domingo, 27 de outubro de 2013

E a corrida recomeça!

Como contei no último post, assim que enviamos o requerimento para a juíza da VIJ, recebemos um retorno da AS local informando que estava tudo certo, que agora era só aguardar. Resolvemos que em breve começaríamos os preparativos para o segundo filho. O primeiro passo era avisar a família de que o público aqui em casa iria aumentar.

Com a minha mãe prestes a completar 60 anos e a Cah, em data bem próxima, chegando aos 30, decidimos fazer uma comemoração especial. Por isso, há meses reservamos uma pousadinha no litoral catarinense para um findi logo no início de novembro. Pensamos em aproveitar o momento para anunciar que estamos grávidas de coração novamente. Perfeito!

Mas o tempo não segue regra alguma. No dia 21 de outubro estou em casa lavando a louça do almoço, ao mesmo tempo em que aguardo Laura terminar seu prato e me arrumo para sair quando toca o telefone. É a esposa:
- Amor, está sentada?
Coração apertou - lá vem desgraça - pensei.
- Sim, fala o que houve???
- Nosso filho chegou.


...


Não sei dizer o que falamos na sequência. Minha cabeça girava. Como assim chegou? Acabamos de voltar ao CNA! Só pode ser loucura.

E é. A mais doce e incrível loucura que já vivemos.

Quando pensei que nada mais poderia superar a emoção de saber que em breve seria mãe, vem o destino e me mostra que ser mãe pela segunda vez pode ser ainda mais incrível. Ao esperar pela Laura, eu não sabia o que sentir, apenas ansiava e sonhava, imaginava e criava expectativas. Agora eu sei o que é ser mãe, sei o que é amar absurdamente um ser que um dia me foi desconhecido. E o sentimento que nutri pelo segundo filho foi instantâneo, alucinante, avassalador.

Hoje, dia 27 de outubro, estamos há dois dias de conhecer nosso segundo pote de ouro. O quarto já está pronto, o cronograma também. E nossos corações? Estão abertos, imensos e inquietos. Inesperadamente prontos!

sábado, 26 de outubro de 2013

Outros tesouros no fim do arco-íris

Meu sonho sempre foi ter a casa cheia, 3 ou 4 filhos mais ou menos. Camila era mais "normalzinha" rs, sonhava com dois filhos e ponto.

Mas quando Laura chegou, ela nos preencheu de tal maneira que ficamos em cima do muro, quisemos desistir de ter mais filhos. Afinal, a vida muda MUITO com a maternidade! Coisas que nunca imaginamos precisar, de repente viram prioridade nos nossos dias e o cansaço toma conta - até mesmo quando a filhotinha é praticamente um anjo na Terra.

Eis que o tempo passou. Hoje temos uma Laura de 3 anos e 4 meses completamente diferente de quando chegou. Ela já reconhece as letras do alfabeto, já consegue pular com mais empenho e aprende musiquinhas novas todos os dias - quando não aprende, inventa. Aprendeu a reconhecer as cores primárias e algumas secundárias, conta até 10, adora a escola, conta mil histórias e solta pérolas diárias curiosíssimas. Adora as pessoas do seu meio, faz questão de citar todos o tempo inteiro, deixou de ter aquele medo absurdo para aflorar uma personalidade tímida sim, mas extremamente simpática. Laura é tanto amor, tanta realização, tanta felicidade, que quando percebemos estávamos querendo ainda mais. Passado mais de um ano da adoção, hoje completamente adaptadas e felizes, decidimos que era hora de abrir novamente o coração para mais um potinho de ouro.

A certeza da decisão foi garantida dada a emoção com que entramos em contato com a VIJ buscando informações sobre o nosso retorno ao CNA. Nosso pensamento foi o seguinte: vamos começar o processo agora para quem sabe conseguirmos adotar no ano que vem... O perfil foi mantido praticamente igual, apenas alterando a faixa etária: decidimos que o segundo filho seria um bebê.

Laura, ciente de nossa decisão, começa a conjecturar sobre esse possível irmão que um dia chegará. Tudo para ela é festa, segue relato de uma de nossas conversas:

- Filha, o que é família?
- Família? É mamãe, outra mamãe e Laura!
- Ah é?
- Sim! E também o Gandalf, a Lilith, a Lilla... (seguiu citando cada um dos nossos 6 animais de estimação)
- É verdade filha, que família grande né? E quando seu irmão chegar, ele também vai ser família?
- Hummm... Não. Ele vai ser só MEU família!

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O processo da adoção - passo a passo

Faz tempo que estou devendo esse post e achei importante a ponto de reunir forças e me organizar para conseguir parar o mundo e escrevê-lo, pois sei que do outro lado há futuras mamães e papais ansiosos e cheios de dúvida sobre como funciona realmente o processo de adoção do ponto de vista, digamos, burocrático.

Ao contrário do que se imagina, não é sempre igual. Cada processo irá responder a fatores variados - que não deveriam ser tão variados assim - tais como: situação da criança adotada, idade, local da VIJ (Vara da Infância e Juventude), humor do juiz, competência das Assistentes Sociais, etc. No nosso caso funcionou da seguinte forma:

1. O primeiro contato: fomos convidadas a conhecer a Laura por intermédio de um grupo virtual de apoio à adoção. Pela ordem natural das coisas não seria necessário esse trabalho, mas foi fundamental no nosso caso, pois sem isso não nos teriam encontrado. Estávamos no CNA? Sim, estávamos. Mas o sistema é bastante falho. O convite aconteceu por telefone e e-mail simultaneamente e tão logo respondemos a loucura começou.

Depois de sermos convidadas, enviamos nosso processo de habilitação digitalizado para o e-mail da AS. No dia seguinte ela nos ligou para conversarmos sobre a data da viagem. Somos livres para ir quando quisermos, mas subentende-se que se demorarmos demais para ir, é por que não temos tanto interesse assim. Ponto negativo. Portanto aceitamos a data agendada pela AS e em menos de uma semana estávamos lá. O processo é todo eletrônico, então não tivemos que levar nada, apenas a cara, a coragem e o RG.

A primeira parada foi na VIJ logo de manhã. Lá nos foi passado tudo o que precisávamos saber sobre a Laura e, menos de duas horas depois estávamos a caminho do abrigo.

2. O estágio de convivência: para adotar crianças de 2 anos não é necessário mais do que 3 dias de estágio de convivência. Mas o caso da Laura exigiu um pouco mais do que isso, dado seu histórico e ausência absoluta de contato familiar durante toda a vida. No total ficamos uma semana em avaliação da VIJ de Belo Horizonte.

3. Documentação: para poder tirar a criança do abrigo é necessário entregar uma carta de autorização feita pelo juiz da VIJ. Recebemos esse documento assim que chegamos e o entregamos para a diretoria do abrigo. Também recebemos um documento para permanecer com a Laura na cidade durante aquela semana, o que serviria para nos hospedar em um hotel com ela, por exemplo.

Ao concluir o estágio de convivência, pensávamos que falaríamos com o juiz, mas não foi assim. A própria AS elaborou o termo de guarda provisório para fins de adoção e, enquanto aguardávamos na VIJ, pegou a assinatura do juiz e nos entregou. Esse documento serviria para sairmos da cidade com a Laura e nos delegava os direitos de tutoras da criança. Foi com ele que demos entrada na licença maternidade, nos planos de saúde, na escolinha, etc.

Nesse dia também recebemos cópia do processo de Destituição do Poder Familiar da Laura e também do processo dela contendo todas as informações sobre a fofuxa desde o primeiro dia de vida até o momento. Recebemos, ainda, o histórico médico dela com as orientações para dar seguimento ao tratamento do HIV+ pelo SUS no Paraná.

Antes de sair de BH, portanto, passamos no Hospital onde ela era atendida, pegamos a medicação necessária para o primeiro mês e saímos com mais uma receita que daria para os próximos dois meses.

4. A adoção definitiva: todos os profissionais envolvidos na causa alegam que é fundamental ter advogado para adotar em qualquer VIJ do Brasil. Mas nós não precisamos, foi tudo muito simples e rápido. Com Laura já destituída, não tivemos que aguardar muito. Em casos de crianças não destituídas é necessário aguardar que esse processo se conclua antes de adotá-la em definitivo - já vi casos de espera de anos.

Entramos com pedido de adoção logo no primeiro mês e nos pediram uma papelada chatíssima muito parecida com a do processo de habilitação (comprovantes de renda, de endereço, cópias autenticadas de documentação, negativas, etc).

O mais demorado no nosso caso foi aguardar a visita da AS à nossa casa para o laudo técnico sobre a adaptação da Laura. Quando finalmente conseguimos esse laudo, tudo seguiu em menos de duas semanas. A documentação seguiu para a juíza, que emitiu a sentença favorável à adoção solicitando que tomássemos ciência pessoalmente no Cartório da VIJ.

5. A Certidão: fomos no dia seguinte e recebemos um documento assinado pela juíza exigindo a alteração na Certidão de Nascimento. Peguei aquele papel e voei para o cartório de registros, faltava poucos dias para o Dia das Mães. No cartório emitiram nova certidão informando os novos dados de filiação e pronto, Laura virou Ribeiro de Souza Fiorio.

6. O tempo: fomos habilitadas em três meses. Dois meses depois de entrar no CNA estávamos em BH conhecendo a Laura. Do dia em que a conhecemos até o momento de pegar a certidão na mão se passaram 10 meses. Sei que não acontece assim com muita gente. Em geral, o processo de habilitação demora uns 6 ou 7 meses para sair.

Depois disso, o tempo de espera varia muito de acordo com o perfil da criança desejada. Grupos de irmãos, meninos, crianças negras, pardas ou indígenas, idade superior a 4 anos e com doenças crônicas ou deficiências costumam ser encaminhados rapidamente. Meninas sem irmãos, brancas, sem doenças, já destituídas e com idade inferior a 3 anos não são maioria nos abrigos brasileiros, portanto são perfis que demoram um pouco mais a serem atendidos.

Espero que tenha esclarecido alguns pontos aqui, caso algo tenha ficado de fora podem perguntar!

=]

sábado, 10 de agosto de 2013

A difícil arte do caminhar

Uma das descobertas mais dolorosas que eu fiz quando comecei a me perceber adulta é de como é difícil ser feliz.

É difícil demais aprender a equilibrar nossas expectativas com a realidade. Assim como também é difícil aceitar que a realidade é o que é, não mais e nem menos. E que querer mais é irreal - e não um sonho. Querer o que a realidade nos dá não é falta de ambição e sim adquirir a consciência de que a vida tem sua forma, seus caminhos, sua razão de ser.

Eu não sou religiosa, sou ateísta. Vivo num mundo mergulhado em "graças a deus", "que deus te acompanhe", "durma com os anjos", "deus ilumine seu caminho"... É exaustivo quando se acredita calorosamente que isso tudo é fruto de subterfúgios cultivados há séculos, milênios por todos os povos e que eu, pobre de mim, jamais conseguirei combater. Então, cansada de correr contra o vento, decido aceitar tais palavras como uma ordem de carinho recebida pelos mais queridos amigos e familiares. Foi uma sábia decisão. Com ela, não luto mais contra isso, não gasto mais energia com o inevitável.

Isso é aceitar a realidade. Não aceitá-la seria o mesmo que viver frustrada, brigando com o mundo e com as convicções do outro que - peraí - não deixa de ser reflexo da minha própria convicção!

Mas voltando ao ponto. É difícil ser feliz porque a vida nos empurra no sentido contrário. Nada no mundo faria sentido se não tivéssemos nós mesmos que descobri-lo em nosso próprio caminhar. Então o esforço, a dor, o sofrimento, as dificuldades e as barreiras que a vida nos impõe não são injustiças, castigos divinos ou o chamado de satã - como queiram definir. São nada menos do que a vida acontecendo.

E é por ser que vivemos. Se apenas o ser é fundamental para a vida, talvez a dificuldade em encontrar a felicidade (ou reconhecê-la) esteja em nossa tentativa de deixar de ser. Em ter, fazer, sustentar... Qualquer coisa que sufoque o ser.

E o que a Laura tem a ver com tudo isso? Tem que ela é uma menina que acaba de completar 3 anos de vida e que já carrega uma maletinha de situações curiosas, interessantes e também difíceis. Se temos pena? Não, nenhuma. Laura nasceu e vive sua história, ela encontrará seus meios para enfrentar os desafios - desafios esses que não são maiores do que os que enfrentamos todos nós. A grande questão é: se nós mesmos, adultas e com certa experiência de vida, amparadas uma pela outra, enfrentamos avessamente tantos obstáculos da vida, como saberemos nós a melhor maneira de ensiná-la a fazer isso com sabedoria?

Creio que só seja possível alcançarmos juntas. Então, como tropeço na difícil arte do caminhar, desconfio que ainda vamos esbarrar na felicidade por aí.


segunda-feira, 13 de maio de 2013

Dia das mães com certidão em mãos!

Depois de saída a sentença, fiquei de olho no prazo do processo para retirada da certidão de nascimento da Laura. Como ela foi registrada inicialmente em Belo Horizonte, onde nasceu, foi necessário solicitar o cancelamento do documento por lá para então obtermos a autorização de registrá-la aqui, onde vivemos.

E esse dia finalmente chegou: às 15h30 do dia 06 de maio tomei posse da certidão de nascimento da Laura. Lá no topo, seu nome completo; logo abaixo, eu e Cah no campo Filiação. Depois, avós maternos de ambos os lados.

A sensação? Não sei dizer... Eu resolvi fazer a certidão sozinha em segredo para presentear a Cah no Dia das Mães, então não pude ligar para ela e desabar chorando. Tampouco quis pagar mico no cartório, que estava cheio de gente. Fiquei o tempo todo tentando fazer meu pensamento fugir desse que foi um dos acontecimentos mais importantes da minha vida. Engasguei diversas vezes e quando me entregaram o documento pronto, agradeci à moça como se ela tivesse me dado a Laura embrulhada pra presente. O resto do dia pouco trabalhei. E como era de se imaginar, não consegui segurar a surpresa até domingo, naquela noite mesmo entreguei o "presente" à Camila, que ficou tão besta quanto eu. E aí sim pudemos chorar nossa vitória.

Nossa família nasceu.

No Dia das Mães, cercadas de amigos e crianças, curtimos um presente ainda mais legal! Uma matéria publicada no canal iGay do portal IG estampando nossa felicidade assim, para quem quisesse ver.

http://igay.ig.com.br/2013-05-12/nosso-primeiro-dia-das-maes---camila-e-vivian-adoram-filha-laura.html

Pode ser melhor???

Aproveito aqui para deixar muitos beijos e abraços a todas as mamães (e futuras também, pois sonhar já é ser um pouquinho mãe) que nos acompanham por aqui =)

domingo, 28 de abril de 2013

A lenda do desfralde

Hoje, um domingo lindo nascido depois de um sábado exaustivo, seguido de uma semana loucamente cansativa, eu e esposa dormíamos serenamente quando fomos acordadas por um serzinho que sussurrava:
- Mãe, todô!

Laura acordou. Feliz da vida porque finalmente aprendeu a levantar da cama, abrir a porta e sair ao invés de ficar lá sentada como se não andasse, gritando MANHÊÊÊ como se não houvesse amanhã. Sim. Laura teve que ser estimulada a sair do quarto por conta própria, como também teve que ser estimulada a brincar, pular e fazer inúmeras atividades que tantas crianças fazem normalmente. E não estou contando isso para fazer brotar a compaixão no coração da humanidade - odeio compaixão. Falei por que isso talvez dê bases para que entendam como está sendo o processo de desfralde aqui em casa.

Pois bem, antes de ter filhos eu tinha pânico do desfralde. Me apavorava com a ideia de ter uma criança se mijando toda pela casa, me via limpando xixi por todo o canto, tudo fedendo, etc. Mas lá por outubro ou novembro, época em que a Laura entrou na escolinha, deu a louca e tirei a tal da fralda. Então, para quem ainda não se aventurou, aqui vai nosso beabá:

Primeira etapa

Começamos testando a reação dela só em casa e durante o dia. Foi um sucesso no primeiro dia, ela amou ficar sem fraldas e se empolgou total com a dancinha senta e levanta no penico. Inicialmente tive medo de deixá-la curtir o sofá da sala, já que a impermeabilização não funciona para o xixi (oi?). Ficava de minuto a minuto convidando: "vamos fazer xixi filha!" Pegava pela mão a criatura e levava para o penico lá no banheiro, ensinava a tirar a calça, blablabla.
No segundo dia ela concentrou seu ódio no penico. Assim que o viu abriu o maior berreiro, não quis saber de sentar no dito cujo e mandá-la fazer xixi parecia o mesmo que dizer: "filha, vá para a forca e morra". Mesmo assim não teve nenhum vazamento, mesmo contrariadíssima ela fez xixi no penico bem bonitinha.
Nos dias que se seguiram, como o mau humor aumentava, Camila resolveu colocar o penico na sala, assim ficaria mais perto de nós e talvez não se irritasse tanto. Deu super certo, ela fez as pazes com a privadinha e voltou à animação do primeiro dia. Nesse ponto, resolvemos avisar na escola que estávamos mantendo-a sem fralda durante o dia, que se possível dessem continuidade ao trabalho por lá.

Material usado: calcinhas, pano, desinfetante e paciência.
Recursos adicionais: convite para fazer xixi a cada 2 minutos e meio (não eram perguntas, eram CONVITES, creio que faz toda a diferença quando a criança está na fase do NÃO), dancinha do xixi e do cocô feliz, tchau para o xixi, repetição do ritual pós-penico: levanta do penico, limpa a perereca, coloca a calcinha, dá a descarga.
Resultado: nem contabilizei quantos xixis tivemos na calça, mas foram poucos, pouquíssimos, nem cheguei a me irritar.
Tirada de fralda primeira etapa: sucesso total.

Segunda etapa

Como a coisa toda tava uma maravilha, arriscamos tirar a fralda também durante os percursos de carro. Nosso maior medo aqui era que se rolasse uma escapada o trabalho seria triplo - santa paciência tirar a capa daquela cadeirinha para lavar -, sem contar que percorremos com ela longos trajetos cada vez que saímos de casa. Tudo isso fez com que levássemos algumas semanas para criar coragem.
Mas quando o dia chegou, chegou chegando. Tiramos e ela fez direitinho a parte dela. Dois momentos foram cruciais para percebermos de que ela estava mesmo preparada para viver sem fraldas:

1- Um dia eu retornando para casa com ela quando encaro um belo congestionamento. Lá pelas tantas, Laura fala a frase arrepiante "Mãe, té xixi". Olhei para ela disfarçando a tensão e falei: "agora não filha, mas quando a gente chegar em casa você pode fazer xixi ok? (por favor por favor por favor por favor)". Ela: "tá bom!" E cumpriu o combinado, chegamos em casa muitos minutos depois e a calcinha estava seca.

2- Pouco tempo depois de tirarmos a fralda nos trajetos, encaramos uma viagem longa para o RS. Foram 7 horas na ida e 10 horas na volta. Paramos duas vezes em cada etapa, Laura não pediu para parar nenhuma vez e fez xixi somente nos banheiros. Sei que não estava apertada, pois seguiu brincando e se divertindo - e até dormindo - numa boa o caminho todo.

Material usado: calcinhas.
Recursos adicionais: nenhum.
Resultado: Laura nunca fez xixi na cadeirinha, então o resultado não poderia ser melhor.
Tirada de fralda segunda etapa: sucesso total.

Terceira etapa

Quem pegou no sono com tanto tédio agora pode acordar que a ladainha começou rs Depois de meses usando fraldas apenas para dormir, eu e Camila fugindo sempre da conversa enfim decidimos encarar: já era hora de tirar a fralda noturna. Como sempre esquecíamos de comprar aquela capa para forrar o colchão, fomos adiando a data, o que não sei se foi bom. Afinal, Laura muitas vezes deu sinal de que era capaz de segurar o xixi durante a noite - várias manhãs vieram com fralda sequinha. Mas passava o tempo e o xixi voltava a surgir, nos desencorajando a começar a terceira e dolorosa etapa.
Mas como acontece sempre, um belo dia a gente se jogou na coisa: enfiamos um saco de lixo gigante na cama sob o lençol, reduzimos o líquido da noite e fizemos a lição de casa com a pimpolha. Ela já estava sendo adestrada para isso há um tempinho, mas o lance foi mais intenso no dead line. E assim começou:

1º dia: cama sequinha de manhã, criança e mamães felizes a cantar. Esse foi o assunto que reinou no café da manhã e a Laura não parava de falar sobre o fato, não duvido que tenha contado até para a professora.

2º dia: mais um dia de cama sequinha e eu já começava a respirar - então minha filha seria dessas crianças iluminadas?

3º dia: HA-HA. Acordei e lidei com uma criança tão enxarcada que deu a impressão de que ela fez xixi plantando bananeira na cama. Fiquei irritada e tal, expliquei que ela deveria ter levantado e feito xixi no penico, mas ok né? Acontece.

4º dia: mais xixi e mamãe aqui um pouquinho menos paciente explicando o que ela deveria fazer e quase esquecendo de imprimir na voz aquele tom positivo ideal para uma maternidade saudável.

5º dia: só não tinha mais xixi porque senão faltaria espaço para o cocô. Sim, uma criança que nunca havia feito cocô na calça, que sempre foi um reloginho, desregulou. E a mãe aqui desregulou mais ainda: dei bronca, perdi a paciência, tirei a roupa suja aos puxões e dei um banho com zero amor. Como parecia que ela não se importava, aquilo me frustrava ainda mais. Ridículo eu sei, mas eu sou assim: ridícula e irracional de manhã.

6º dia: cheguei no quarto e vi a cena: lençol e plástico no chão, criança deitada no colchão cheia de xixi... (calma que agora vem a parte difícil)... Cantando. Sim, ela estava cantando. Tarja preta para o meu momento surtado: fiz tudo o que não podia fazer, briguei, gritei, falei sem parar por vários minutos, fiquei de mau humor o resto da manhã, coloquei criança de castigo por ter tirado o plástico, etc. Um horror. Depois desse show matinal, liguei pra Camila que estava no trabalho e desandei a contar tudo e dizer que eu não ia me arrepender de coisa nenhuma, que aquela criança tava fazendo de propósito e que tudo se foda. Cinco minutos depois uma culpa me corroeu fundo e fui bater um papo com uma Laura triste. Falei coisas mais positivas, usei voz calma, olhei no olho, abracei, convidei para brincar... Enfim, o equilíbrio em pessoa.

Material usado: máquina de lavar, vários pijamas, calcinhas e lençóis, grandes doses de irritação.
Recursos adicionais: gritos, broncas e daí para pior. Cheguei a tirá-la da cama uma noite para fazer xixi, mas morri de pena porque ela dorme muito bem. O habitual era reduzir líquidos à noite, mandar fazer xixi antes de dormir e logo ao acordar.
Resultado: começou bem, mas graças à habilidade maternal aqui, o negócio desandou.
Tirada de fralda segunda etapa: fracasso total.

Depois de alguns dias com xixi diário na cama, eu disfarçando a raiva de ter que fazer a cama e lavar tudo todos os dias para não sobrecarregar nossa gostosinha que não tem culpa de ter uma mãe estressada, passamos a considerar outras opções. Em uma conversa com uma amiga que é psicóloga, mãe e super ponderada, contei a novela do desfralde noturno e perguntei se ela achava que seria problemático voltar às fraldas à essa altura da história. A decisão foi tomada depois de eu ouvir a pergunta: "O que você acha que será mais traumático: ela acordar todos os dias vendo você fingir que não se irrita ou voltar a usar fraldinha por um tempo e ter a mamãe feliz de volta?"

Né gente, eu sempre levando os tapas na cara. Fui pra casa decidida a voltar para as fraldas. À noite, na hora de dormir, conversei com ela. Mostrei a fralda e falei que eu a admirava por se esforçar em fazer xixi no penico, e que o xixi na cama não era um problema, que iríamos colocar a fralda de novo e mais tarde tentaríamos mais uma vez. Que isso significava que ela estava crescendo e aprendendo a ser uma criança maiorzinha e que a mamãe estava (cof cof) super feliz com isso. Aplausos.

1º dia de fralda: Laura acorda feliz da vida dizendo que não fez xixi na cama. Te falar? Psicologia infantil não é ciência, é praga rs

A partir desse dia, hoje ela completa 4 dias de retorno às fraldas e além de não fazer um pingo de xixi na cama, também aprendeu a sair da cama e abrir a porta. Não sei ainda quando vamos tirar novamente, mas fica a dica para quem vai passar por isso: escândalos matinais não resolvem.

Resumo da ópera

Por mais que a gente se prepare para o momento; que saiba que essa é uma tarefa simples para nós, mas importantíssima e muito difícil para os pequenos; que saiba que temos que ter muita paciência e amor, criando estímulos para que a criança aprenda a controlar seu xixi; que isso funcione como um trampolim para que a criança se torne mais segura e independente... Por mais que a gente saiba de tudo isso, na hora do vamovê a situação é: você trabalhou até tarde, acordou todos os dias da semana com - além das tarefas habituais - cama molhada, lençol, cobertor, travesseiro, pijama, calcinha, meia e criança para lavar, falou a mesma coisa infinitas vezes e a criança parece ter entendido mas é difícil saber o que realmente entende uma criança de 2 anos. Enfim, você está com frio, cansada e estressada antes de tomar o café da manhã.

Então a grande lição é: não superestime seus poderes de mãe - uma cama molhada ainda pode te derrubar!

Ok, agora a lição verdadeira: o aprendizado no ser humano não é linear, e sim espiral. Aprendemos e desaprendemos a todo o instante e isso é muito fácil de perceber nas crianças, pois elas ainda sabem poucas coisas. Portanto tudo tem que ser incansavelmente repetido e sim, temos que agir de forma positiva, pois eles percebem nosso olhar raivoso e tom de cobrança, sensação horrível que acabam carregando para a vida.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Enfim nossa!

Hoje, dia 22 de abril de 2013, exatamente 9 meses e dois dias depois de pegarmos a Laura no colo pela primeira vez na vida, podemos encher o peito de orgulho para dizer: ela é nossa!

Tudo começou na quinta-feira passada. Eu havia passado o dia cobrindo evento fora de casa, cheguei exausta, irritada, cheia de trabalhos acumulados. Era 19h quando sentei em frente ao computador e acessei o site do Projudi certa de que mais uma vez entraria lá para ver nada. Mas adoro viver sem expectativas, pois é aí que as boas notícias acontecem: estava lá o documento redigido pela juíza da nossa comarca confirmando o que nosso coração já sabia - Laura é, enfim, nossa filha legítima.

Eu nem consegui terminar de ler o texto e já caí no choro. Nesse momento, nós três ali diante do computador nos amassamos como uma verdadeira família deve fazer. Laura parecia sentir, pois comemorava feliz da vida nos enchendo de beijos - okey, ela comemora qualquer coisa, mas deixa eu acreditar rs.

Fomos hoje ao cartório da Vara da Infância e Juventude para tomar ciência da sentença. Em dez dias teremos a certidão da Laura em mãos. Nos espaços em branco, terá nossos nomes e dos nossos pais como avós de Laura Ribeiro de Souza Fiorio.


Indescritível.