos não é uma relação e sim um encontro se renovando dia após dia. Obrigada por ter acreditado no destino.



P.S. Mas se me largar já sabe...vai sem as pernas rsss