Faz tempo que estou devendo esse post e achei importante a ponto de reunir forças e me organizar para conseguir parar o mundo e escrevê-lo, pois sei que do outro lado há futuras mamães e papais ansiosos e cheios de dúvida sobre como funciona realmente o processo de adoção do ponto de vista, digamos, burocrático.
Ao contrário do que se imagina, não é sempre igual. Cada processo irá responder a fatores variados - que não deveriam ser tão variados assim - tais como: situação da criança adotada, idade, local da VIJ (Vara da Infância e Juventude), humor do juiz, competência das Assistentes Sociais, etc. No nosso caso funcionou da seguinte forma:
1. O primeiro contato: fomos convidadas a conhecer a Laura por intermédio de um grupo virtual de apoio à adoção. Pela ordem natural das coisas não seria necessário esse trabalho, mas foi fundamental no nosso caso, pois sem isso não nos teriam encontrado. Estávamos no CNA? Sim, estávamos. Mas o sistema é bastante falho. O convite aconteceu por telefone e e-mail simultaneamente e tão logo respondemos a loucura começou.
Depois de sermos convidadas, enviamos nosso processo de habilitação digitalizado para o e-mail da AS. No dia seguinte ela nos ligou para conversarmos sobre a data da viagem. Somos livres para ir quando quisermos, mas subentende-se que se demorarmos demais para ir, é por que não temos tanto interesse assim. Ponto negativo. Portanto aceitamos a data agendada pela AS e em menos de uma semana estávamos lá. O processo é todo eletrônico, então não tivemos que levar nada, apenas a cara, a coragem e o RG.
A primeira parada foi na VIJ logo de manhã. Lá nos foi passado tudo o que precisávamos saber sobre a Laura e, menos de duas horas depois estávamos a caminho do abrigo.
2. O estágio de convivência: para adotar crianças de 2 anos não é necessário mais do que 3 dias de estágio de convivência. Mas o caso da Laura exigiu um pouco mais do que isso, dado seu histórico e ausência absoluta de contato familiar durante toda a vida. No total ficamos uma semana em avaliação da VIJ de Belo Horizonte.
3. Documentação: para poder tirar a criança do abrigo é necessário entregar uma carta de autorização feita pelo juiz da VIJ. Recebemos esse documento assim que chegamos e o entregamos para a diretoria do abrigo. Também recebemos um documento para permanecer com a Laura na cidade durante aquela semana, o que serviria para nos hospedar em um hotel com ela, por exemplo.
Ao concluir o estágio de convivência, pensávamos que falaríamos com o juiz, mas não foi assim. A própria AS elaborou o termo de guarda provisório para fins de adoção e, enquanto aguardávamos na VIJ, pegou a assinatura do juiz e nos entregou. Esse documento serviria para sairmos da cidade com a Laura e nos delegava os direitos de tutoras da criança. Foi com ele que demos entrada na licença maternidade, nos planos de saúde, na escolinha, etc.
Nesse dia também recebemos cópia do processo de Destituição do Poder Familiar da Laura e também do processo dela contendo todas as informações sobre a fofuxa desde o primeiro dia de vida até o momento. Recebemos, ainda, o histórico médico dela com as orientações para dar seguimento ao tratamento do HIV+ pelo SUS no Paraná.
Antes de sair de BH, portanto, passamos no Hospital onde ela era atendida, pegamos a medicação necessária para o primeiro mês e saímos com mais uma receita que daria para os próximos dois meses.
4. A adoção definitiva: todos os profissionais envolvidos na causa alegam que é fundamental ter advogado para adotar em qualquer VIJ do Brasil. Mas nós não precisamos, foi tudo muito simples e rápido. Com Laura já destituída, não tivemos que aguardar muito. Em casos de crianças não destituídas é necessário aguardar que esse processo se conclua antes de adotá-la em definitivo - já vi casos de espera de anos.
Entramos com pedido de adoção logo no primeiro mês e nos pediram uma papelada chatíssima muito parecida com a do processo de habilitação (comprovantes de renda, de endereço, cópias autenticadas de documentação, negativas, etc).
O mais demorado no nosso caso foi aguardar a visita da AS à nossa casa para o laudo técnico sobre a adaptação da Laura. Quando finalmente conseguimos esse laudo, tudo seguiu em menos de duas semanas. A documentação seguiu para a juíza, que emitiu a sentença favorável à adoção solicitando que tomássemos ciência pessoalmente no Cartório da VIJ.
5. A Certidão: fomos no dia seguinte e recebemos um documento assinado pela juíza exigindo a alteração na Certidão de Nascimento. Peguei aquele papel e voei para o cartório de registros, faltava poucos dias para o Dia das Mães. No cartório emitiram nova certidão informando os novos dados de filiação e pronto, Laura virou Ribeiro de Souza Fiorio.
6. O tempo: fomos habilitadas em três meses. Dois meses depois de entrar no CNA estávamos em BH conhecendo a Laura. Do dia em que a conhecemos até o momento de pegar a certidão na mão se passaram 10 meses. Sei que não acontece assim com muita gente. Em geral, o processo de habilitação demora uns 6 ou 7 meses para sair.
Depois disso, o tempo de espera varia muito de acordo com o perfil da criança desejada. Grupos de irmãos, meninos, crianças negras, pardas ou indígenas, idade superior a 4 anos e com doenças crônicas ou deficiências costumam ser encaminhados rapidamente. Meninas sem irmãos, brancas, sem doenças, já destituídas e com idade inferior a 3 anos não são maioria nos abrigos brasileiros, portanto são perfis que demoram um pouco mais a serem atendidos.
Espero que tenha esclarecido alguns pontos aqui, caso algo tenha ficado de fora podem perguntar!
=]
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segunda-feira, 14 de outubro de 2013
segunda-feira, 22 de abril de 2013
Enfim nossa!
Hoje, dia 22 de abril de 2013, exatamente 9 meses e dois dias depois de pegarmos a Laura no colo pela primeira vez na vida, podemos encher o peito de orgulho para dizer: ela é nossa!
Tudo começou na quinta-feira passada. Eu havia passado o dia cobrindo evento fora de casa, cheguei exausta, irritada, cheia de trabalhos acumulados. Era 19h quando sentei em frente ao computador e acessei o site do Projudi certa de que mais uma vez entraria lá para ver nada. Mas adoro viver sem expectativas, pois é aí que as boas notícias acontecem: estava lá o documento redigido pela juíza da nossa comarca confirmando o que nosso coração já sabia - Laura é, enfim, nossa filha legítima.
Eu nem consegui terminar de ler o texto e já caí no choro. Nesse momento, nós três ali diante do computador nos amassamos como uma verdadeira família deve fazer. Laura parecia sentir, pois comemorava feliz da vida nos enchendo de beijos - okey, ela comemora qualquer coisa, mas deixa eu acreditar rs.
Fomos hoje ao cartório da Vara da Infância e Juventude para tomar ciência da sentença. Em dez dias teremos a certidão da Laura em mãos. Nos espaços em branco, terá nossos nomes e dos nossos pais como avós de Laura Ribeiro de Souza Fiorio.
Indescritível.
Tudo começou na quinta-feira passada. Eu havia passado o dia cobrindo evento fora de casa, cheguei exausta, irritada, cheia de trabalhos acumulados. Era 19h quando sentei em frente ao computador e acessei o site do Projudi certa de que mais uma vez entraria lá para ver nada. Mas adoro viver sem expectativas, pois é aí que as boas notícias acontecem: estava lá o documento redigido pela juíza da nossa comarca confirmando o que nosso coração já sabia - Laura é, enfim, nossa filha legítima.
Eu nem consegui terminar de ler o texto e já caí no choro. Nesse momento, nós três ali diante do computador nos amassamos como uma verdadeira família deve fazer. Laura parecia sentir, pois comemorava feliz da vida nos enchendo de beijos - okey, ela comemora qualquer coisa, mas deixa eu acreditar rs.
Fomos hoje ao cartório da Vara da Infância e Juventude para tomar ciência da sentença. Em dez dias teremos a certidão da Laura em mãos. Nos espaços em branco, terá nossos nomes e dos nossos pais como avós de Laura Ribeiro de Souza Fiorio.
Indescritível.
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
A Saga da Adoção - A ponta do arco-íris
Os primeiros dias foram tão turbulentos que nem nos demos conta de que havíamos chegado na ponta do arco-íris. O motivo pelo qual fizemos tudo o que fizemos, pelo qual mudamos de cidade e de estado, mudamos de emprego, caímos e levantamos tantas vezes, enfim estava diante de nossos olhos. E ao contrário do que sempre imaginamos, demoramos para perceber e sentir.
Antes de ter um filho, a gente imagina um tipo de sentimento, de emoção. Achamos que vamos agir assim e assado, que vamos pensar tal coisa e conduzir a situação de determinada forma. Imaginamos que seremos totalmente diferente do que foram nossos pais e que nós sim seremos as precursoras de uma educação revolucionária. Eis que o momento acontece e você se descobre sentindo coisas inimagináveis. As dores do coração doem tão forte que tiram o ar (literalmente). As alegrias não são abobalhadas igual vemos nos filmes. Não! Elas são reais, profundas e não laterais. Elas não podem ser confundidas com euforia ou animação. É completamente o oposto disso. Ao mesmo tempo em que ficamos encantadas, habita hoje em nossas mentes um sentido de responsabilidade.
Pois é, nos tornamos responsáveis por uma vida. O significado dessa frase é indescritível. Afinal, aquela coisa da qual fugimos por boa parte da vida agora invade cada milímetro dela. E gostamos! É com prazer que conversamos, eu e a Cah, sobre os rumos da educação de L. É com absoluto amor e felicidade que impomos limites, mesmo sabendo que ela só vê nossa cara carrancuda e chora injustiçada.
Tenho zilhões de acontecimentos para relatar aqui no tocante aos próximos dias. Mas a data está se distanciando e perco a lembrança dos detalhes. Ao mesmo tempo, fico louca querendo contar sobre tudo o que tem acontecido AQUI E AGORA, antes que esqueça também disso. Resolvi então fazer um resumo sobre o fim do estágio de convivência, que durou ao todo 8 dias.
Depois de tomarmos as rédeas da situação, a confiança veio à galopes. Nos fortalecemos e começamos a entender o que tínhamos que fazer ali. É claro que isso tudo teve um preço: ao invés de recebermos a autorização para ir embora na quarta-feira, tivemos que aguardar mais uns dias.
Na última entrevista com a AS, L. era outra criança. E nós, outras mães. Em poucas horas estávamos com a tão sonhada Guarda Provisória em mãos! E junto com ela uma pilha de documentos para posterior encaminhamento da adoção definitiva (vou fazer um post específico sobre a parte burocrática do processo).
Mesmo assim, saímos de lá com uma sensação de que estávamos sequestrando L. rs Enfim ela iria com a gente, não teria mais AS nenhuma por perto, ninguém de olho dizendo o que podíamos ou não fazer. O estágio foi fundamental, mas não há preço que pague esse alívio que sentimos ao final de uma semana de avaliação constante.
Agora era hora de despedidas. Em uma semana de tantas emoções, compartilhamos nossas almas com pessoas especiais demais e nunca vamos terminar de agradecer. Lore e Lu, vocês mais do que nos hospedaram, vocês nos receberam de verdade. Nós chegamos lá, nos instalamos na casa de vocês, carregamos cada cômodo com nossas angústias, nossos medos e musiquinhas chatas, e vocês ainda tiveram fôlego para nos oferecer o ombro quando mais precisamos. Antes disso, nos conhecíamos muito pouco, mas agora as sentimos tão íntimas e tão próximas que parece que estão aqui do ladinho.
Aliás, esse é o melhor da amizade. Saímos dos braços delas para cair nos de outras duas pessoas excepcionais: Piu e Ceci. Depois de acompanhar de longe todo o fuzuê, suar frio quando tememos desistir de tudo, por fim só havia uma coisa a fazer: a viagem não seria completa se não passássemos em JF para dar aquele abraço apertado. E assim fizemos: exaustas, mas completas, saímos de BH e fomos à Juiz de Fora na sexta à noite.
O tempo que passamos lá foi curtíssimo, mas suficiente para realizarmos um sonho que, confesso, eu não imaginava que se concretizaria com tamanha perfeição: o sol fraco desperta o sábado para que pudéssemos ver L. e Mariah juntas! Nem todo o cansaço do mundo apaga o valor inestimável desse encontro. Por isso agradecemos imensamente a vocês também, nossas queridas amigas que estiveram ao nosso lado nas horas ruins e com as quais temos o prazer de curtir todas conquistas!
No sábado à noite, mais precisamente às 23h30, chegamos em casa com o nosso pote de ouro. A partir daqui, iniciamos uma nova a aventura: a maternidade vivenciada.
Antes de ter um filho, a gente imagina um tipo de sentimento, de emoção. Achamos que vamos agir assim e assado, que vamos pensar tal coisa e conduzir a situação de determinada forma. Imaginamos que seremos totalmente diferente do que foram nossos pais e que nós sim seremos as precursoras de uma educação revolucionária. Eis que o momento acontece e você se descobre sentindo coisas inimagináveis. As dores do coração doem tão forte que tiram o ar (literalmente). As alegrias não são abobalhadas igual vemos nos filmes. Não! Elas são reais, profundas e não laterais. Elas não podem ser confundidas com euforia ou animação. É completamente o oposto disso. Ao mesmo tempo em que ficamos encantadas, habita hoje em nossas mentes um sentido de responsabilidade.
Pois é, nos tornamos responsáveis por uma vida. O significado dessa frase é indescritível. Afinal, aquela coisa da qual fugimos por boa parte da vida agora invade cada milímetro dela. E gostamos! É com prazer que conversamos, eu e a Cah, sobre os rumos da educação de L. É com absoluto amor e felicidade que impomos limites, mesmo sabendo que ela só vê nossa cara carrancuda e chora injustiçada.
Tenho zilhões de acontecimentos para relatar aqui no tocante aos próximos dias. Mas a data está se distanciando e perco a lembrança dos detalhes. Ao mesmo tempo, fico louca querendo contar sobre tudo o que tem acontecido AQUI E AGORA, antes que esqueça também disso. Resolvi então fazer um resumo sobre o fim do estágio de convivência, que durou ao todo 8 dias.
Depois de tomarmos as rédeas da situação, a confiança veio à galopes. Nos fortalecemos e começamos a entender o que tínhamos que fazer ali. É claro que isso tudo teve um preço: ao invés de recebermos a autorização para ir embora na quarta-feira, tivemos que aguardar mais uns dias.
Na última entrevista com a AS, L. era outra criança. E nós, outras mães. Em poucas horas estávamos com a tão sonhada Guarda Provisória em mãos! E junto com ela uma pilha de documentos para posterior encaminhamento da adoção definitiva (vou fazer um post específico sobre a parte burocrática do processo).
Mesmo assim, saímos de lá com uma sensação de que estávamos sequestrando L. rs Enfim ela iria com a gente, não teria mais AS nenhuma por perto, ninguém de olho dizendo o que podíamos ou não fazer. O estágio foi fundamental, mas não há preço que pague esse alívio que sentimos ao final de uma semana de avaliação constante.
Agora era hora de despedidas. Em uma semana de tantas emoções, compartilhamos nossas almas com pessoas especiais demais e nunca vamos terminar de agradecer. Lore e Lu, vocês mais do que nos hospedaram, vocês nos receberam de verdade. Nós chegamos lá, nos instalamos na casa de vocês, carregamos cada cômodo com nossas angústias, nossos medos e musiquinhas chatas, e vocês ainda tiveram fôlego para nos oferecer o ombro quando mais precisamos. Antes disso, nos conhecíamos muito pouco, mas agora as sentimos tão íntimas e tão próximas que parece que estão aqui do ladinho.
Aliás, esse é o melhor da amizade. Saímos dos braços delas para cair nos de outras duas pessoas excepcionais: Piu e Ceci. Depois de acompanhar de longe todo o fuzuê, suar frio quando tememos desistir de tudo, por fim só havia uma coisa a fazer: a viagem não seria completa se não passássemos em JF para dar aquele abraço apertado. E assim fizemos: exaustas, mas completas, saímos de BH e fomos à Juiz de Fora na sexta à noite.
O tempo que passamos lá foi curtíssimo, mas suficiente para realizarmos um sonho que, confesso, eu não imaginava que se concretizaria com tamanha perfeição: o sol fraco desperta o sábado para que pudéssemos ver L. e Mariah juntas! Nem todo o cansaço do mundo apaga o valor inestimável desse encontro. Por isso agradecemos imensamente a vocês também, nossas queridas amigas que estiveram ao nosso lado nas horas ruins e com as quais temos o prazer de curtir todas conquistas!
No sábado à noite, mais precisamente às 23h30, chegamos em casa com o nosso pote de ouro. A partir daqui, iniciamos uma nova a aventura: a maternidade vivenciada.
sábado, 14 de julho de 2012
A saga da adoção - Parte II
Uma das mil coisas que aprendi nessa jornada é que para as coisas acontecerem, é preciso ter o coração e a mente abertos. A bebezinha ficou na minha cabeça por bastante tempo, mas meu coração aceitou que ela não seria nossa e partimos para outra.
Tão logo nos desconectamos dessa história, soube que haviam dois meninos disponíveis para adoção no interior de MG - o S. de 4 anos e o F. de 6. Estavam totalmente fora do nosso perfil do CNA (que é de até duas crianças de 0 a 4 anos), mas nos olhamos e sorrimos: decidimos que sim. Não foram os primeiros a aparecer, nesse meio tempo nos procuraram para falar de um menino de 4 anos, mas ele tinha um problema gravíssimo de saúde, não interagia, não andava, não comia sozinho, não falava. Tivemos que dizer não, e ele continua lá esperando alguém.... Outra vez nos ligaram falando sobre uma menina de 2 anos HIV+, mas a essa altura já estávamos decididas a adotar S. e F.
Entrei em contato com a AS da vara local, pareciam todos muito dispostos a ajudar. Logo obtive o telefone do abrigo onde eles estavam! Passamos a ligar diariamente, cada dia aprendendo um pouco mais sobre nossos meninos. Já sabíamos que S. era muito esperto, aprendia tudo rápido; e F. sabia ler e era inteligente, dedicado. Eram carinhosos, grudadinhos um no outro. Passavam o dia na creche e na escola, voltavam, comiam, tomavam banho e cama. Dia seguinte, escola tudo de novo. Essa era a vidinha dos meus pequenos, e eu ansiava em tirá-los logo de lá.
Tudo estava indo tão bem!! Já contamos para os amigos mais próximos, compartilhamos histórias dos dois, sonhamos com eles em nossas vidas, pesquisamos escolas, buscamos sinais que poderiam provar tudo isso, e encontramos vários. Piu bem sabe disso né? rs Ela, que sempre dizia que adotaríamos dois meninos, que o mais velho teria 6 e o mais novo se chamaria S. Outra amiga, a Célia, que há meses mantém a convicção de que adotaríamos em julho. LOU-CU-RA!!
Mas eles têm uma irmã mais velha, a R. de 12 anos. Por mais que a decisão inicial do juiz era de separá-la deles para facilitar a adoção, a história começou a mudar. A AS dizia que talvez não os separassem, que talvez eu devesse pensar em adotar a menina também.
Não. Isso está errado. Em semanas conseguimos nos sentir culpadas pela situação de 3 crianças que só estão lá até hoje por culpa de uma justiça burra, lenta e sem nenhum interesse no bem-estar da criança. A Cah começou a ficar com medo, eu também. Tivemos dificuldade em conseguir um advogado que não nos enfiasse a faca no estômago para fazer uma simples petição. O medo aumentou. E nossa tristeza também.
Nesse processo conhecemos a Camila, que está adotando uma menina nesta mesma comarca. A situação dela se arrasta há 3 meses e tem previsão de demorar mais. Camila sofre, e nós sofremos junto. Por ela e por nós, por essa muralha gigantesca que se chama justiça brasileira.
Mas toda história pede um final feliz, quem sabe nos próximos capítulos?
Tão logo nos desconectamos dessa história, soube que haviam dois meninos disponíveis para adoção no interior de MG - o S. de 4 anos e o F. de 6. Estavam totalmente fora do nosso perfil do CNA (que é de até duas crianças de 0 a 4 anos), mas nos olhamos e sorrimos: decidimos que sim. Não foram os primeiros a aparecer, nesse meio tempo nos procuraram para falar de um menino de 4 anos, mas ele tinha um problema gravíssimo de saúde, não interagia, não andava, não comia sozinho, não falava. Tivemos que dizer não, e ele continua lá esperando alguém.... Outra vez nos ligaram falando sobre uma menina de 2 anos HIV+, mas a essa altura já estávamos decididas a adotar S. e F.
Entrei em contato com a AS da vara local, pareciam todos muito dispostos a ajudar. Logo obtive o telefone do abrigo onde eles estavam! Passamos a ligar diariamente, cada dia aprendendo um pouco mais sobre nossos meninos. Já sabíamos que S. era muito esperto, aprendia tudo rápido; e F. sabia ler e era inteligente, dedicado. Eram carinhosos, grudadinhos um no outro. Passavam o dia na creche e na escola, voltavam, comiam, tomavam banho e cama. Dia seguinte, escola tudo de novo. Essa era a vidinha dos meus pequenos, e eu ansiava em tirá-los logo de lá.
Tudo estava indo tão bem!! Já contamos para os amigos mais próximos, compartilhamos histórias dos dois, sonhamos com eles em nossas vidas, pesquisamos escolas, buscamos sinais que poderiam provar tudo isso, e encontramos vários. Piu bem sabe disso né? rs Ela, que sempre dizia que adotaríamos dois meninos, que o mais velho teria 6 e o mais novo se chamaria S. Outra amiga, a Célia, que há meses mantém a convicção de que adotaríamos em julho. LOU-CU-RA!!
Mas eles têm uma irmã mais velha, a R. de 12 anos. Por mais que a decisão inicial do juiz era de separá-la deles para facilitar a adoção, a história começou a mudar. A AS dizia que talvez não os separassem, que talvez eu devesse pensar em adotar a menina também.
Não. Isso está errado. Em semanas conseguimos nos sentir culpadas pela situação de 3 crianças que só estão lá até hoje por culpa de uma justiça burra, lenta e sem nenhum interesse no bem-estar da criança. A Cah começou a ficar com medo, eu também. Tivemos dificuldade em conseguir um advogado que não nos enfiasse a faca no estômago para fazer uma simples petição. O medo aumentou. E nossa tristeza também.
Nesse processo conhecemos a Camila, que está adotando uma menina nesta mesma comarca. A situação dela se arrasta há 3 meses e tem previsão de demorar mais. Camila sofre, e nós sofremos junto. Por ela e por nós, por essa muralha gigantesca que se chama justiça brasileira.
Mas toda história pede um final feliz, quem sabe nos próximos capítulos?
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Dia Nacional da Adoção e seus clichês
Com a esposa em casa eu fico meio fora do ar, trabalho até mais tarde, acordo mais tarde, uma bagunça. Hoje escorreguei pra fora da cama só lá pelas 8h e pouco, em tempo de ligar a TV e acompanhar a matéria sobre o Dia Nacional da Adoção - que no caso é hoje.
Eu sempre assisto e leio essas reportagens, mas confesso que o discurso mergulhado em clichês me entedia. Toda vez é a mesma ladainha, as crianças se acumulam nos abrigos, os adotantes se acumulam na fila e a culpa é sempre do perfil. É bem verdade que as pessoas continuam querendo sim crianças menores, insistem em fazer distinção de etnias, não querem ter problemas com doenças, etc. Mas convenhamos, estamos fartos de saber que a MAIOR responsável por essa situação lamentável é a nossa querida justiça cega, manca, surda e autista.
Para "comemorar" o dia da adoção, eu deixo aqui o link de uma matéria que eu fiz para a Revista Contato (aquela que comentei aqui) do Conselho Regional de Psicologia do Paraná, onde trabalho. Lá eu falo sobre a espera, sobre o papel do Psicólogo e sua relevância no processo, blá blá blá. Então, a quem interessar possa: http://www.crppr.org.br/revista/contato.php?edicao=81
Eu sempre assisto e leio essas reportagens, mas confesso que o discurso mergulhado em clichês me entedia. Toda vez é a mesma ladainha, as crianças se acumulam nos abrigos, os adotantes se acumulam na fila e a culpa é sempre do perfil. É bem verdade que as pessoas continuam querendo sim crianças menores, insistem em fazer distinção de etnias, não querem ter problemas com doenças, etc. Mas convenhamos, estamos fartos de saber que a MAIOR responsável por essa situação lamentável é a nossa querida justiça cega, manca, surda e autista.
Para "comemorar" o dia da adoção, eu deixo aqui o link de uma matéria que eu fiz para a Revista Contato (aquela que comentei aqui) do Conselho Regional de Psicologia do Paraná, onde trabalho. Lá eu falo sobre a espera, sobre o papel do Psicólogo e sua relevância no processo, blá blá blá. Então, a quem interessar possa: http://www.crppr.org.br/revista/contato.php?edicao=81
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Habilitadas!
Vocês lembram que comentei no outro post que a juíza estava de férias e só daria a sentença no final do mês? Pois bem, hoje, 96 dias após nossa inscrição no Processo de Adoção saiu a sentença.... estamos HABILITADAS!!!
A tal juíza está ainda de férias, mas quem deu a sentença foi uma juíza substituta. O processo em São José dos Pinhais foi incrível: rápido, fácil, acessível... Fomos respeitadas enquanto casal homoafetivo, não encontramos barreiras do início ao fim! Gentes, estou grávida, nem acredito!!
Ontem a Camila fez uma cirurgia, fiquei o dia inteiro angustiada no hospital. Hoje mais um dia de correria, ela recebeu alta mas precisa de acompanhamento 100%, eu sempre igual a uma pata seguindo-a por todo o canto da casa rss Ao mesmo tempo, trabalho acumulando e internet querendo cair... Nunca imaginei que receberia essa notícia num dia calamitoso desses. Minha felicidade agora já não cabe no meu coração.
Bem, aguardo a chamada da juíza para receber a sentença pessoalmente. Um beijo a todas!
A tal juíza está ainda de férias, mas quem deu a sentença foi uma juíza substituta. O processo em São José dos Pinhais foi incrível: rápido, fácil, acessível... Fomos respeitadas enquanto casal homoafetivo, não encontramos barreiras do início ao fim! Gentes, estou grávida, nem acredito!!
Ontem a Camila fez uma cirurgia, fiquei o dia inteiro angustiada no hospital. Hoje mais um dia de correria, ela recebeu alta mas precisa de acompanhamento 100%, eu sempre igual a uma pata seguindo-a por todo o canto da casa rss Ao mesmo tempo, trabalho acumulando e internet querendo cair... Nunca imaginei que receberia essa notícia num dia calamitoso desses. Minha felicidade agora já não cabe no meu coração.
Bem, aguardo a chamada da juíza para receber a sentença pessoalmente. Um beijo a todas!
terça-feira, 8 de maio de 2012
Bendita pulga!
Ontem acordei com uma pulga atrás da orelha. Ok, não vou negar que não há um dia sequer nessa vida que eu não pense uns instantes sobre o processo de adoção, sobre a FIV... Mas ontem foi diferente, já pulei da cama encasquetada, com o coração lá nos meus filhos. Tomei café fazendo as contas de quanto tempo ainda faltava para agosto, pensando em tudo o que poderíamos fazer para matar esse tempo sem tanta ansiedade... E assim esse assunto ficou, tal qual uma nuvem sobre a minha cabeça.
Lá pela metade da manhã, liga uma colega de trabalho contando que a filha de uma amiga sua havia chegado. Uma menina de 1 ano e meio por meio da adoção. Palavras dela: "Viu Vivi, a fila está andando! Logo logo chega a sua vez". Pronto. E eu que me irrito comigo mesma por entrar diariamente no site do TJ para constatar que meu processo já chega ao 87º dia sem novidades desde a entrevista, me vi diante do computador acessando novamente. A cabeça se dividia entre "Entra que hoje tem novidade!" e "Ih vai ser a mesma coisa de sexta passada, quinta, quarta.... não adianta nem entrar". E lá estava a pulga: já foram emitidos os dois pareceres favoráveis à nossa habilitação!! Imaginem um ser quase chorando só de ler isso rs
Estava anexado ao nosso processo o parecer da Assistente Social, linda e querida que nos descreveu praticamente como o casal modelo 2012, e também o da Procuradora da Justiça, com outro simpático e empolgante relato! Eis alguns trechos:
"Observamos que o casal costuma tomar suas decisões com planejamento e organização e em comum acordo. A adoção faz parte dos planos da família e demonstram que estão no momento ideal para serem mães. Face ao exposto, concluímos que as requerentes estão aptas para a acolher uma ou duas crianças em adoção."
"Em estudo social realizado nos autos, as requerentes alegam que o fato de formarem um casal homoafetivo não irá criar dificuldades para cuidarem de seus filhos, uma vez que possuem o total apoio da família, bem como são aceitas por todas as pessoas da convivência."
"O estudo informa que as requerentes participaram da entrevista de forma aberta e dispostas a revelar a convivência estável e estruturada estabelecida, assim como a motivação positiva que possuem para adotar. Conclui que as requerentes estão preparadas e possuem disponibilidade afetiva para adotar uma ou duas crianças."
Imediatamente mandei e-mail para a Assistente Social, queria saber o que faltava agora para concluir nossa habilitação. Ela disse que a juíza está de férias (fué fué fuééé), mas que retornará no fim do mês e então dará a sentença. Envolvidas com a compra da casa, mudança e etc, maio precisa voar!
Nota mental: confiar no sexto sentido é recompensador, continue assim.
Lá pela metade da manhã, liga uma colega de trabalho contando que a filha de uma amiga sua havia chegado. Uma menina de 1 ano e meio por meio da adoção. Palavras dela: "Viu Vivi, a fila está andando! Logo logo chega a sua vez". Pronto. E eu que me irrito comigo mesma por entrar diariamente no site do TJ para constatar que meu processo já chega ao 87º dia sem novidades desde a entrevista, me vi diante do computador acessando novamente. A cabeça se dividia entre "Entra que hoje tem novidade!" e "Ih vai ser a mesma coisa de sexta passada, quinta, quarta.... não adianta nem entrar". E lá estava a pulga: já foram emitidos os dois pareceres favoráveis à nossa habilitação!! Imaginem um ser quase chorando só de ler isso rs
Estava anexado ao nosso processo o parecer da Assistente Social, linda e querida que nos descreveu praticamente como o casal modelo 2012, e também o da Procuradora da Justiça, com outro simpático e empolgante relato! Eis alguns trechos:
"Observamos que o casal costuma tomar suas decisões com planejamento e organização e em comum acordo. A adoção faz parte dos planos da família e demonstram que estão no momento ideal para serem mães. Face ao exposto, concluímos que as requerentes estão aptas para a acolher uma ou duas crianças em adoção."
"Em estudo social realizado nos autos, as requerentes alegam que o fato de formarem um casal homoafetivo não irá criar dificuldades para cuidarem de seus filhos, uma vez que possuem o total apoio da família, bem como são aceitas por todas as pessoas da convivência."
"O estudo informa que as requerentes participaram da entrevista de forma aberta e dispostas a revelar a convivência estável e estruturada estabelecida, assim como a motivação positiva que possuem para adotar. Conclui que as requerentes estão preparadas e possuem disponibilidade afetiva para adotar uma ou duas crianças."
Imediatamente mandei e-mail para a Assistente Social, queria saber o que faltava agora para concluir nossa habilitação. Ela disse que a juíza está de férias (fué fué fuééé), mas que retornará no fim do mês e então dará a sentença. Envolvidas com a compra da casa, mudança e etc, maio precisa voar!
Nota mental: confiar no sexto sentido é recompensador, continue assim.
quarta-feira, 25 de abril de 2012
A ordem dos fatores
Quem acompanhou o blog desde o início sabe que eu e a esposa tínhamos uma lista bem virginiana a seguir. E também sabe que determinados acontecimentos atravessaram essa lista sem piedade fazendo de tudo o que planejamos uma grande bagunça. Foi quando pedimos nossa carta de alforria e decidimos seguir a vida como a vida se apresenta. O curioso é que percebemos que, com ou sem lista, as coisas foram acontecendo, cada uma no seu tempo e com suas surpresas, por isso resolvi que era hora de fazer um balanço.
- Parei de fumar (11 meses)
- Aprendi a dormir 7 a 8 horas por noite
- Voltei a ler - mesmo que devagar
- Reduzi (um pouco) o ritmo de trabalho
- Não trabalho mais aos sábados e domingos (salvo exceções)
- Conseguimos acertar o despertador e acordar sem grandes atrasos
- Começamos a tomar café da manhã com frutas TODOS OS DIAS (a maior vitória)
- Estamos aprendendo a acabar com as discussões cada vez mais rápido
- Tiramos dois dias de folga e assistimos ao por-do-sol na praia
- Adequamos a alimentação da Cah (explico lá embaixo)
- Agora a super conquista: compramos nossa tão sonhada casa (!!!)
O filho ainda não veio, mas sinto que esse tempo foi crucial para que nós amadurecêssemos como casal e também individualmente. Ter um filho vai além do desejo de ser mãe, é preciso encontrar espaço em nossas vidas, adequar as coisas, melhorar os hábitos, etc.
Amanhã vamos buscar a chave da casa nova e então contamos 30 dias para a mudança. Nesse meio tempo, a Camila vai fazer uma cirurgia, o que me deixa um tanto quanto nervosa rs Acontece que depois de tantas idas e vindas aos médicos, ela descobriu que tem intolerância à lactose e também alergia ao leite. Como ela nunca soube disso, passou a vida consumindo algo que, para o corpo dela, era veneno. Resultado: provocou uma inflamação enorme entre o estômago e o esôfago e vai ter que operar. O médico fala que é um procedimento de rotina. Rotina para ele né bem?
Agora a correria é imensa, o que é bom, já que o processo de adoção chega ao 74º dia completamente às moscas. Falando nisso, a matéria para a revista do Conselho ainda não saiu, depois deixo o link aqui.
- Parei de fumar (11 meses)
- Aprendi a dormir 7 a 8 horas por noite
- Voltei a ler - mesmo que devagar
- Reduzi (um pouco) o ritmo de trabalho
- Não trabalho mais aos sábados e domingos (salvo exceções)
- Conseguimos acertar o despertador e acordar sem grandes atrasos
- Começamos a tomar café da manhã com frutas TODOS OS DIAS (a maior vitória)
- Estamos aprendendo a acabar com as discussões cada vez mais rápido
- Tiramos dois dias de folga e assistimos ao por-do-sol na praia
- Adequamos a alimentação da Cah (explico lá embaixo)
- Agora a super conquista: compramos nossa tão sonhada casa (!!!)
O filho ainda não veio, mas sinto que esse tempo foi crucial para que nós amadurecêssemos como casal e também individualmente. Ter um filho vai além do desejo de ser mãe, é preciso encontrar espaço em nossas vidas, adequar as coisas, melhorar os hábitos, etc.
Amanhã vamos buscar a chave da casa nova e então contamos 30 dias para a mudança. Nesse meio tempo, a Camila vai fazer uma cirurgia, o que me deixa um tanto quanto nervosa rs Acontece que depois de tantas idas e vindas aos médicos, ela descobriu que tem intolerância à lactose e também alergia ao leite. Como ela nunca soube disso, passou a vida consumindo algo que, para o corpo dela, era veneno. Resultado: provocou uma inflamação enorme entre o estômago e o esôfago e vai ter que operar. O médico fala que é um procedimento de rotina. Rotina para ele né bem?
Agora a correria é imensa, o que é bom, já que o processo de adoção chega ao 74º dia completamente às moscas. Falando nisso, a matéria para a revista do Conselho ainda não saiu, depois deixo o link aqui.
sexta-feira, 13 de abril de 2012
O lado ruim
Nem todos aqui sabem, mas um dos meus trabalhos é escrever para a revista do Conselho Regional de Psicologia aqui do Paraná. A publicação é bimestral e sempre traz discussões relevantes sobre temas que estão na mídia, mas com o ponto de vista do psicólogo. A próxima edição será publicada em maio/junho, época em que acontece o ENAPA - Encontro Nacional dos Grupos de Apoio à Adoção. Aproveitei, portanto, para fazer uma matéria especial sobre o assunto.
Para tal, conversei com diversas fontes, incluindo uma psicóloga que trabalha há muitos anos no MP do Paraná, especificamente nesta área. A cada minuto de conversa, meu lado profissional ficava mais satisfeito e meu lado pessoal mais angustiado. Concluí a entrevista convicta de que meus filhos vão demorar - e muito - para chegar. E não porque eu escolhi um perfil específico, é bem aberto até, mas porque simplesmente não existe quase nenhum interesse por parte da lei em fazer essa relação acontecer.
Foi angustiante constatar que a justiça está invadindo a vida privada sem dó, padronizando uma sociedade com leis absurdamente burras e o resultado disso é: crianças mofando nos abrigos completamente abandonadas pelo Estado e casais iludidos esperando em uma fila inacreditavelmente imensa, tendo que confiar na justiça porque, afinal, que outro jeito?
Respostas que ouvi: "Não, o CNA não funciona como deveria. Quem está inscrito em Curitiba, não vai ser chamado na Bahia"; "O processo de destituição do pátrio poder leva no mínimo um ano - durante esse tempo fica-se tentando achar familiares que queiram a criança - levando em consideração que existem muito mais crianças abrigadas do que profissionais trabalhando por elas, esse UM ANO vira facilmente 2, 3, 4 anos"; "A adoção é o fim da linha, a exceção. Algumas crianças simplesmente não vão a lugar algum por determinação da justiça"; "Não importa mais se você abre ou fecha o perfil, a fila existe e está atrasadíssima"; "Muitos finais felizes só acontecem porque existem profissionais interessados em fazer a diferença, se depender simplesmente das leis e do sistema, a coisa realmente não anda".
É claro que ouvi MUITO MAIS e não vou relatar tudo aqui. Cheguei em casa exausta, triste, desanimada. Saber de tudo isso da boca de alguém que está a vida inteira trabalhando por essas crianças é doloroso, me faz pensar que meus filhos nunca virão.
Quando a revista for publicada eu passo a matéria pra vcs.
Para tal, conversei com diversas fontes, incluindo uma psicóloga que trabalha há muitos anos no MP do Paraná, especificamente nesta área. A cada minuto de conversa, meu lado profissional ficava mais satisfeito e meu lado pessoal mais angustiado. Concluí a entrevista convicta de que meus filhos vão demorar - e muito - para chegar. E não porque eu escolhi um perfil específico, é bem aberto até, mas porque simplesmente não existe quase nenhum interesse por parte da lei em fazer essa relação acontecer.
Foi angustiante constatar que a justiça está invadindo a vida privada sem dó, padronizando uma sociedade com leis absurdamente burras e o resultado disso é: crianças mofando nos abrigos completamente abandonadas pelo Estado e casais iludidos esperando em uma fila inacreditavelmente imensa, tendo que confiar na justiça porque, afinal, que outro jeito?
Respostas que ouvi: "Não, o CNA não funciona como deveria. Quem está inscrito em Curitiba, não vai ser chamado na Bahia"; "O processo de destituição do pátrio poder leva no mínimo um ano - durante esse tempo fica-se tentando achar familiares que queiram a criança - levando em consideração que existem muito mais crianças abrigadas do que profissionais trabalhando por elas, esse UM ANO vira facilmente 2, 3, 4 anos"; "A adoção é o fim da linha, a exceção. Algumas crianças simplesmente não vão a lugar algum por determinação da justiça"; "Não importa mais se você abre ou fecha o perfil, a fila existe e está atrasadíssima"; "Muitos finais felizes só acontecem porque existem profissionais interessados em fazer a diferença, se depender simplesmente das leis e do sistema, a coisa realmente não anda".
É claro que ouvi MUITO MAIS e não vou relatar tudo aqui. Cheguei em casa exausta, triste, desanimada. Saber de tudo isso da boca de alguém que está a vida inteira trabalhando por essas crianças é doloroso, me faz pensar que meus filhos nunca virão.
Quando a revista for publicada eu passo a matéria pra vcs.
sexta-feira, 30 de março de 2012
Finalmente, chegou o dia da entrevista
Ontem foi o tão aguardado dia da entrevista. Estávamos num estado de ansiedade tão grande que na última meia hora de espera já nos encontrávamos lá, sentadinhas de frente para a sala da equipe técnica tendo crises de riso. Nos arrumamos, passamos lápis no olho, batom, ajeitamos o cabelo, lemos e relemos tudo o que escrevemos em nossos questionários. Um nervosismo só!
Até que a assistente social nos chamou. Não conhecemos nenhuma psicóloga, e pelo que entendemos não terá outra entrevista. Foi só isso mesmo: eu, a Cah e ela. Não fiquei muito à vontade, mas talvez por minha própria tensão, afinal tudo correu muito bem.
Ela fez perguntas sobre nosso relacionamento, sobre quando nos casamos, como é a relação, o que gostamos de fazer nos dias de folga, como é o nosso trabalho, como sentimos uma na outra essa vontade de ser mãe, quando surgiu o desejo de adotar, etc. Senti que não caiu muito bem a história de continuarmos querendo engravidar, o que me surpreendeu. Afinal, estamos dispostas e sabemos que temos condições de ter mais de um filho, pq o desejo de engravidar da Cah poderia atrapalhar em algo?
Bem, quando acabaram as perguntas dela, começamos as nossas rs Não foi muito animador: ela disse que atualmente não tem nenhuma criança disponível para adoção em São José e que eles estão fazendo pouquíssimas adoções. Comentou que no ano passado finalizaram apenas cinco adoções e que estão ainda chamando famílias de 2007 e 2008 neste ano!!! Apavorante.
Ou seja, o tempo de espera vai ser mesmo LONGOOOO independente de termos um perfil mais aberto.
Outra coisa irritante: lembram que comentei no post anterior sobre o parecer da juíza sair só em julho?? Pois para nós ela falou que seria em agosto. Meses de espera por um "habilitadas". Ela disse que tem uma pilha de processos a serem analisados no Ministério Público e por isso tanta demora. Pra gente que até agora fez tudo tão rapidinho, ficar esperando a resposta vai ser angustiante.
Ai ai... Agora tenho que descobrir como vou fazer para preencher esse tempo que começa a se arrastar. Saímos da entrevista, que durou pouco mais de duas horas, e nos sentimos esgotadas. Eu estava cheia de trabalho, mas quando cheguei em casa só consegui desmaiar na cama, energia zero. Não sabemos ainda o que pensar disso tudo, nos achamos chatas, repetitivas, neuróticas, mas talvez tenha sido só impressão, afinal ela comentou que o parecer dela será favorável para nós, pois não encontrou nada "errado".
Até que a assistente social nos chamou. Não conhecemos nenhuma psicóloga, e pelo que entendemos não terá outra entrevista. Foi só isso mesmo: eu, a Cah e ela. Não fiquei muito à vontade, mas talvez por minha própria tensão, afinal tudo correu muito bem.
Ela fez perguntas sobre nosso relacionamento, sobre quando nos casamos, como é a relação, o que gostamos de fazer nos dias de folga, como é o nosso trabalho, como sentimos uma na outra essa vontade de ser mãe, quando surgiu o desejo de adotar, etc. Senti que não caiu muito bem a história de continuarmos querendo engravidar, o que me surpreendeu. Afinal, estamos dispostas e sabemos que temos condições de ter mais de um filho, pq o desejo de engravidar da Cah poderia atrapalhar em algo?
Bem, quando acabaram as perguntas dela, começamos as nossas rs Não foi muito animador: ela disse que atualmente não tem nenhuma criança disponível para adoção em São José e que eles estão fazendo pouquíssimas adoções. Comentou que no ano passado finalizaram apenas cinco adoções e que estão ainda chamando famílias de 2007 e 2008 neste ano!!! Apavorante.
Ou seja, o tempo de espera vai ser mesmo LONGOOOO independente de termos um perfil mais aberto.
Outra coisa irritante: lembram que comentei no post anterior sobre o parecer da juíza sair só em julho?? Pois para nós ela falou que seria em agosto. Meses de espera por um "habilitadas". Ela disse que tem uma pilha de processos a serem analisados no Ministério Público e por isso tanta demora. Pra gente que até agora fez tudo tão rapidinho, ficar esperando a resposta vai ser angustiante.
Ai ai... Agora tenho que descobrir como vou fazer para preencher esse tempo que começa a se arrastar. Saímos da entrevista, que durou pouco mais de duas horas, e nos sentimos esgotadas. Eu estava cheia de trabalho, mas quando cheguei em casa só consegui desmaiar na cama, energia zero. Não sabemos ainda o que pensar disso tudo, nos achamos chatas, repetitivas, neuróticas, mas talvez tenha sido só impressão, afinal ela comentou que o parecer dela será favorável para nós, pois não encontrou nada "errado".
domingo, 25 de março de 2012
Terceiro Encontro - Projeto Romã
É impressionante o que somos capazes de fazer por uma declaração de 100% de aproveitamento do curso. O terceiro encontro, que era o que eu mais aguardava já que o tema era deveras interessante, no fim foi frustrante e altamente tedioso.
A psicóloga que deu o curso sábado era simpática, pobrezinha. Realmente ela estava se esforçando para fazer aquilo tudo funcionar, só que acho que o esforço estava indo para o lado errado. Para começar, acho que ficamos praticamente uma hora naquele silêncio constrangedor cada vez que ela perguntava "o que vocês esperam? vamos pessoal participem, me contem sobre o que vocês pensam sobre isso e aquilo". Me senti na escola, quando a professora quer ouvir "o que os alunos acham" e NINGUÉM está disposto a falar.
Não satisfeita, ela seguiu encontro adentro nessa linha professoril. Aquilo foi causando uma irritação tão grande que foi preciso um esforço sobrenatural para me manter presa à cadeira. E assim se arrastou a manhã do dia 24. Passamos mais de uma hora falando sobre "contar ou não contar que o filho é adotivo", assunto que, da minha parte, é mais do que desnecessário. É antiquado e novelesco.
Também passamos um bom tempo divagando sobre o sentimento de adotar e sobre o que uma criança pode sentir ao chegar em um novo lar. Novidades zero. Em dado momento, já nos reuníamos em pequenos grupos de fofoca, todos ficaram desanimados com a fraquíssima exploração do assunto (não sou a única ranzinza ok? rs).
No final, preenchemos um questionário sobre o curso e recebemos o certificado de participação. Agora temos que levar o documento até o fórum para que eles o anexem ao processo.
Bem, como minha expectativa sobre o último encontro foi brutalmente assassinada, agora aguardo ansiosa pela entrevista na quinta-feira. Detalhe: pelo que percebi no sábado, nós ficamos para o final da fila da assistente social, visto que a maioria dos casais foi entrevistado na semana passada. Tentei sondar o pessoal e acabei ouvindo uma coisa que não gostei: parece que o "habilitados" será dado apenas lá pelo mês de julho.
Julho?? Humpf.
A psicóloga que deu o curso sábado era simpática, pobrezinha. Realmente ela estava se esforçando para fazer aquilo tudo funcionar, só que acho que o esforço estava indo para o lado errado. Para começar, acho que ficamos praticamente uma hora naquele silêncio constrangedor cada vez que ela perguntava "o que vocês esperam? vamos pessoal participem, me contem sobre o que vocês pensam sobre isso e aquilo". Me senti na escola, quando a professora quer ouvir "o que os alunos acham" e NINGUÉM está disposto a falar.
Não satisfeita, ela seguiu encontro adentro nessa linha professoril. Aquilo foi causando uma irritação tão grande que foi preciso um esforço sobrenatural para me manter presa à cadeira. E assim se arrastou a manhã do dia 24. Passamos mais de uma hora falando sobre "contar ou não contar que o filho é adotivo", assunto que, da minha parte, é mais do que desnecessário. É antiquado e novelesco.
Também passamos um bom tempo divagando sobre o sentimento de adotar e sobre o que uma criança pode sentir ao chegar em um novo lar. Novidades zero. Em dado momento, já nos reuníamos em pequenos grupos de fofoca, todos ficaram desanimados com a fraquíssima exploração do assunto (não sou a única ranzinza ok? rs).
No final, preenchemos um questionário sobre o curso e recebemos o certificado de participação. Agora temos que levar o documento até o fórum para que eles o anexem ao processo.
Bem, como minha expectativa sobre o último encontro foi brutalmente assassinada, agora aguardo ansiosa pela entrevista na quinta-feira. Detalhe: pelo que percebi no sábado, nós ficamos para o final da fila da assistente social, visto que a maioria dos casais foi entrevistado na semana passada. Tentei sondar o pessoal e acabei ouvindo uma coisa que não gostei: parece que o "habilitados" será dado apenas lá pelo mês de julho.
Julho?? Humpf.
segunda-feira, 19 de março de 2012
Empurrando com a barriga
Eu sempre tive o péssimo defeito de empurrar tudo com a barriga. Meu lema é "por que fazer hoje o que podemos fazer amanhã?". Não satisfeita, ainda reforço: "por que fazer amanhã se a gente pode dar uma enroladinha e concluir tudo depois de amanhã bem cedinho?".
Mas antes que alguém jogue pedras, aviso: não é nada fácil ser assim! Não é uma decisão, é algo como uma bactéria agarrada aos meus neurônios que vai se multiplicando na medida em que os anos passam, tornando cada vez mais difícil essa arte de concluir uma tarefa.
Pois o destino, se fosse uma pessoa, trabalharia no elenco de Zorra Total, tão imenso é seu senso de humor canastrão. Acontece que nossa entrevista com a assistente social da Vara da Infância, que estava marcada para o dia 28 de março, foi remarcada para 29. Enquanto isso, a consulta na Androlab sobre o cadastro de ovodoadora que estava marcada para amanhã, dia 20, foi remarcada para o dia 22.
Isso é um teste?
Mas antes que alguém jogue pedras, aviso: não é nada fácil ser assim! Não é uma decisão, é algo como uma bactéria agarrada aos meus neurônios que vai se multiplicando na medida em que os anos passam, tornando cada vez mais difícil essa arte de concluir uma tarefa.
Pois o destino, se fosse uma pessoa, trabalharia no elenco de Zorra Total, tão imenso é seu senso de humor canastrão. Acontece que nossa entrevista com a assistente social da Vara da Infância, que estava marcada para o dia 28 de março, foi remarcada para 29. Enquanto isso, a consulta na Androlab sobre o cadastro de ovodoadora que estava marcada para amanhã, dia 20, foi remarcada para o dia 22.
Isso é um teste?
segunda-feira, 12 de março de 2012
Segundo encontro - Projeto Romã
O segundo encontro foi, de longe, muito mais interessante e útil que o primeiro. O palestrante da vez foi o advogado José Carlos Marinho, presidente e fundador do Projeto Romã. Ele levou a família toda - a esposa e as duas filhinhas adotivas.
Começaram contando a história das duas adoções. Apesar de eles não serem do tipo emocionais - contaram de forma bastante simples como tudo aconteceu - eu estava no topo da minha TPM, então era só ouvir a palavra ADOÇÃO e já enchia os olhos de lágrima rs Ridículo.
Depois dessa parte, o Marinho passou os olhos pela Lei da Adoção e falou sobre algumas questões interessantes:
- Embora ainda insistem em culpar os adotantes pela demora nos processos, a justiça é sim a grande culpada, uma vez que a família substituta (ou seja, nós, pretendentes à adoção) somos a exceção na lei. Antes de disponibilizar a criança para a adoção, a justiça tentará reintegrá-la à família biológica e extensa até a exaustão. Em suma, se a criança tem uma prima distante que mora lá no Acre, ela tem preferência sobre você que deseja tanto ter uma família. Acho que não tem ninguém no mundo em sã consciência que concorda com essa lei né?
- A última ementa da lei definiu que esse processo de destituição do poder familiar não pode ultrapassar 2 anos. Quem aqui acredita que isso seja respeitado?
- Crianças abandonadas no hospital são encaminhadas para o fórum. Ou seja, as mães que não têm coragem de entregar seus filhos à adoção acabam atrasando ainda mais o processo, pois a destituição do poder familiar é dada rapidamente quando a gestante procura diretamente o fórum e entrega seu filho (mesmo que ainda na barriga).
- A adoção direta não é mais aceita, embora aconteça bastante. Um casal que adotou uma criança diretamente da mãe corre risco real de perder a guarda do bebê. O indicado sempre nessas horas é que o casal não tente legalizar a situação nos primeiros 5 anos, pois depois disso o juiz pode conceder a adoção ao constatar que já foi estabelecido um laço de afinidade e afetividade na família. Porém, alguns juízes consideram que essa é uma atitude de má-fé, uma vez que a lei já é de conhecimento de todos. Nesse caso, a criança é retirada do lar adotivo e aguardará o processo no abrigo.
- O Marinho não tem nenhum acesso facilitado ao fórum, mas tinha proximidade com a juíza anterior. Comentou que esteve com a nova juíza (aquela que cuida do nosso caso) e não sentiu nenhum coração pulsando ali: "não esperem sentimentalismo da justiça, essa juíza é uma aplicadora de leis apenas", avisou.
- O número de pessoas que se habilitam à adoção de crianças com até 3 anos chega a 60% em São José dos Pinhais. Do nosso perfil, até 4 anos, esse número baixa para menos de 20%. Isso sem contar as outras definições do perfil.
Bom, agora falta o encontro com a psicóloga no dia 24. Se alguém encontrar o tempo por aí, mande um recadinho: estamos com pressa, muita pressa!
Começaram contando a história das duas adoções. Apesar de eles não serem do tipo emocionais - contaram de forma bastante simples como tudo aconteceu - eu estava no topo da minha TPM, então era só ouvir a palavra ADOÇÃO e já enchia os olhos de lágrima rs Ridículo.
Depois dessa parte, o Marinho passou os olhos pela Lei da Adoção e falou sobre algumas questões interessantes:
- Embora ainda insistem em culpar os adotantes pela demora nos processos, a justiça é sim a grande culpada, uma vez que a família substituta (ou seja, nós, pretendentes à adoção) somos a exceção na lei. Antes de disponibilizar a criança para a adoção, a justiça tentará reintegrá-la à família biológica e extensa até a exaustão. Em suma, se a criança tem uma prima distante que mora lá no Acre, ela tem preferência sobre você que deseja tanto ter uma família. Acho que não tem ninguém no mundo em sã consciência que concorda com essa lei né?
- A última ementa da lei definiu que esse processo de destituição do poder familiar não pode ultrapassar 2 anos. Quem aqui acredita que isso seja respeitado?
- Crianças abandonadas no hospital são encaminhadas para o fórum. Ou seja, as mães que não têm coragem de entregar seus filhos à adoção acabam atrasando ainda mais o processo, pois a destituição do poder familiar é dada rapidamente quando a gestante procura diretamente o fórum e entrega seu filho (mesmo que ainda na barriga).
- A adoção direta não é mais aceita, embora aconteça bastante. Um casal que adotou uma criança diretamente da mãe corre risco real de perder a guarda do bebê. O indicado sempre nessas horas é que o casal não tente legalizar a situação nos primeiros 5 anos, pois depois disso o juiz pode conceder a adoção ao constatar que já foi estabelecido um laço de afinidade e afetividade na família. Porém, alguns juízes consideram que essa é uma atitude de má-fé, uma vez que a lei já é de conhecimento de todos. Nesse caso, a criança é retirada do lar adotivo e aguardará o processo no abrigo.
- O Marinho não tem nenhum acesso facilitado ao fórum, mas tinha proximidade com a juíza anterior. Comentou que esteve com a nova juíza (aquela que cuida do nosso caso) e não sentiu nenhum coração pulsando ali: "não esperem sentimentalismo da justiça, essa juíza é uma aplicadora de leis apenas", avisou.
- O número de pessoas que se habilitam à adoção de crianças com até 3 anos chega a 60% em São José dos Pinhais. Do nosso perfil, até 4 anos, esse número baixa para menos de 20%. Isso sem contar as outras definições do perfil.
Bom, agora falta o encontro com a psicóloga no dia 24. Se alguém encontrar o tempo por aí, mande um recadinho: estamos com pressa, muita pressa!
segunda-feira, 5 de março de 2012
Primeiro encontro - Projeto Romã
Sexta-feira, 18h45 eu e a Cah já estávamos com crachá no peito e certa ansiedade. O curso para pretendentes à adoção é promovido pelo Projeto Romã, uma ONG que atua em parceria com a Vara da Infância de São José dos Pinhais. Estávamos em uma sala de aula, as carteiras dispostas ao lado umas das outras. Me senti como se estivesse na escola.
Ao todo éramos 10 casais e dois solteiros. Desses 10, dois vieram com seus filhos, só eu e a Camila de casal homo.
Uma mulher começou explicando a coisa toda, contando um pouco sobre a história dela de adoção, blablabla. Eu já estava revirando os olhos de tédio, aquilo tudo parecia inútil demais, chato e pedante, isso sem falar no fortíssimo apelo religioso (até distribuíram alguns trechos da Bíblia... oi?). Fiquei super implicante, vi erros grosseiros, como por exemplo a definição de "adoção homem afetiva" (uhg!!). Enfim, teve um intervalo e eu só não saí correndo nessa hora porque a Camila me segurou firme rs
Na volta: bem agora vamos fazer uma dinâmica!! Gelei. Caramba, se tem algo que eu odeio na vida é dinâmica. Não tinha mais nenhum pingo de ânimo, não queria saber de interagir com ninguém, só queria ir embora. Pediram então pra gente formar grupos e contar uns para os outros por que queremos adotar. Eu pensei "aff que idiota", mas vamos lá né? Ficamos em um grupo com outros dois casais mais ou menos da nossa idade, todos pouco à vontade com essa situação. Eis que uma das mulheres começa a contar a história dela e rolou uma identificação instantânea: adorei o casal. O outro casal, muito sofrido, trazia uma realidade da qual tenho pavor: eles adotaram uma criança 1 ano e meio atrás direto com a mãe biológica e entraram com processo para legalizar a adoção. Depois de 8 meses com a bebezinha em casa, o juiz tirou a criança do casal e a levou para o abrigo. Agora eles estão fazendo todo o processo para tentar trazê-la de volta. Que tristeza!! Não podem visitá-la, não podem ver a menina. O juiz está relutante e insiste em tentar reintegrar a criança ao convívio da família biológica - que não a quer de jeito nenhum. Comoção geral pela história dos dois...
Ao final desse passo, cada casal apresentou aos demais a história do colega de grupo. Fiquei surpresa em descobrir quantas histórias diferentes podem existir por um mesmo objetivo. E mais surpresa ainda ao constatar que muitas pessoas estão abertas à adoção tardia, ou sem tantas restrições. Apenas um casal quer menina. Dois casais querem um bebê de até 1 ano, mas a maioria está aberta para crianças maiores, com até 4 anos (como nós), 7, 10 ou adolescentes. Grupos de irmãos também são aceitos pela maioria e apenas um casal falou sobre a etnia, pois eles fazem questão de adotar uma criança negra.
Clichês derrubados, recebemos um questionário para responder em casa sobre o perfil da criança e nossos planos sobre a adoção. O próximo encontro, no sábado, falara sobre as implicações psicológicas na adoção e o último, dia 24, aborda as questões legais.
O processo continua andando, já está com a equipe técnica - assistente social e psicólogo (a)!! =)
Ao todo éramos 10 casais e dois solteiros. Desses 10, dois vieram com seus filhos, só eu e a Camila de casal homo.
Uma mulher começou explicando a coisa toda, contando um pouco sobre a história dela de adoção, blablabla. Eu já estava revirando os olhos de tédio, aquilo tudo parecia inútil demais, chato e pedante, isso sem falar no fortíssimo apelo religioso (até distribuíram alguns trechos da Bíblia... oi?). Fiquei super implicante, vi erros grosseiros, como por exemplo a definição de "adoção homem afetiva" (uhg!!). Enfim, teve um intervalo e eu só não saí correndo nessa hora porque a Camila me segurou firme rs
Na volta: bem agora vamos fazer uma dinâmica!! Gelei. Caramba, se tem algo que eu odeio na vida é dinâmica. Não tinha mais nenhum pingo de ânimo, não queria saber de interagir com ninguém, só queria ir embora. Pediram então pra gente formar grupos e contar uns para os outros por que queremos adotar. Eu pensei "aff que idiota", mas vamos lá né? Ficamos em um grupo com outros dois casais mais ou menos da nossa idade, todos pouco à vontade com essa situação. Eis que uma das mulheres começa a contar a história dela e rolou uma identificação instantânea: adorei o casal. O outro casal, muito sofrido, trazia uma realidade da qual tenho pavor: eles adotaram uma criança 1 ano e meio atrás direto com a mãe biológica e entraram com processo para legalizar a adoção. Depois de 8 meses com a bebezinha em casa, o juiz tirou a criança do casal e a levou para o abrigo. Agora eles estão fazendo todo o processo para tentar trazê-la de volta. Que tristeza!! Não podem visitá-la, não podem ver a menina. O juiz está relutante e insiste em tentar reintegrar a criança ao convívio da família biológica - que não a quer de jeito nenhum. Comoção geral pela história dos dois...
Ao final desse passo, cada casal apresentou aos demais a história do colega de grupo. Fiquei surpresa em descobrir quantas histórias diferentes podem existir por um mesmo objetivo. E mais surpresa ainda ao constatar que muitas pessoas estão abertas à adoção tardia, ou sem tantas restrições. Apenas um casal quer menina. Dois casais querem um bebê de até 1 ano, mas a maioria está aberta para crianças maiores, com até 4 anos (como nós), 7, 10 ou adolescentes. Grupos de irmãos também são aceitos pela maioria e apenas um casal falou sobre a etnia, pois eles fazem questão de adotar uma criança negra.
Clichês derrubados, recebemos um questionário para responder em casa sobre o perfil da criança e nossos planos sobre a adoção. O próximo encontro, no sábado, falara sobre as implicações psicológicas na adoção e o último, dia 24, aborda as questões legais.
O processo continua andando, já está com a equipe técnica - assistente social e psicólogo (a)!! =)
sexta-feira, 2 de março de 2012
A entrevista
Contrariando as leis da natureza, ao 20º dia de tramitação do nosso processo recebi um e-mail da assistente social. Ela se apresentou, informou que estava cuidando do processo, explicou como funcionará a partir de agora e, para a minha surpresa, marcou a data da entrevista!!!
No momento eu estava trabalhando, ocupadérrima... mas aí adeus concentração rss A sensação que tive foi a mesma de quando marcamos a IA: um frio na barriga, nervosismo e ansiedade, mas também uma felicidade tão grande que deixa a garganta seca. Comemoramos essa data como se tivéssemos sido habilitadas (oi, exagero).
A entrevista foi marcada para o dia 28 de março, 4 dias após o último encontro do curso. A assistente social nos enviou os formulários para o Cadastro Nacional e outro para incluir no processo, aquele famoso onde colocamos informações sobre o perfil da criança. Nesse ponto fiquei surpresa: havia lido histórias de mães que preencheram listas extensas com mil detalhes sobre a criança. A minha lista tinha umas poucas perguntas: sexo, idade, cor da pele, condição de saúde (tinha que marcar se aceitávamos apenas crianças saudáveis, com doenças tratáveis, deficiência mental, deficiência física ou com HIV), se aceitávamos gêmeos ou grupos de irmãos.
Também já recebemos o questionário individual, o qual deve ser preenchido individualmente e entregue no dia da entrevista, achei as perguntas super razoáveis, depois volto aqui pra comentar sobre isso.
Em relação ao informe da juíza, do qual comentei no último post, já conseguimos resolver. Ambas tiramos nossos atestados com psiquiatra e hoje ao meio-dia levarei essa documentação ao fórum. Hoje também começa o nosso curso às 19h!
(Lene e Paty, super obrigada pelas dicas! Já deu pra ver que cada comarca é um universo diferente né?)
No momento eu estava trabalhando, ocupadérrima... mas aí adeus concentração rss A sensação que tive foi a mesma de quando marcamos a IA: um frio na barriga, nervosismo e ansiedade, mas também uma felicidade tão grande que deixa a garganta seca. Comemoramos essa data como se tivéssemos sido habilitadas (oi, exagero).
A entrevista foi marcada para o dia 28 de março, 4 dias após o último encontro do curso. A assistente social nos enviou os formulários para o Cadastro Nacional e outro para incluir no processo, aquele famoso onde colocamos informações sobre o perfil da criança. Nesse ponto fiquei surpresa: havia lido histórias de mães que preencheram listas extensas com mil detalhes sobre a criança. A minha lista tinha umas poucas perguntas: sexo, idade, cor da pele, condição de saúde (tinha que marcar se aceitávamos apenas crianças saudáveis, com doenças tratáveis, deficiência mental, deficiência física ou com HIV), se aceitávamos gêmeos ou grupos de irmãos.
Também já recebemos o questionário individual, o qual deve ser preenchido individualmente e entregue no dia da entrevista, achei as perguntas super razoáveis, depois volto aqui pra comentar sobre isso.
Em relação ao informe da juíza, do qual comentei no último post, já conseguimos resolver. Ambas tiramos nossos atestados com psiquiatra e hoje ao meio-dia levarei essa documentação ao fórum. Hoje também começa o nosso curso às 19h!
(Lene e Paty, super obrigada pelas dicas! Já deu pra ver que cada comarca é um universo diferente né?)
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Mais uma andadinha
Segunda-feira acesso o site do processo e vejo que ele já foi visto pela juíza. Estava assim: PROFERIDO DESPACHO DE MERO EXPEDIENTE assinado por ela. Abri o link e havia um documento solicitando que nos intimem para apresentarmos atestado de saúde física e mental emitido por um médico psiquiatra em um prazo de 30 dias. Estava sublinhada essa parte.
Liguei pra marcar consulta na mesma hora, só consegui no hospital psiquiátrico N. Sra. da Luz: um gigante velho e chato. Cheguei lá na hora marcada hoje (8h30) e passei exatos 20 minutos andando de bloco em bloco procurando o local da consulta. Quando achei, já estava atrasada. E suada. E descabelada. Tentei insistir, mas faltava a guia da consulta. Saí de novo, andei mais um tanto até a central do meu plano de saúde, peguei uma tonelada de guias, voltei. O médico já estava em outro atendimento e só poderia me ver às 10h. Sentei e esperei esperei esperei. Mas consegui!
Agora é a vez da Camila, a consulta dela ficou para a semana que vem, dia 06.
Na sequência do documento assinado pela juíza, dizia assim:
"- Após, ao SAI para realização do pertinente estudo de caso.
- Depois ao Ministério Público."
Pesquisei horrores sobre o que significa esse SAI e a única coisa que encontrei foi: Serviço de Atendimento Imediato. Alguém aí sabe se é isso mesmo? Paty e Lene, vcs receberam algo assim?
Liguei pra marcar consulta na mesma hora, só consegui no hospital psiquiátrico N. Sra. da Luz: um gigante velho e chato. Cheguei lá na hora marcada hoje (8h30) e passei exatos 20 minutos andando de bloco em bloco procurando o local da consulta. Quando achei, já estava atrasada. E suada. E descabelada. Tentei insistir, mas faltava a guia da consulta. Saí de novo, andei mais um tanto até a central do meu plano de saúde, peguei uma tonelada de guias, voltei. O médico já estava em outro atendimento e só poderia me ver às 10h. Sentei e esperei esperei esperei. Mas consegui!
Agora é a vez da Camila, a consulta dela ficou para a semana que vem, dia 06.
Na sequência do documento assinado pela juíza, dizia assim:
"- Após, ao SAI para realização do pertinente estudo de caso.
- Depois ao Ministério Público."
Pesquisei horrores sobre o que significa esse SAI e a única coisa que encontrei foi: Serviço de Atendimento Imediato. Alguém aí sabe se é isso mesmo? Paty e Lene, vcs receberam algo assim?
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Curso marcado!
Gentes acabei de receber a informação de que o curso FINALMENTE foi marcado. São apenas 3 encontros, o primeiro acontece nesse dia 02 de março, véspera dos meu 31º aniver. Que presente! Mas a Cah parece que tinha um presente melhor, pq quando falei do horário e data do curso ela não gostou nadinha rss
Bom, no final da semana passo aqui pra contar como foi o encontro. Beijos a tod@s!
Bom, no final da semana passo aqui pra contar como foi o encontro. Beijos a tod@s!
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
13 dias
Hoje completamos 13 dias de tramitação do nosso processo e ontem ele foi enviado ao juiz. Pelo que entendi, depois dessa etapa ele vai para a análise técnica e então finalmente nos ligam para marcar a entrevista. Acho que o prazo está ok, apesar de eu acessar o site 25 vezes por dia, não creio que esteja atrasando muito.
Confesso que ando ansiosa por essa entrevista, e também para fazer o bendito curso que nunca começa! Hoje mandei mais um e-mail para o Projeto Romã, responsável pelos encontros de futuros pais e mães - eles haviam informado que haveria uma turma em fevereiro, mas até agora nada.
Enquanto isso, continuo lendo muita coisa sobre o assunto. Quem se interessa pelo processo de adoção pode conferir o blog da Lene que, depois de quase 7 meses de espera, conseguiu a aclamada Habilitação.
Confesso que ando ansiosa por essa entrevista, e também para fazer o bendito curso que nunca começa! Hoje mandei mais um e-mail para o Projeto Romã, responsável pelos encontros de futuros pais e mães - eles haviam informado que haveria uma turma em fevereiro, mas até agora nada.
Enquanto isso, continuo lendo muita coisa sobre o assunto. Quem se interessa pelo processo de adoção pode conferir o blog da Lene que, depois de quase 7 meses de espera, conseguiu a aclamada Habilitação.
sábado, 18 de fevereiro de 2012
Família na expectativa
Quando tentamos a inseminação, não queríamos que ninguém da nossa família soubesse da história. Combinamos esperar o positivo para contar a novidade. Com a adoção, o plano era contar só quando conseguíssemos a habilitação.
Mas eis que eu fui lendo daqui, lendo dali e concluí que seria mais interessante poder falar sobre a família na entrevista com a assistente social. Assim, respirei fundo e... soltei a matraca. Que alívio!! Adorei contar, amei a reação da minha mãe e da minha sogra. As futuras vovós ficaram animadas, interessadas, querendo saber como funciona, quanto tempo leva, etc.
Eu não imaginei que seria diferente, mas a realidade é uma delícia!
Filho, pode ir se preparando porque aqui a fila da expectativa está aumentando =)
Mas eis que eu fui lendo daqui, lendo dali e concluí que seria mais interessante poder falar sobre a família na entrevista com a assistente social. Assim, respirei fundo e... soltei a matraca. Que alívio!! Adorei contar, amei a reação da minha mãe e da minha sogra. As futuras vovós ficaram animadas, interessadas, querendo saber como funciona, quanto tempo leva, etc.
Eu não imaginei que seria diferente, mas a realidade é uma delícia!
Filho, pode ir se preparando porque aqui a fila da expectativa está aumentando =)
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Agora é real
Quando eu espalhei toda a documentação no balcão de fórmica do Fórum diante de uma mocinha bem perdida que parecia ter começado a trabalhar ontem, juro que acreditei no prazo de 30 dias para receber o número do meu processo.
Mas hoje, às 17h, o TJP me envia um e-mail informando meu login e senha para que eu pudesse acessar o sistema. Eis que está lá: nosso processo já foi cadastrado e encaminhado para análise. Temos um número!!!
Agora são 19h50 e eu já acessei o site umas 5 vezes só pra clicar em todas as abas e sonhar acordada. Agora é real =)
Mas hoje, às 17h, o TJP me envia um e-mail informando meu login e senha para que eu pudesse acessar o sistema. Eis que está lá: nosso processo já foi cadastrado e encaminhado para análise. Temos um número!!!
Agora são 19h50 e eu já acessei o site umas 5 vezes só pra clicar em todas as abas e sonhar acordada. Agora é real =)
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