Mostrando postagens com marcador adoção. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador adoção. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

O primeiro dia do segundinho

Já entendemos que não existe meio de estar preparada para receber um filho - seja como for, a chegada sempre será marcada de muito nervosismo, ansiedade, distração, dor de barriga e conta bancária zerada.

Depois de passar o maior sufoco tentando comprar as passagens e suprir as primeiras necessidades básicas do nosso futuro pimpolho, fomos agraciadas com a boa vontade dos amigos. Ganhamos de tudo: berço, bebê conforto, carrinho de passeio, roupas, mamadeira, chupetas, sapatinhos, meias, babadores, etc. Foi incrível! Em poucos dias tínhamos um quarto montado e passagens na mão.

Mas se essa semana de preparativos teve a duração de um dia, a semana seguinte foi de um mês. Na terça-feira de manhã embarcamos no avião a BH com uma Laura feliz da vida:

- Mãe, vamos lá na casinha?
- Que casinha filha?
- A casinha do céu onde tá o meu irmãozinho!

Foi nesse clima que chegamos na terrinha dos nossos filhos. Lá, nos esperava nossa anfitriã master, mais amiga impossível que trocou horário do trabalho só para estar conosco (Loreeee te amamos!). Pegamos um ônibus até o centro e partimos para a VIJ encontrar a técnica. Conhecemos a figura e tivemos acesso a todo o processo dele, cada detalhezinho da sua curtíssima vida.

Ela sentiu nossa convicção absurda para a adoção e resolveu deixar toda a papelada pronta previamente, pois assim que fôssemos ao abrigo no dia seguinte já seríamos liberadas para casa. Isso me deu uma sensação louca de paz, a dor de barriga cedeu e eu passei a imaginar como seria o dia seguinte.

Eu e Camila tínhamos um combinado: com medo de ele não querer saber de mim (gata escaldada rs), combinamos que eu entraria no abrigo com Laura no colo e então Cah o pegaria pela primeira vez. Depois, sem tantos olhares, eu me aproximaria dele de fato.

No dia seguinte na hora combinada chegamos ao abrigo. Fomos super bem recebidas e nos impressionamos com a qualidade da instituição - infinitamente superior à do abrigo onde Laura viveu. Sentamos numa salinha e de repente veio a cuidadora com um bebê no colo. Meu coração saltou, prendi a respiração. Seria ele? Não lembrava mais da foto, de nada. Camila ria nervosa ao meu lado. A cuidadora vira o baby para nós e assim que ele nos vê abre o maior sorriso.

Eu desisti na hora do combinado, levantei e peguei aquela bolinha gordinha no colo, desatei a chorar enquanto a Cah me olhava com os olhos vermelhos, sem acreditar também. Laura ficou preocupada comigo, pensou que eu estivesse sofrendo. Trocamos os filhos de colo e eu procurei explicar à ela que mamãe era assim mesmo, uma baita chorona, e que quando a vi pela primeira vez foi igualzinho (tanto que é com lágrimas que relembro esse momento enquanto relato para vocês).

As técnicas saíram da sala e nos deixaram a sós - nós quatro - num espaço que não tinha mais lugar tamanha era nossa felicidade.

O resto do dia foi andando pela cidade com bolsas de viagem, sacola de bebê e crianças tentando encontrar um jeito de fazer o tempo voar para logo estar em casa. O vôo de volta foi no mesmo dia e não poderia ser mais tranquilo: bebê dormindo no colo a viagem inteira. Nesse momento, o ciume da Laura dá sinal, ela fica sem sossego nos chamando a cada segundo para ver a janela, o dedo que machucou, o botão da poltrona, a revista, o teto, a asa do avião, etc. Cansativo, mas super compreensível.

Chegamos em casa por volta das 21h daquele dia, menos de 24h depois de tê-lo nos braços pela primeira vez. Ele dormiu no berço sem problemas, acordando apenas para mamar uma vez. Fomos dormir nesse primeiro dia exaustas e incrédulas.

O quarto da Laura agora era o quarto das crianças!

domingo, 27 de outubro de 2013

E a corrida recomeça!

Como contei no último post, assim que enviamos o requerimento para a juíza da VIJ, recebemos um retorno da AS local informando que estava tudo certo, que agora era só aguardar. Resolvemos que em breve começaríamos os preparativos para o segundo filho. O primeiro passo era avisar a família de que o público aqui em casa iria aumentar.

Com a minha mãe prestes a completar 60 anos e a Cah, em data bem próxima, chegando aos 30, decidimos fazer uma comemoração especial. Por isso, há meses reservamos uma pousadinha no litoral catarinense para um findi logo no início de novembro. Pensamos em aproveitar o momento para anunciar que estamos grávidas de coração novamente. Perfeito!

Mas o tempo não segue regra alguma. No dia 21 de outubro estou em casa lavando a louça do almoço, ao mesmo tempo em que aguardo Laura terminar seu prato e me arrumo para sair quando toca o telefone. É a esposa:
- Amor, está sentada?
Coração apertou - lá vem desgraça - pensei.
- Sim, fala o que houve???
- Nosso filho chegou.


...


Não sei dizer o que falamos na sequência. Minha cabeça girava. Como assim chegou? Acabamos de voltar ao CNA! Só pode ser loucura.

E é. A mais doce e incrível loucura que já vivemos.

Quando pensei que nada mais poderia superar a emoção de saber que em breve seria mãe, vem o destino e me mostra que ser mãe pela segunda vez pode ser ainda mais incrível. Ao esperar pela Laura, eu não sabia o que sentir, apenas ansiava e sonhava, imaginava e criava expectativas. Agora eu sei o que é ser mãe, sei o que é amar absurdamente um ser que um dia me foi desconhecido. E o sentimento que nutri pelo segundo filho foi instantâneo, alucinante, avassalador.

Hoje, dia 27 de outubro, estamos há dois dias de conhecer nosso segundo pote de ouro. O quarto já está pronto, o cronograma também. E nossos corações? Estão abertos, imensos e inquietos. Inesperadamente prontos!

sábado, 26 de outubro de 2013

Outros tesouros no fim do arco-íris

Meu sonho sempre foi ter a casa cheia, 3 ou 4 filhos mais ou menos. Camila era mais "normalzinha" rs, sonhava com dois filhos e ponto.

Mas quando Laura chegou, ela nos preencheu de tal maneira que ficamos em cima do muro, quisemos desistir de ter mais filhos. Afinal, a vida muda MUITO com a maternidade! Coisas que nunca imaginamos precisar, de repente viram prioridade nos nossos dias e o cansaço toma conta - até mesmo quando a filhotinha é praticamente um anjo na Terra.

Eis que o tempo passou. Hoje temos uma Laura de 3 anos e 4 meses completamente diferente de quando chegou. Ela já reconhece as letras do alfabeto, já consegue pular com mais empenho e aprende musiquinhas novas todos os dias - quando não aprende, inventa. Aprendeu a reconhecer as cores primárias e algumas secundárias, conta até 10, adora a escola, conta mil histórias e solta pérolas diárias curiosíssimas. Adora as pessoas do seu meio, faz questão de citar todos o tempo inteiro, deixou de ter aquele medo absurdo para aflorar uma personalidade tímida sim, mas extremamente simpática. Laura é tanto amor, tanta realização, tanta felicidade, que quando percebemos estávamos querendo ainda mais. Passado mais de um ano da adoção, hoje completamente adaptadas e felizes, decidimos que era hora de abrir novamente o coração para mais um potinho de ouro.

A certeza da decisão foi garantida dada a emoção com que entramos em contato com a VIJ buscando informações sobre o nosso retorno ao CNA. Nosso pensamento foi o seguinte: vamos começar o processo agora para quem sabe conseguirmos adotar no ano que vem... O perfil foi mantido praticamente igual, apenas alterando a faixa etária: decidimos que o segundo filho seria um bebê.

Laura, ciente de nossa decisão, começa a conjecturar sobre esse possível irmão que um dia chegará. Tudo para ela é festa, segue relato de uma de nossas conversas:

- Filha, o que é família?
- Família? É mamãe, outra mamãe e Laura!
- Ah é?
- Sim! E também o Gandalf, a Lilith, a Lilla... (seguiu citando cada um dos nossos 6 animais de estimação)
- É verdade filha, que família grande né? E quando seu irmão chegar, ele também vai ser família?
- Hummm... Não. Ele vai ser só MEU família!

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O processo da adoção - passo a passo

Faz tempo que estou devendo esse post e achei importante a ponto de reunir forças e me organizar para conseguir parar o mundo e escrevê-lo, pois sei que do outro lado há futuras mamães e papais ansiosos e cheios de dúvida sobre como funciona realmente o processo de adoção do ponto de vista, digamos, burocrático.

Ao contrário do que se imagina, não é sempre igual. Cada processo irá responder a fatores variados - que não deveriam ser tão variados assim - tais como: situação da criança adotada, idade, local da VIJ (Vara da Infância e Juventude), humor do juiz, competência das Assistentes Sociais, etc. No nosso caso funcionou da seguinte forma:

1. O primeiro contato: fomos convidadas a conhecer a Laura por intermédio de um grupo virtual de apoio à adoção. Pela ordem natural das coisas não seria necessário esse trabalho, mas foi fundamental no nosso caso, pois sem isso não nos teriam encontrado. Estávamos no CNA? Sim, estávamos. Mas o sistema é bastante falho. O convite aconteceu por telefone e e-mail simultaneamente e tão logo respondemos a loucura começou.

Depois de sermos convidadas, enviamos nosso processo de habilitação digitalizado para o e-mail da AS. No dia seguinte ela nos ligou para conversarmos sobre a data da viagem. Somos livres para ir quando quisermos, mas subentende-se que se demorarmos demais para ir, é por que não temos tanto interesse assim. Ponto negativo. Portanto aceitamos a data agendada pela AS e em menos de uma semana estávamos lá. O processo é todo eletrônico, então não tivemos que levar nada, apenas a cara, a coragem e o RG.

A primeira parada foi na VIJ logo de manhã. Lá nos foi passado tudo o que precisávamos saber sobre a Laura e, menos de duas horas depois estávamos a caminho do abrigo.

2. O estágio de convivência: para adotar crianças de 2 anos não é necessário mais do que 3 dias de estágio de convivência. Mas o caso da Laura exigiu um pouco mais do que isso, dado seu histórico e ausência absoluta de contato familiar durante toda a vida. No total ficamos uma semana em avaliação da VIJ de Belo Horizonte.

3. Documentação: para poder tirar a criança do abrigo é necessário entregar uma carta de autorização feita pelo juiz da VIJ. Recebemos esse documento assim que chegamos e o entregamos para a diretoria do abrigo. Também recebemos um documento para permanecer com a Laura na cidade durante aquela semana, o que serviria para nos hospedar em um hotel com ela, por exemplo.

Ao concluir o estágio de convivência, pensávamos que falaríamos com o juiz, mas não foi assim. A própria AS elaborou o termo de guarda provisório para fins de adoção e, enquanto aguardávamos na VIJ, pegou a assinatura do juiz e nos entregou. Esse documento serviria para sairmos da cidade com a Laura e nos delegava os direitos de tutoras da criança. Foi com ele que demos entrada na licença maternidade, nos planos de saúde, na escolinha, etc.

Nesse dia também recebemos cópia do processo de Destituição do Poder Familiar da Laura e também do processo dela contendo todas as informações sobre a fofuxa desde o primeiro dia de vida até o momento. Recebemos, ainda, o histórico médico dela com as orientações para dar seguimento ao tratamento do HIV+ pelo SUS no Paraná.

Antes de sair de BH, portanto, passamos no Hospital onde ela era atendida, pegamos a medicação necessária para o primeiro mês e saímos com mais uma receita que daria para os próximos dois meses.

4. A adoção definitiva: todos os profissionais envolvidos na causa alegam que é fundamental ter advogado para adotar em qualquer VIJ do Brasil. Mas nós não precisamos, foi tudo muito simples e rápido. Com Laura já destituída, não tivemos que aguardar muito. Em casos de crianças não destituídas é necessário aguardar que esse processo se conclua antes de adotá-la em definitivo - já vi casos de espera de anos.

Entramos com pedido de adoção logo no primeiro mês e nos pediram uma papelada chatíssima muito parecida com a do processo de habilitação (comprovantes de renda, de endereço, cópias autenticadas de documentação, negativas, etc).

O mais demorado no nosso caso foi aguardar a visita da AS à nossa casa para o laudo técnico sobre a adaptação da Laura. Quando finalmente conseguimos esse laudo, tudo seguiu em menos de duas semanas. A documentação seguiu para a juíza, que emitiu a sentença favorável à adoção solicitando que tomássemos ciência pessoalmente no Cartório da VIJ.

5. A Certidão: fomos no dia seguinte e recebemos um documento assinado pela juíza exigindo a alteração na Certidão de Nascimento. Peguei aquele papel e voei para o cartório de registros, faltava poucos dias para o Dia das Mães. No cartório emitiram nova certidão informando os novos dados de filiação e pronto, Laura virou Ribeiro de Souza Fiorio.

6. O tempo: fomos habilitadas em três meses. Dois meses depois de entrar no CNA estávamos em BH conhecendo a Laura. Do dia em que a conhecemos até o momento de pegar a certidão na mão se passaram 10 meses. Sei que não acontece assim com muita gente. Em geral, o processo de habilitação demora uns 6 ou 7 meses para sair.

Depois disso, o tempo de espera varia muito de acordo com o perfil da criança desejada. Grupos de irmãos, meninos, crianças negras, pardas ou indígenas, idade superior a 4 anos e com doenças crônicas ou deficiências costumam ser encaminhados rapidamente. Meninas sem irmãos, brancas, sem doenças, já destituídas e com idade inferior a 3 anos não são maioria nos abrigos brasileiros, portanto são perfis que demoram um pouco mais a serem atendidos.

Espero que tenha esclarecido alguns pontos aqui, caso algo tenha ficado de fora podem perguntar!

=]

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Enfim nossa!

Hoje, dia 22 de abril de 2013, exatamente 9 meses e dois dias depois de pegarmos a Laura no colo pela primeira vez na vida, podemos encher o peito de orgulho para dizer: ela é nossa!

Tudo começou na quinta-feira passada. Eu havia passado o dia cobrindo evento fora de casa, cheguei exausta, irritada, cheia de trabalhos acumulados. Era 19h quando sentei em frente ao computador e acessei o site do Projudi certa de que mais uma vez entraria lá para ver nada. Mas adoro viver sem expectativas, pois é aí que as boas notícias acontecem: estava lá o documento redigido pela juíza da nossa comarca confirmando o que nosso coração já sabia - Laura é, enfim, nossa filha legítima.

Eu nem consegui terminar de ler o texto e já caí no choro. Nesse momento, nós três ali diante do computador nos amassamos como uma verdadeira família deve fazer. Laura parecia sentir, pois comemorava feliz da vida nos enchendo de beijos - okey, ela comemora qualquer coisa, mas deixa eu acreditar rs.

Fomos hoje ao cartório da Vara da Infância e Juventude para tomar ciência da sentença. Em dez dias teremos a certidão da Laura em mãos. Nos espaços em branco, terá nossos nomes e dos nossos pais como avós de Laura Ribeiro de Souza Fiorio.


Indescritível.

quarta-feira, 27 de março de 2013

O cabelo da nega

Sabendo que a Laura viria para uma família de brancos, para uma região de predominância branca, não nos surpreendeu que ela fosse a única criança negra da escola. Aliás, ela é a única criança negra em vários lugares. E já tive que ouvir muitas vezes, ao fazer essas observações acima, que não devemos vê-la como uma criança NEGRA. Ela é apenas uma criança igual às outras, que perceber isso só faz com que alimentemos o racismo dentro de nós. Oi?

Sempre saio com a sensação de que me chamam de racista pelo simples fato de VER a minha filha como ela é! Ver sua cor, reconhecer sua raça e valorizar a cultura de seus antepassados, tudo isso faz parte de uma luta de séculos pela visibilidade negra. Se eu, caucasiana, opto por ignorar esse "detalhe", estou corroborando para aquela tática estrategicamente cega que predomina o nosso mundinho safado: "racismo não existe mais".

Assim, tratamos de trabalhar muito bem a autoestima da nossa fofolete, enaltecendo todos os atributos pessoais e referentes à raça. Vamos combinar que isso não dá muito trabalho, visto que minha filha é linda de morrer (cof cof).

E um dos alvos principais do racismo cotidiano é, sem dúvida, o cabelo afro. Gente como o povo se incomoda com a revolta dos cachos! O cabelo dela é lindo, cheio de personalidade, super versátil, permite um sem número de penteados, fica bom de qualquer jeito, não tem dia ruim, não tem problema em ficar armado, não precisa lavar todos os dias, etc. São tantas qualidades que não consigo mais ter tolerância com comentários adversos.



Mas eles acontecem, pois não tenho como impedir a proliferação da ignorância do povo. E acontecem tão agressivamente sob sorrisos "amigáveis" que nos deixam, muitas vezes, sem resposta. Parece que eles têm o poder de entalar um caroço na nossa garganta, impedindo-nos de sair em defesa do absurdo para que eles possam seguir suas vidas medíocres balançando seus cabelos lindos.

Um dia saímos à caça de um espaço para fazer a festa de aniversário da Laura e nos apaixonamos por uma chácara. Uma senhora nos atendeu e mostrou todo o lugar, o tempo inteiro sendo simpática com a Laura, pegando na mão, fazendo-lhe gracinhas. Bem, as mães de plantão aqui vão concordar: quando alguém trata bem nossos filhos, baixamos a guarda e guardamos as garras. E foi assim, durante mais de uma hora passeamos pelo local conversando, volta e meia ela fazia umas perguntinhas sobre adoção, tudo na maior paz. Até que.

Na hora de ir embora, ela solta: "Ah essa Laura é muito linda, pena que quando crescer vai sofrer com esse cabelo". A Camila tirou força do útero para tentá-la ajudar a reparar a indelicadeza: "sofrer para pentear?"
Mas ela não entendeu a deixa e lascou o derradeiro: "Pra tudo! Agora ela não liga, mas quando crescer vai ter que alisar né? Ela não vai querer ficar com esse cabelo quando todo mundo tem cabelo liso bonito".

Aquilo doeu tanto que nos deixou sem ação. Só viramos as costas e saímos, Camila falou algo como "Não teremos esse problema, Laura tem um cabelo lindo e nós adoramos". Até hoje minha cabeça formula respostas destruidoras, mas na hora não conseguimos reagir, tão surpreendente foi aquilo.

O triste disso tudo é que esse não foi nem de longe o único comentário sobre o cabelinho enroladinho da minha nega. E mesmo a gente valorizando e torcendo muito para que ela se curta e tenha a autoestima tão firme quanto uma rocha, dia desses a TV exibia uma insuportável propaganda de chapinha.

Quando vi que a Laura estava muito atenta às imagens de "crespa infeliz, lisa feliz", perguntei: "Laura, quem tem o cabelo mais bonito do mundo?" (esse tipo de pergunta sempre gera a resposta "EUUU!!!" seja qual for o elemento). Mas dessa vez ela demorou um instantinho e respondeu:
- A MAMÃE!!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

De volta!

Depois de meses longe daqui comecei a sentir saudade. Cheguei a pensar em dar cabo desse blog, uma vez que o pote de ouro já foi encontrado... Ficou meio sem sentido continuar.

Mas essa fase passou.

Como também passou a fase da adaptação aqui em casa. Agora aceito que sou mãe e gosto muito disso! Já virei clichezona, falo da Laura o tempo todo para qualquer pessoa. Se alguém der oi no elevador, já largo "Ah você nem imagina como é o oi da minha filha! É o oi mais lindo que já vi, quer ver? (fotos e mais fotos)".

Parte da minha crise com o blog teve a ver com a exposição. Chega uma hora que a proposta do blog confunde um pouco. Afinal, estamos aqui para quê? Será que a Laura vai gostar de saber de tudo isso quando crescer? Será que está certo expor tudo o que ela diz e faz na rede? Bem, nada precisa ser tão 8 nem tão 80. Vamos continuar contando nossa trajetória sim, fizemos grandes e verdadeiros amigos através da blogosfera e, assim como gosto de encontrar apoio, diversão, conhecimento ou papo furado na rede, também posso proporcionar!

Não vou mais ser linear na história toda. Ao todo, Laura vive conosco há 7 meses. Mas a sensação é de que nasceu aqui, da nossa barriga (isso explicaria os quilinhos a mais). Laura agora vai à escola, tem amiguinhos e amiguinhas, faz capoeira, canta, dança, aprendeu a pular, tirou as fraldas, fala O DIA INTEIRO e é muito, mas muuuuuuuito amorosa.

Dia desses estava com ela no quarto, quando cheguei bem pertinho e ela olhou fundo nos meus olhos por um segundo. Aí soltou um: "Oiiii Lala!!!" Minha filha descobriu que pode se ver nos meus olhos.

:) beijos aos meus amigos e amigas!

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

A Saga da Adoção - A ponta do arco-íris

Os primeiros dias foram tão turbulentos que nem nos demos conta de que havíamos chegado na ponta do arco-íris. O motivo pelo qual fizemos tudo o que fizemos, pelo qual mudamos de cidade e de estado, mudamos de emprego, caímos e levantamos tantas vezes, enfim estava diante de nossos olhos. E ao contrário do que sempre imaginamos, demoramos para perceber e sentir.

Antes de ter um filho, a gente imagina um tipo de sentimento, de emoção. Achamos que vamos agir assim e assado, que vamos pensar tal coisa e conduzir a situação de determinada forma. Imaginamos que seremos totalmente diferente do que foram nossos pais e que nós sim seremos as precursoras de uma educação revolucionária. Eis que o momento acontece e você se descobre sentindo coisas inimagináveis. As dores do coração doem tão forte que tiram o ar (literalmente). As alegrias não são abobalhadas igual vemos nos filmes. Não! Elas são reais, profundas e não laterais. Elas não podem ser confundidas com euforia ou animação. É completamente o oposto disso. Ao mesmo tempo em que ficamos encantadas, habita hoje em nossas mentes um sentido de responsabilidade.

Pois é, nos tornamos responsáveis por uma vida. O significado dessa frase é indescritível. Afinal, aquela coisa da qual fugimos por boa parte da vida agora invade cada milímetro dela. E gostamos! É com prazer que conversamos, eu e a Cah, sobre os rumos da educação de L. É com absoluto amor e felicidade que impomos limites, mesmo sabendo que ela só vê nossa cara carrancuda e chora injustiçada.

Tenho zilhões de acontecimentos para relatar aqui no tocante aos próximos dias. Mas a data está se distanciando e perco a lembrança dos detalhes. Ao mesmo tempo, fico louca querendo contar sobre tudo o que tem acontecido AQUI E AGORA, antes que esqueça também disso. Resolvi então fazer um resumo sobre o fim do estágio de convivência, que durou ao todo 8 dias.

Depois de tomarmos as rédeas da situação, a confiança veio à galopes. Nos fortalecemos e começamos a entender o que tínhamos que fazer ali. É claro que isso tudo teve um preço: ao invés de recebermos a autorização para ir embora na quarta-feira, tivemos que aguardar mais uns dias.

Na última entrevista com a AS, L. era outra criança. E nós, outras mães. Em poucas horas estávamos com a tão sonhada Guarda Provisória em mãos! E junto com ela uma pilha de documentos para posterior encaminhamento da adoção definitiva (vou fazer um post específico sobre a parte burocrática do processo).

Mesmo assim, saímos de lá com uma sensação de que estávamos sequestrando L. rs Enfim ela iria com a gente, não teria mais AS nenhuma por perto, ninguém de olho dizendo o que podíamos ou não fazer. O estágio foi fundamental, mas não há preço que pague esse alívio que sentimos ao final de uma semana de avaliação constante.

Agora era hora de despedidas. Em uma semana de tantas emoções, compartilhamos nossas almas com pessoas especiais demais e nunca vamos terminar de agradecer. Lore e Lu, vocês mais do que nos hospedaram, vocês nos receberam de verdade. Nós chegamos lá, nos instalamos na casa de vocês, carregamos cada cômodo com nossas angústias, nossos medos e musiquinhas chatas, e vocês ainda tiveram fôlego para nos oferecer o ombro quando mais precisamos. Antes disso, nos conhecíamos muito pouco, mas agora as sentimos tão íntimas e tão próximas que parece que estão aqui do ladinho.

Aliás, esse é o melhor da amizade. Saímos dos braços delas para cair nos de outras duas pessoas excepcionais: Piu e Ceci. Depois de acompanhar de longe todo o fuzuê, suar frio quando tememos desistir de tudo, por fim só havia uma coisa a fazer: a viagem não seria completa se não passássemos em JF para dar aquele abraço apertado. E assim fizemos: exaustas, mas completas, saímos de BH e fomos à Juiz de Fora na sexta à noite.

O tempo que passamos lá foi curtíssimo, mas suficiente para realizarmos um sonho que, confesso, eu não imaginava que se concretizaria com tamanha perfeição: o sol fraco desperta o sábado para que pudéssemos ver L. e Mariah juntas! Nem todo o cansaço do mundo apaga o valor inestimável desse encontro. Por isso agradecemos imensamente a vocês também, nossas queridas amigas que estiveram ao nosso lado nas horas ruins e com as quais temos o prazer de curtir todas conquistas!

No sábado à noite, mais precisamente às 23h30, chegamos em casa com o nosso pote de ouro. A partir daqui, iniciamos uma nova a aventura: a maternidade vivenciada.

domingo, 26 de agosto de 2012

Nossas descobertas sobre você!!!

-- Interrompemos a programação da novela "A saga da adoção" para apresentar cenas dos capítulos futuros. --


A nossa filha ama banana e não gosta de morango.
Adora suco de laranja e detesta suco de manga (mesmo coado).
Ela ama brinquedos de montar e não dá muita bola para pelúcia, a não ser que eles interajam com ela como o pintinho gigante que pia.

A nossa filha adora desenhar, mas não liga para massinha.
A nossa filha pára o que estiver fazendo para começar a dançar e cantar quando ouve qualquer música (temos que evitar que ela ouça música ruim... hahahaha).


Existem 3 palavras mágicas pra ela: Passear, Banho e Presente.
Ela tem um sorriso muito doce e calmo quando acorda.
A nossa filha sempre dorme agarra em seu carneirinho azul.


Adora trocar de roupa e arrumar o cabelo. Adora pulseira, colar e brinco (mas as mamães dela ainda não tiveram coragem de levar ela pra furar a orelha).
A nossa filha ama bolinhos, sejam de brócolis, acelga ou chocolate, porém detesta comida seca.
Hoje minha filha já fala mamãe tah e mamãe tih.


Vovó é totó. E dinda é tinta.
Cada descoberta é fantástica. Cada fase é deliciosa.

Enquanto escrevo vejo meus 2 amores dançando.





Acho que não existe algo que me deixe mais feliz!!!


Camila

terça-feira, 21 de agosto de 2012

A Saga da Adoção - Um sorriso

"Ser mãe é se expor a todo o tipo de dor, principalmente o da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado". (José Saramago)

Eu não sou dada a replicar frases prontas, mas essa aí é tão nossa que tive que compartilhar aqui. Saindo da consulta com a AS naquele dia, aspiramos o ar de nariz erguido, o peito cheio de esperanças. Da minha parte, muita vontade de colocar em prática o que finalmente havia entendido; da parte da Cah, um alívio ao saber que "sim, estamos pegando nossa vida de volta".

E nossa pequena parecia pressentir que o tempo estava mudando. Ela não gostaria nada nada inicialmente, mas quem disse que é fácil ser criança? Logo que chegamos em casa (Lu e Lore, já me apossei da casa em poucos posts vocês perceberam? rs), ela tentou jogar o mesmo jogo de sempre, mas algo não deu certo. O que era? Ora bolas, estou aqui me esgoelando de tanto chorar e elas nem ligam pra mim? Isso não é justo, estou muito brava!! Ah se eu pego aquela AS de jeito ela vai ver só!

Foi assim por uma, duas, três vezes. As meninas chegaram do trabalho exaustas e tiveram que ver o show da L. (ok sei que vocês vão dizer que não se importaram, blablabla wiskas sachê, mas que foi UM SHOW, isso foi!). Ela não entendia por que não estava mais ganhando todos os colos do mundo, e por que tinha que aceitar certas coisas que não queria. A sequência de birras deu lugar ao sono e finalmente pudemos descansar. Minha mãe ligando sempre com uma dica na manga, nos dando mais confiança para fazer o que era preciso - é isso então? Esse é o caminho? "Não existe fórmula filha, mas toda criança é igual, precisa entender o que ela veio fazer no mundo, e precisa sentir confiança naqueles que cuidam dela. Se vocês têm amor no coração, então esse é o caminho sim". Ahhh o conforto do colo da mamãe (mesmo que distante) é insubstituível.

Eis que ela estava certa. No dia seguinte, ganhei um sorriso da minha boneca logo de manhã. Como pode? Até ontem ela não me deixava chegar perto, pensei que iria piorar depois de eu ter colocado de castigo tantas vezes. Mas pelo contrário, as coisas melhoraram muito em menos de 24h. Naquela mesma manhã consegui trocar sua roupinha sozinha, brincar, pegar no colo, e ainda ganhei uns trocados: ela passou a me imitar na hora das refeições, querendo tudo o que eu comia. Assistimos a tudo de boca aberta.

Aquilo me deu ânimo, descobri uma força que não sabia que possuía. E mesmo que nada até então tenha nos distanciado, com essa nova fase eu e a Cah ficamos ainda mais unidas. Passamos a combinar cada passo, discutir sobre como faríamos em cada situação para que L. liberasse seu lado doce e feliz cada vez mais. Imaginar que nossa família ainda era um sonho possível, depois de tanto medo, tanta dor e tanta vontade de largar tudo e voltar pra casa é algo impossível de expressar em palavras.

Estou aqui relatando os primeiros dias de paz de espírito, porque as birras continuaram! Cada vez ela tentava algo novo, relutava ao ouvir um simples não, e quando se empolgava com uma brincadeira e acabava fazendo algo que não podia, a gritaria era monumental. Mas não importava mais, pois ganhei um sorriso naquela manhã. E estava certa de que viriam outros...

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

A saga da adoção - Abrigo nunca mais

Eu tenho um lado bem pessimista e outro super Poliana, por isso vivo em um conflito interno, ora aceitando a vida com resignação, ora acreditando no final feliz... Ora engolindo amargo a realidade.

E é com essas várias eus que chegamos ao abrigo pela segunda vez no sábado de manhã. No primeiro dia vimos o gramado enorme de grama bem aparada, os brinquedos no jardim, os quartinhos arrumados e limpos, a cozinha bem servida, etc. No dia seguinte abrimos melhor os olhos: vimos crianças implorando atenção, tosse para todo o lado, brinquedos velhos quebrados, pouca gente para dar conta de tanta criança.

Não vamos jamais desmerecer o trabalho feito por lá, afinal a equipe consegue fazer milagres com a miséria que recebe de ajuda. Por mais que as crianças que vão para lá sejam "institucionalizadas", o governo não faz nada por elas, não paga o sustento delas, não dá comida, não dá fralda, não dá nada. Inacreditável!

Bom, mas deixando a indignação de lado, chegamos sábado para buscá-la. Combinamos que faríamos um passeio com ela acompanhadas pela diretora do abrigo e, correndo tudo bem, poderíamos levá-la embora daquele lugar de uma vez por todas. Ao chegarmos, ela estava sentadinha aguardando (sem saber o que) toda arrumada. Estava emburrada, não quis sorrir para nós, mas se deixou levar.

Fomos ao Zoo. Ela não quis participar de nada. Foi com muito custo de mãos dadas com a gente, ficou manhosa, quis colo, chorou um pouquinho, ficou assustada e curiosa com tudo ao seu redor, ela não estava acostumada com novidades. Super compreensível.

Levamos um velotrol pensando que isso a deixaria mais tranquila, mas ela não quis saber e ficamos carregando aquilo a manhã inteira rs Só depois de muito tempo ela deu um mini-sorriso. Começou tímido, escondido da gente, mas foi suficiente para respirarmos aliviadas. Estávamos com tanto medo de ela azedar de vez conosco! Mas ao contrário, mesmo séria ela queria nossa atenção, pegava na mão, aceitava nossos carinhos. Era como se dissesse: "Esperem, continuem tentando, comigo a coisa é devagar".

Depois de horas tentando, se aproximava o horário do almoço. Tínhamos que levá-la embora. Com o coração apertado, o medo de não ficar com ela nos acompanhou até a porta do abrigo. Mas enfim, atravessamos mais essa etapa e nossa pequena deu adeus ao lugar por onde viveu seus últimos (e únicos) dois aninhos! Que orgulho dessa pequena, enfrentou uma das maiores mudanças da sua vida sem deixar uma lágrima cair (ao contrário de umas e outras rs).

Chegamos à casa das titias Lu e Lore com ela no colo e logo providenciamos um almocinho gostoso. O calor era de matar, enquanto ela comia, tirávamos um sapato, uma meia, calça, blusa.... No fim, estava ela pequenininha, peladinha, cabelos soltos, livre como deve ser. Não sei quem das quatro babava mais. Falávamos todas muito baixinho, voz besta, olhos arregalados observando cada pedacinho dela.

Era um começo, o nosso começo. Ela não dormiria mais na mesma cama, não veria mais os mesmos rostos, não comeria mais na mesma mesa nem tomaria banho no mesmo banheiro. Naquele dia, nossa guerreira tomou seu primeiro banho de chuveiro como uma mocinha. Completamente muda, sem dar qualquer sinal de estar gostando ou não - mas sem chorar. Concluímos que foi bom.

Vontade enorme de dizer que tudo bem ficar com medo, nós também sentimos. A vida dá medo, mas é uma delícia quando entramos de cabeça.

domingo, 5 de agosto de 2012

A saga da adoção - O primeiro olhar

O plano deu certo. Viajamos horas e horas sem fim no nosso calhambeque 1.0. Fizemos uma única parada para comer e seguimos viagem, a euforia fazendo sumir a dor nas costas, o sono, o cansaço. A Cah, que sempre dorme tão fácil, ficou acordada cantando todas as músicas do nosso repertório para que eu não dormisse. Desse jeito chegamos em BH às 4h30 da madrugada de uma sexta-feira.

Nós íamos nos hospedar na casa das nossas amigas queridas Lu e Lore (Em Cores Almodóvar), mas vamos combinar que chegar na madruga no meio da semana batendo na porta é forçar a amizade né? Então paramos em um posto de combustível 24h, tomamos um café, encostamos o banco do carro e.....zzzzzzzZZZZZZ

Um cochilo de 1 hora e lá fomos nós para a entrevista com a AS marcada para as 8h da manhã. Desgrenhadas, sonolentas, amassadas, assim chegamos à Vara de Infância e Juventude. Como ela ainda não havia chegado, corremos para o banheiro para escovar os dentes, pentear os cabelos, trocar de blusa, lavar o rosto rs

Na entrevista, a AS aproveitou para nos conhecer um pouco melhor e também para falar mais sobre a menina. Nos deu algumas orientações sobre como deveríamos agir nesse primeiro contato e lá fomos nós conhecer a razão das nossas vidas.

Estranho falar assim: "conhecer a razão das nossas vidas", pois o primeiro olhar soou mais como um reencontro, um "até que enfim". Ao chegar ao abrigo, inicialmente não vimos as crianças, fomos ao escritório  conversar com a diretora do espaço. Espertinhos, eles deram um jeito para que nossa princesa passasse pela porta.... Foi eu virar para vê-la e desabei no choro LI-TE-RAL-MEN-TE.

Ok ok, eu tenho muito sangue italiano correndo nas veias, eu chorei no meu casamento, choro quando o cachorro morre no filme, choro quando vejo propaganda de dia das mães. Mas aí a coisa foi mais embaixo: eu fiquei sem jeito pela minha própria reação, a Cah me olhava com os olhos vermelhos, tentando segurar a onda. E eu recorrendo aos pensamentos mais absurdos para conter os soluços (sim, soluços) e manter a pose. A AS já tirou um lenço da bolsa e fiquei rindo e chorando ao mesmo tempo, comovida e envergonhada, sem saber o que falar.

Quando me acalmei, fomos até as crianças. A Cah liberou seu lado mais animado e conquistou a galera. Eu fiz mais o papel de cabide de criança nesse momento - não da nossa, mas de todas no recinto.

Eis que nossa pequena percebeu que a coisa era com ela. E foi se deixando aproximar devagar. Ela não era igual aos outros, ela precisava ser conquistada, era especial. No olhar dava pra ver seu gênio forte, mas no sorriso foi se revelando uma delicadeza impressionante. Um pouco frágil sim, mas mais do que isso, sutil, leve, miúda, sensível.

Ela se aproximou porque quis, porque ficou curiosa, achou divertido. Mostrou que gosta de música, pediu comida na boca, fez carinho na gente, pediu para ir lá fora, brincou conosco no escorregador, se deixou pegar no colo, riu, riu muito. E dormiu embalada por nós o soninho da tarde, o primeiro que vivemos com ela.

Às 14h já estávamos indo para a casa das meninas para descansar. Sem palavras para descrever, esse dia caiu como chumbo em nossos corações. Sentimos coisas que jamais sequer pensamos sentir, ficamos apaixonadas, falando dela por horas e horas. Sabíamos quantos dentes ela tinha, quantas vezes ela sorriu, que palavras conseguiu dizer. Tudo, simplesmente tudo ficou gravado.

As titias Lu e Lore esperavam notícias e seguimos noite a dentro compartilhando cada detalhe ignorando o sono que tomava conta à essa altura. A notícia boa foi além dessa manhã incrível: recebemos a autorização para tirá-la do abrigo no dia seguinte!!

Com esse gostinho na boca, dormimos exaustas.

terça-feira, 31 de julho de 2012

A saga da adoção - Parte IV

Tão logo tomamos essa decisão, não tínhamos ideia do quanto as nossas vidas mudariam e, muito menos, que mudariam tão rápido. Enviamos nossos dados para a Vara da Infância e no dia seguinte já nos ligaram para passar as informações.

Estou dirigindo, toca o celular. Atendi, era a AS. Parei o carro de qualquer jeito e fiquei falando com ela sobre cada detalhezinho do processo, o que teríamos que fazer, o que teríamos que providenciar a partir daí... Ela falou: arrumem as malas e venham o quanto antes!

Hein?? Aí foi um corre-corre danado. A Cah começou a passar mal nesse dia e o estômago só aquietou ontem rs Passamos o resto da noite tentando achar passagem com bom preço para daí a 5 dias = IMPOSSÍVEL. Ao mesmo tempo, é inverno de lascar por aqui. Temos que comprar jaquetas, cobertores, calças compridas, sapatos, botas? Não fazíamos ideia do que comprar, então fomos ao mercado mais próximo ver preços de fraldas, chupetas, mamadeiras. Depois ao shopping comprar pijaminhas, sapatos, etc. Sabia o tamanho das roupas dela, mas não entendia como ela podia caber naquilo. Ficávamos em dúvida, tudo era lindo, tudo era tão novo. Decidimos comprar o básico e depois providenciar o restante com ela.

Um parênteses aqui para as duas alucinadas revirando um balaio de pantufas para encontrar o outro pé da abelhinha. Pagamos cofrinho, deitamos no chão, mergulhamos fundo... E gritamos UHUUU quando achamos.

E o quarto? Berço ou cama? Chamamos nosso personal marceneiro para dar um help, encomendamos armário e cama com proteção (assim usamos por mais tempo). Enquanto os móveis não ficavam prontos, ajeitamos o quartinho com o que tínhamos para que ela ficasse confortável. E o resultado foi muito legal: dois colchões forrados com uma colcha floral, algumas almofadas para decorar a caminha, bichinhos de pelúcia de todo o tipo, uma estante de briquedinhos, um baú, espelho, cortina e tapete felpudo. Deu vontade de dormir? Foi aprovado.

Esses 5 dias se passaram em meio a um turbilhão de sentimentos, pensamentos... Não sabíamos se devíamos avisar a família e os amigos "e se der errado?". Ao mesmo tempo, era impossível não falar sobre isso, era nosso único assunto. Às vezes batia medo de dar errado, às vezes nos achávamos malucas pela ideia de ter um filho assim tão rápido... As perguntas, os anseios, os sentimentos todos eram tão grandes que não cabiam mais dentro do peito.

Então explodimos. E saiu pra todo lado. Contamos para muita gente e deixamos as vibrações positivas nos ajudar a diminuir a ansiedade.

Seguimos tentando encontrar passagem até o último segundo. Como ela já tinha 2 anos, pagava passagem, então a volta era com ela. Mas não tínhamos certeza da data da volta, então teríamos que comprar na hora. Fora isso, os horários não batiam com o que queríamos, os preços subiam ao invés de descer... Foi quando, nos 45s do segundo tempo decidimos ir de carro. Ufa! Problema 1 resolvido! Agora teríamos que providenciar cadeirinha de transporte, DVD para a volta, GPS para as loucas perdidas, mais um dia de folga dos empregos.

Mas quando é para dar certo, a coisa funciona. Ganhamos a cadeirinha, encontramos GPS e DVD baratim baratim um dia antes da viagem, traçamos nosso plano ninja de viajar 11h sem descanso e, enfim, o grande dia chegou!

segunda-feira, 30 de julho de 2012

A saga da adoção - Parte III

Enterrar a história de F. e S. não foi nada fácil, ainda mais porque dependeu de uma decisão - dessas que a gente nunca pensa que vai ter que tomar na vida.

Depois do susto que tomamos do advogado, que quis nos cobrar uma fortuna para fazer o pedido de adoção dos meninos, saí caçando todas as pessoas que conhecia na internet para tentar achar alguma solução. Falei com amigos, colegas, até meros conhecidos poderiam nos ajudar. Nesse desespero, falei com uma advogada que conheci no grupo de adoção pedindo um help.

Eu nem lembrava, mas ela era a pessoa que havia nos indicado a menina de dois anos. Bem como quem não quer nada, ela falou novamente sobre a bebezinha e naquele momento meus ouvidos ligaram diretamente para o coração. A situação a seguir foi cômica: eu e a advogada conversando no bate-papo do Face, enquanto a Cah esperava as informações no bate-papo do Gmail.

Falamos sobre tudo, sobre tudo relacionado a ela, sobre o medo de ter que fazer uma escolha desse tamanho. No fim da tarde conversamos muito, à noite choramos e conversamos mais. Enfim, decidimos pelo que nosso coração mandava: iríamos ficar com ela!

Não tenho palavras para descrever o que sentimos. Por um lado, os meninos não sabiam que nós os queríamos, por mais que eles tenham participado dos nossos sonhos, tomamos o cuidado de não envolvê-los em nada antes de qualquer definição da justiça. Assim, nosso coração foi se aquietando. Forcei não pensar neles para não doer, e ao mesmo tempo torcer muito para que alguém apareça para adotá-los junto com a irmã. Eles não merecem mofar no abrigo por conta de uma decisão fria do juiz.

Por outro lado, a ideia de que ao invés de dois meninos teríamos uma menina em casa, e toda bebezinha.... Ah isso aqueceu nossos corações! Parecia mais real, mais perto, ao alcance das mãos!!

E assim começou o que seria o próximo capítulo da saga. Prometo que vou voltar rapidinho para contar dessa vez rs

sábado, 14 de julho de 2012

A saga da adoção - Parte II

Uma das mil coisas que aprendi nessa jornada é que para as coisas acontecerem, é preciso ter o coração e a mente abertos. A bebezinha ficou na minha cabeça por bastante tempo, mas meu coração aceitou que ela não seria nossa e partimos para outra. 

Tão logo nos desconectamos dessa história, soube que haviam dois meninos disponíveis para adoção no interior de MG - o S. de 4 anos e o F. de 6. Estavam totalmente fora do nosso perfil do CNA (que é de até duas crianças de 0 a 4 anos), mas nos olhamos e sorrimos: decidimos que sim. Não foram os primeiros a aparecer, nesse meio tempo nos procuraram para falar de um menino de 4 anos, mas ele tinha um problema gravíssimo de saúde, não interagia, não andava, não comia sozinho, não falava. Tivemos que dizer não, e ele continua lá esperando alguém.... Outra vez nos ligaram falando sobre uma menina de 2 anos HIV+, mas a essa altura já estávamos decididas a adotar S. e F.

Entrei em contato com a AS da vara local, pareciam todos muito dispostos a ajudar. Logo obtive o telefone do abrigo onde eles estavam! Passamos a ligar diariamente, cada dia aprendendo um pouco mais sobre nossos meninos. Já sabíamos que S. era muito esperto, aprendia tudo rápido; e F. sabia ler e era inteligente, dedicado. Eram carinhosos, grudadinhos um no outro. Passavam o dia na creche e na escola, voltavam, comiam, tomavam banho e cama. Dia seguinte, escola tudo de novo. Essa era a vidinha dos meus pequenos, e eu ansiava em tirá-los logo de lá.

Tudo estava indo tão bem!! Já contamos para os amigos mais próximos, compartilhamos histórias dos dois, sonhamos com eles em nossas vidas, pesquisamos escolas, buscamos sinais que poderiam provar tudo isso, e encontramos vários. Piu bem sabe disso né? rs Ela, que sempre dizia que adotaríamos dois meninos, que o mais velho teria 6 e o mais novo se chamaria S. Outra amiga, a Célia, que há meses mantém a convicção de que adotaríamos em julho. LOU-CU-RA!!

Mas eles têm uma irmã mais velha, a R. de 12 anos. Por mais que a decisão inicial do juiz era de separá-la deles para facilitar a adoção, a história começou a mudar. A AS dizia que talvez não os separassem, que talvez eu devesse pensar em adotar a menina também.

Não. Isso está errado. Em semanas conseguimos nos sentir culpadas pela situação de 3 crianças que só estão lá até hoje por culpa de uma justiça burra, lenta e sem nenhum interesse no bem-estar da criança. A Cah começou a ficar com medo, eu também. Tivemos dificuldade em conseguir um advogado que não nos enfiasse a faca no estômago para fazer uma simples petição. O medo aumentou. E nossa tristeza também.

Nesse processo conhecemos a Camila, que está adotando uma menina nesta mesma comarca. A situação dela se arrasta há 3 meses e tem previsão de demorar mais. Camila sofre, e nós sofremos junto. Por ela e por nós, por essa muralha gigantesca que se chama justiça brasileira.

Mas toda história pede um final feliz, quem sabe nos próximos capítulos?


quarta-feira, 13 de junho de 2012

A saga da adoção - Parte I

Tem muita coisa acontecendo deste lado de cá do arco-íris. E nem sempre consigo organizar as ideias para contar para vocês, sem falar que às vezes bate uma insegurança absurda do tipo que dá medo até de comentar pra não dar errado. E assim o tempo vai passando e eu deixo o NPAI às moscas. Por isso agora resolvi contar todos esses últimos acontecimentos bombásticos em partes! Vamos fazer disso uma novelinha mexicana daquelas.

Ainda no ano passado entrei na comunidade (é, do Orkut mesmo, ele ainda existe acreditem se puderem) do GVAA - Grupo Virtual de Apoio à Adoção. São voluntários e Assistentes Sociais que se propuseram a fazer algo para a fila andar. Com a devida autorização das Varas de Infância de suas comarcas, eles divulgam crianças que estão aptas à adoção, principalmente as de perfil mais difícil - ou seja, dessas que ninguém quer. Assim, se você tem um perfil um pouco mais amplo, o GVAA pode ser uma ótima oportunidade de encontrar seu filho pela famosa Busca Ativa.

Nosso perfil não é lá tão diferente da humanidade, salvo por aceitarmos crianças HIV+. Assim, logo que cadastrei nosso perfil de habilitadas na comunidade recebi um e-mail falando sobre uma bebezinha soropositiva que talvez estivesse para adoção no RJ.

Meu coração foi à boca, ela tinha que ser minha! Não sabia nada sobre ela, e a pessoa que me indicou reclamava que eu tinha que estar inscrita no CNA - mas que ainda não estava. Como não estava? Se já estava habilitada e tudo?? Pois é, não estava. O processo demora muito mais do que imaginávamos. Eu entrava no site do Projudi e lá estava nosso processo suspenso aguardando isso, suspenso aguardando aquilo, ativo mas encaminhado para sei lá qual setor... Aflitas ao cubo, começamos a importunar a querida AS da nossa comarca, explicando toda a ladainha. Alguns dias depois, entendendo nossa angústia ela conseguiu autorização da juíza para fazer o cadastro no CNA.

Tão logo isso foi feito, avisei a pessoa que me indicou a bebê certa de que era só isso que faltava. Bééé resposta errada!! Na definição do laudo da menina, encontraram a maldita mãe. Depois aparece o pai. E assim foi ladeira abaixo nossa primeira idealização de filho...

FIM da primeira parte.


sexta-feira, 25 de maio de 2012

Dia Nacional da Adoção e seus clichês

Com a esposa em casa eu fico meio fora do ar, trabalho até mais tarde, acordo mais tarde, uma bagunça. Hoje escorreguei pra fora da cama só lá pelas 8h e pouco, em tempo de ligar a TV e acompanhar a matéria sobre o Dia Nacional da Adoção - que no caso é hoje.

Eu sempre assisto e leio essas reportagens, mas confesso que o discurso mergulhado em clichês me entedia. Toda vez é a mesma ladainha, as crianças se acumulam nos abrigos, os adotantes se acumulam na fila e a culpa é sempre do perfil. É bem verdade que as pessoas continuam querendo sim crianças menores, insistem em fazer distinção de etnias, não querem ter problemas com doenças, etc. Mas convenhamos, estamos fartos de saber que a MAIOR responsável por essa situação lamentável é a nossa querida justiça cega, manca, surda e autista.

Para "comemorar" o dia da adoção, eu deixo aqui o link de uma matéria que eu fiz para a Revista Contato (aquela que comentei aqui) do Conselho Regional de Psicologia do Paraná, onde trabalho. Lá eu falo sobre a espera, sobre o papel do Psicólogo e sua relevância no processo, blá blá blá. Então, a quem interessar possa: http://www.crppr.org.br/revista/contato.php?edicao=81

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Habilitadas!

Vocês lembram que comentei no outro post que a juíza estava de férias e só daria a sentença no final do mês? Pois bem, hoje, 96 dias após nossa inscrição no Processo de Adoção saiu a sentença.... estamos HABILITADAS!!!

A tal juíza está ainda de férias, mas quem deu a sentença foi uma juíza substituta. O processo em São José dos Pinhais foi incrível: rápido, fácil, acessível... Fomos respeitadas enquanto casal homoafetivo, não encontramos barreiras do início ao fim! Gentes, estou grávida, nem acredito!!

Ontem a Camila fez uma cirurgia, fiquei o dia inteiro angustiada no hospital. Hoje mais um dia de correria, ela recebeu alta mas precisa de acompanhamento 100%, eu sempre igual a uma pata seguindo-a por todo o canto da casa rss Ao mesmo tempo, trabalho acumulando e internet querendo cair... Nunca imaginei que receberia essa notícia num dia calamitoso desses. Minha felicidade agora já não cabe no meu coração.

Bem, aguardo a chamada da juíza para receber a  sentença pessoalmente. Um beijo a todas!

terça-feira, 8 de maio de 2012

Bendita pulga!

Ontem acordei com uma pulga atrás da orelha. Ok, não vou negar que não há um dia sequer nessa vida que eu não pense uns instantes sobre o processo de adoção, sobre a FIV... Mas ontem foi diferente, já pulei da cama encasquetada, com o coração lá nos meus filhos. Tomei café fazendo as contas de quanto tempo ainda faltava para agosto, pensando em tudo o que poderíamos fazer para matar esse tempo sem tanta ansiedade... E assim esse assunto ficou, tal qual uma nuvem sobre a minha cabeça.

Lá pela metade da manhã, liga uma colega de trabalho contando que a filha de uma amiga sua havia chegado. Uma menina de 1 ano e meio por meio da adoção. Palavras dela: "Viu Vivi, a fila está andando! Logo logo chega a sua vez". Pronto. E eu que me irrito comigo mesma por entrar diariamente no site do TJ para constatar que meu processo já chega ao 87º dia sem novidades desde a entrevista, me vi diante do computador acessando novamente. A cabeça se dividia entre "Entra que hoje tem novidade!" e "Ih vai ser a mesma coisa de sexta passada, quinta, quarta.... não adianta nem entrar". E lá estava a pulga: já foram emitidos os dois pareceres favoráveis à nossa habilitação!! Imaginem um ser quase chorando só de ler isso rs

Estava anexado ao nosso processo o parecer da Assistente Social, linda e querida que nos descreveu praticamente como o casal modelo 2012, e também o da Procuradora da Justiça, com outro simpático e empolgante relato! Eis alguns trechos:

"Observamos que o casal costuma tomar suas decisões com planejamento e organização e em comum acordo. A adoção faz parte dos planos da família e demonstram que estão no momento ideal para serem mães. Face ao exposto, concluímos que as requerentes estão aptas para a acolher uma ou duas crianças em adoção."
"Em estudo social realizado nos autos, as requerentes alegam que o fato de formarem um casal homoafetivo não irá criar dificuldades para cuidarem de seus filhos, uma vez que possuem o total apoio da família, bem como são aceitas por todas as pessoas da convivência."
"O estudo informa que as requerentes participaram da entrevista de forma aberta e dispostas a revelar a convivência estável e estruturada estabelecida, assim como a motivação positiva que possuem para adotar. Conclui que  as requerentes estão preparadas e possuem disponibilidade afetiva para adotar uma ou duas crianças."


Imediatamente mandei e-mail para a Assistente Social, queria saber o que faltava agora para concluir nossa habilitação. Ela disse que a juíza está de férias (fué fué fuééé), mas que retornará no fim do mês e então dará a sentença. Envolvidas com a compra da casa, mudança e etc, maio precisa voar!

Nota mental: confiar no sexto sentido é recompensador, continue assim.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

A ordem dos fatores

Quem acompanhou o blog desde o início sabe que eu e a esposa tínhamos uma lista bem virginiana a seguir. E também sabe que determinados acontecimentos atravessaram essa lista sem piedade fazendo de tudo o que planejamos uma grande bagunça. Foi quando pedimos nossa carta de alforria e decidimos seguir a vida como a vida se apresenta. O curioso é que percebemos que, com ou sem lista, as coisas foram acontecendo, cada uma no seu tempo e com suas surpresas, por isso resolvi que era hora de fazer um balanço.

- Parei de fumar (11 meses)
- Aprendi a dormir 7 a 8 horas por noite
- Voltei a ler - mesmo que devagar
- Reduzi (um pouco) o ritmo de trabalho
- Não trabalho mais aos sábados e domingos (salvo exceções)
- Conseguimos acertar o despertador e acordar sem grandes atrasos
- Começamos a tomar café da manhã com frutas TODOS OS DIAS (a maior vitória)
- Estamos aprendendo a acabar com as discussões cada vez mais rápido
- Tiramos dois dias de folga e assistimos ao por-do-sol na praia
- Adequamos a alimentação da Cah (explico lá embaixo)
- Agora a super conquista: compramos nossa tão sonhada casa (!!!)

O filho ainda não veio, mas sinto que esse tempo foi crucial para que nós amadurecêssemos como casal e também individualmente. Ter um filho vai além do desejo de ser mãe, é preciso encontrar espaço em nossas vidas, adequar as coisas, melhorar os hábitos, etc.

Amanhã vamos buscar a chave da casa nova e então contamos 30 dias para a mudança. Nesse meio tempo, a Camila vai fazer uma cirurgia, o que me deixa um tanto quanto nervosa rs Acontece que depois de tantas idas e vindas aos médicos, ela descobriu que tem intolerância à lactose e também alergia ao leite. Como ela nunca soube disso, passou a vida consumindo algo que, para o corpo dela, era veneno. Resultado: provocou uma inflamação enorme entre o estômago e o esôfago e vai ter que operar. O médico fala que é um procedimento de rotina. Rotina para ele né bem?

Agora a correria é imensa, o que é bom, já que o processo de adoção chega ao 74º dia completamente às moscas. Falando nisso, a matéria para a revista do Conselho ainda não saiu, depois deixo o link aqui.