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sábado, 9 de novembro de 2013

Aos 30

"Todos vamos morrer. Porém, não podemos decidir como e quando, mas podemos escolher como iremos viver até lá. Olhe ao seu redor e veja se é essa vida que você quer viver".

Eu sempre me achei durona e achava que era papo furado essa coisa de repensar a vida quando completamos uma etapa marcante - e que mulher vai dizer que fazer trinta anos não é marcante? -, mas eu estava errada. 

Olho para trás e vejo muitas coisas. Vejo erros, acertos e coisas que ainda não consegui definir o que são. Magoei pessoas, aprendi com algumas, fui magoada por algumas também. Me diverti muito, fiz tudo o que queria fazer (tirando me mudar pro Canadá). Gostaria de não ter feito certas escolhas, sentir o que senti, magoar quem eu magoei. Eu não me envergonho de dizer que tenho arrependimentos. Queria ter pensado mais antes de agir, ter persistido mais em algumas coisas, aberto mão de outras mais cedo.

Mas olhando para onde estou hoje, posso dizer: é exatamente onde e cmo eu gostaria de estar (ok, ok, poderia ter uma variação para mais na minha conta bancária). Ver meus filhos brincando juntos, nossa casa com cada detalhe escolhido por nós, nossos amigos acima de qualquer erro ou julgamento, minha esposa... Ah esse é um capítulo à parte, ela me enlaçou, me agarrou e quando eu percebi estava casada... hahaha, mas essa foi a melhor escolha, que com certeza faz parte dos acertos. Ela me ajuda a caminhar, a crescer, acredita em mim e eu a amo muito.

Então vendo tudo isso, pensando aqui no alto dos meus 30 anos muito bem vividos, só tenho a agradecer ao Universo por ter conspirado a meu favor, por ter me permitido crescer, amadurecer e viver para sentir toda essa felicidade.


                                                                                        Abraços Cah

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Pseudo-batizado


“Batizado da nossa filhota

Bem, não é bem um batizado, pois eu sou Kardecista e a Vih não segue nenhuma religião.
É mais como uma festinha de agradecimento a Deus e ao universo que sempre conspirou a favor desse reencontro de almas e corações.
Quem me conhece sabe que não sou muito de falar e nem de me expor, mas sou extremamente protetora com os “meus”. E minha família nesse momento está no ponto máximo desse zelo.
Li muita bobagem quando estava buscando inspiração para criar o texto do batizado dela, bobagens sobre como é caridoso o ato de adotar, como somos boazinhas por termos escolhido uma criança que muitos não escolheriam, e também bobagens do tipo “filha de casais gays nascem carregando o pecado dos pais”.
Claro que na hora fiquei bem brava e depois de desejar que todos terminem seus dias carecas, barrigudos e cheios de coceira resolvi deixar isso de lado e me focar no que tinha decidido fazer. Afinal era ela que tinha adotado duas mães abandonadas e carentes, né amore???

Li alguns textos do grande Chico Xavier, olhei para os olhinhos vivos e atentos da minha filha e veio... Simples assim... Palavras que apenas expressam um pouco do que ela é para nós.

Pedimos aos padrinhos para entregarem seus presentes em forma de pequenos bilhetinhos para ela ler quando estiver maiorzinha.

Convidamos amigos queridos e parentes próximos. Tudo regado a uma boa massa. Encomendei um bolo perfeito.

Pronto... Resolvido! O “batizado-festa” está pronto e a ansiedade para a chegada desse dia só aumenta. 




-- Vou tentar postar o texto do batizado amanhã e a foto das lembrancinhas, que não é porque eu fiz não, mas ficaram bem legais. E claro contar um pouco de como foi.-- 
                     Bjus Cah

domingo, 26 de agosto de 2012

Nossas descobertas sobre você!!!

-- Interrompemos a programação da novela "A saga da adoção" para apresentar cenas dos capítulos futuros. --


A nossa filha ama banana e não gosta de morango.
Adora suco de laranja e detesta suco de manga (mesmo coado).
Ela ama brinquedos de montar e não dá muita bola para pelúcia, a não ser que eles interajam com ela como o pintinho gigante que pia.

A nossa filha adora desenhar, mas não liga para massinha.
A nossa filha pára o que estiver fazendo para começar a dançar e cantar quando ouve qualquer música (temos que evitar que ela ouça música ruim... hahahaha).


Existem 3 palavras mágicas pra ela: Passear, Banho e Presente.
Ela tem um sorriso muito doce e calmo quando acorda.
A nossa filha sempre dorme agarra em seu carneirinho azul.


Adora trocar de roupa e arrumar o cabelo. Adora pulseira, colar e brinco (mas as mamães dela ainda não tiveram coragem de levar ela pra furar a orelha).
A nossa filha ama bolinhos, sejam de brócolis, acelga ou chocolate, porém detesta comida seca.
Hoje minha filha já fala mamãe tah e mamãe tih.


Vovó é totó. E dinda é tinta.
Cada descoberta é fantástica. Cada fase é deliciosa.

Enquanto escrevo vejo meus 2 amores dançando.





Acho que não existe algo que me deixe mais feliz!!!


Camila

domingo, 16 de outubro de 2011

Urubus da vida moderna

Como a adoção sempre foi um tema presente em nossas vidas, frequentemente lemos e conversamos sobre o assunto. Um blog que acompanhei desde o princípio foi o www.epinion.com.br/adocao, que depois virou o livro "A Aventura da Adoção".

Hoje volto a ler os poucos posts com outros olhos, já me imaginando no lugar deles, que compartilharam todas as experiências, angústias e ansiedades antes de ter o filho tão sonhado no colo. Uma delas já estamos vivenciando, antes mesmo de iniciar o processo: são os amigos e conhecidos urubuzentos. Com certeza vocês já devem conhecer alguém assim. Urubuzentas são aquelas pessoas que, por maldade, ignorância, preconceito ou falta de noção mesmo, opinam sobre a sua vida de forma negativa, prevendo desgraças e problemas que você poderá enfrentar tomando esta ou aquela decisão. É um tal de "dar força contra" que, me desculpem os mais evoluídos espiritualmente, a mim irrita horrores!

Eis que comentávamos felizes sobre nossos planos de adoção em um grupo de amigos, quando escutamos coisas do tipo: "ih mas vocês vão ter muito problema com isso", "aguardem, quando ele chegar na adolescência vai ser só estresse", "conheço casos de pessoas muito boas que se ferraram pq adotaram", etc.

Não preciso reforçar aqui que isso, além de ser extremamente deselegante, é de muito mal gosto. Me ponho a pensar em quanto essa justificativa de "isso vai ser um problema" afasta as pessoas de experiências ricas e gratificantes. Será que essas pessoas imaginam que vida significa o quê? Um mar sem ondas, um campo sem vento? Querem se enviar numa bolha e evitar tudo o que possa desviá-los de uma vida perfeitamente controlável?

Isso sem falar na dificuldade de se comprometer. Andei ouvindo muita história de pessoas que adotam e, depois de meses ou anos devolvem a criança. Como assim devolvem? Se o filho sai da barriga, você não tem a quem devolver, mas se ele vem de um abrigo, basta complicar sua vida e você desiste dele? É como um produto no mercado, como comprar uma geladeira: você compra, acha linda e funciona super bem. Mas quando começa a apresentar defeito, corre pra devolver antes de acabar a garantia... Se acaba a garantia faz o que? Joga no lixo? Imagino que essas são as mesmas pessoas que largam o emprego quando levam um puxão de orelha do chefe, que largam a esposa ou o marido quando conhece as manias chatas, que rompem uma amizade porque não concordam com um ponto de vista do outro, que abandona o cachorro porque ele fez xixi no tapete.

Adoção é uma surpresa, uma expectativa. Assim como a gestação. Ter um filho que nasceu do coração ou da barriga só difere nas características básicas. Você pode dar a luz a um filho que se tornará um adolescente problemático, com ódio do mundo, ou então pode ter cárie, alergia, precisar de óculos, de aparelho nos dentes, ele pode ter dislexia, pode ter uma deficiência de cálcio, nascer surdo, pode perder uma mão, quebrar o pé, pode nascer com síndrome de down, pode ter paralisia infantil, caxumba, gripe, asma, sarampo, pode ser hiperativo, canhoto, tímido, esperto, pode ter dificuldade de aprender matemática, pode sofrer bullying, praticar bullying, pode colocar um sapo na sala do diretor da escola, pode fazer você perder trabalho por causa de uma dor de barriga.

Ele pode ser e fazer tanta coisa que você não imagina! Se você engravida ou entra na fila da adoção, naturalmente sabe que tudo isso é possível, mas a única coisa que você quer é viver a experiência de ter um filho, de ser mãe, de sentir esse amor incondicional e entender qual é a graça de ouvir a mesma música besta 20 mil vezes só para curtir o sorriso do seu bebê. Então já é hora de essa gente acordar desse sonho neurótico de vida cor-de-rosa e se propor uma vida normal. Isto é: com erros, falhas, imperfeições, contratempos, acidentes... Enfim, com "problemas".

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Angel...

Uma coincidência cor-de-rosa me fez acreditar que já era hora de voltar a escrever por aqui. Esse tempo todo distante não teve uma razão tão drástica. Na realidade, como não tínhamos muito o que dizer, fomos deixando um pouco de lado, ocupando o tempo com o corre-corre de sempre... logo o blog ficou tão abandonado que deu a impressão de que o retorno teria que ser algo digno. E de fato é.

Hoje acordei animada, sonhei que tivemos uma linda menininha. Mas antes mesmo de comentar com a Cah, ela mesma lançou: "amor, hoje sonhei com o nosso bebê, e era uma menina!". Saímos de casa um tiquinho mais felizes, coisa que se esvaiu em alguns segundos, quando recebemos a notícia de que nossa grande amiga, a primeira, deixou esse mundo.

Eu até quis me agarrar às crenças, encontrar um consolo em algumas frases feitas. Ela era a prometida madrinha do nosso filho, sonhou conosco, pesquisou temas de quartos de bebê, acompanhou todos os passos e esperou ansiosa a nova tentativa. Cada texto escrito aqui foi acompanhado por aquele par de olhos doces e iluminados, cada notícia foi dividida, comemorada e consolada.

Angelita, nossa Angel, vai deixar saudade imensa. E como sabemos que tristeza era algo que não existia no seu vocabulário, tomamos esse último exemplo de vida com pelo menos uma certeza: a danada deu um jeito de conhecer o afilhadinho dela antes da gente. É... não é à toa que recebeu nome de anjo.


segunda-feira, 30 de maio de 2011

Dois anos em poesia

Um registro para 30 de maio de 2011
sobre 30 de maio de 2009.

Se a gente resolver levar a cabo tudo o que vivemos em tempo real e costumeiro, meu amor, nossa vida em dois anos de casamento pode se transformar em dez.

Se eu pudesse mudar a vida de alguém para melhor a cada troca de olhar que tivemos, as mazelas do mundo já teriam desaparecido.

Se eu ganhasse um doce a cada gesto de amor que recebi nesses dois anos, já pesaria uns 200 Kg. Se o sentimento que tenho por você fosse concreto como uma pedra, já teríamos construído uma réplica em tamanho real das pirâmides do Egito.

Se precisasse guardar tudo o que aprendi com você em uma caixa, nesta caberia o Planeta Terra. Se eu tivesse ganho uma moeda a cada sorriso seu, Bill Gates me pediria emprestado.

Se o meu coração inflasse toda vez que escuto sua voz doce dizendo "eu te amo", já teria explodido há muito. Mas se o gelo derretesse diante do seu calor, viveríamos o fim do mundo agora.

Se a minha admiração por você fosse uma música, esta poderia ser uma orquestra inteira. Se o meu orgulho em andar ao seu lado tivesse nome, seria preciso criar uma nova terminologia.

Isso porque viver com você é sempre imenso, intenso, beirando o impossível, o inacreditável. Se tivesse que dizer "obrigada" simplesmente por ter me escolhido sua esposa, então teria que ter nascido falando...e nem mesmo se eu vivesse até os 100 anos teria tempo suficiente.

Explicar você é como justificar a mim mesma, então desisto e corto os versos ao meio por medo de estragar dando uma razão ao intangível: eu e você.

Meu amor, em dois anos de casamento já sei que o que temos não é uma relação e sim um encontro se renovando dia após dia. Obrigada por ter acreditado no destino.



P.S. Mas se me largar já sabe...vai sem as pernas rsss

sábado, 18 de dezembro de 2010

Não é apenas dezembro. É Natal!!!

Pois é meninas, mais uma consulta se foi.
Entre muita chuva e frio a certeza que está tudo bem para termos nosso bebê acalentou nosso dia tão tumultuado.
Comecei a tomar o ácido fólico. Fiz o exame os exames anuais, e peguei o pedido para os exames.
Em janeiro temos que levar os resultados dos exames mais específicos e começar a conhecer os perfis dos doadores.
Estou feliz e cada vez mais animada.
O natal está chegando e com ele nossa alegria de imaginar que no ano que vem poderemos já estar com o nosso bebê.
O natal é uma época deliciosa para mim. Amo a festa, estar com minha família, comer a ceia que minha mãe faz rir e brincar muito com a minha sobrinha. Este ano não podermos ir para Minas (minha família mora lá), mas estou tão feliz em saber que um pedacinho da minha família vem ficar conosco. Minha avó, meu melhor amigo (um irmão lindo para mim), meus sogros minha cunhada, todos são muito amados por nós. Ano passado eu e a Vih fizemos umas doação para um orfanato aqui perto, mas nada demais. Este ano programamos algo um pouquinho mais organizado. Consegui algumas doações de brinquedos no meu trabalho, vamos comprar mais alguns, vamos fazer uma boa feira de frutas e vamos levar tudo para as crianças. Acho que elas vão gostar bastante.
Bom meninas, este  post ficou muito sem pé nem cabeça, mas é que tinha muitos assuntos e como escrevo pouco acabo “falando” tudo de uma vez, rsrs.
Bjus e abraços Cah

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Quando o coração grita

Quando conheci a Camila pela internet não imaginei que ela seria a minha história de amor mais bonita. Conversávamos todos os dias sobre tudo, e a cada momento eu descobria que, ao mesmo tempo em que não combinávamos em absolutamente nada, também crescia uma grande amizade e admiração.

Mas bastou vê-la na minha frente que recebi um sinal. Era meu coração avisando que havia encontrado a mãe dos meus filhos.

Ela gostava de esportes, eu sempre fui a nerd do grupo. Ela adorava baladas, eu no máximo curtia um barzinho com amigos. Ela sempre adorou uma cervejinha, eu não bebo cerveja de jeito nenhum. Ela era toda saúde, eu fumava e fazia mil horas extras. Ela trabalhava para viver, eu vivia para trabalhar. Ela gostava de blockbusters, eu só frequentava cinema europeu. Ela gostava de comédias, eu de trajédias. Ela era doida por eletrônicos, eu mal sabia usar meu celular. Ela gostava de acordar cedo, eu sempre dormia tarde. Ela é louca por organização, eu nunca sei onde estão minhas coisas. Ela gosta dos números, eu das letras. Ela é espírita, eu atéia. Das coisas que ela odeia, eu acho graça. E vice-versa.

Ela quis casar. Eu quis mais ainda...


As pessoas sempre me perguntavam como eu podia ter essa certeza toda, eu dizia sempre a mesma coisa: não sei. Só sei que as diferenças atrapalharam bastante, mas foi infinitamente mais forte a vontade de estar junto, de crescer e aprender a tolerar e evoluir. Hoje ainda somos luz e sombra, mas me digam: existe uma coisa sem a outra??

Amor é isso. Tudo isso e somente isso.