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terça-feira, 11 de março de 2014

Para não esquecer...

Laura cresce absurdamente bem debaixo dos nossos olhos, e mesmo com o tempo consumindo nossos dias sem dó, temos o privilégio de poder acompanhar tantas dessas mudanças. Aqui faço um relato sobre o que significa ser Laura hoje, aos 3 anos e 9 meses de vida, simplesmente para que eu não me esqueça disso jamais:

- Ela anda fissurada em ballet, foi a primeira atividade que nos pediu para fazer e já está ansiosa para começar nesta semana.
- Em um prato de comida, o brócolis é devorado primeiro. Ou então qualquer coisa em formato de bolinho.
- Ela já aprendeu a conviver com o irmão sem ciúmes, mas adora tirar os brinquedos dele quando não estamos vendo (lembro tanto da minha irmã mais velha rs)
- Tem tiradas sensacionais, fico imaginando onde é que elas são produzidas.
- Adora falar sozinha, faz mil caras e bocas, sussurra, ri, briga, etc.
- Vibra com coisas como: perfume, batom, pulseira, relógio, bolsa, roupa nova, presentes, sapatos.
- Gosta de sopa com queijo e pão.
- Tem facilidade imensa com letras desde os 2 anos de idade.
- Não tem muita coordenação motora, acha super difícil coisas como: descer escada, pular corda, pular num pé só.
- Já entendeu que tem medo de piscina, mas enfrenta sorrindo.
- Brincadeira preferida: fazer comidinha.
- Atividades que mais gosta: ir ao teatro, ao shopping, dançar, ouvir música.
- É muito boazinha e disposta a cooperar, mas totalmente insubordinada.
- É debochada, tem um senso de humor muito inteligente e perspicaz.
- Não consegue cantar nenhuma música inteira, nem mesmo as da galinha pintadinha.
- Trocou de escola com absoluta facilidade, traquejo e jogo de cintura.
- Liga todos os dias para uma amiga nossa, a Teia, do seu celular de brinquedo.
- Tem um senso de localização fora do comum: basta fazer um caminho uma única vez para reconhecê-lo e saber onde vai dar.
- Cheira tudo o que vai comer.
- Costuma estragar as coisas do seu quarto quando não está de acordo com algo.
- Sabe ler o próprio nome.
- Gosta de coisas azedas, picantes e não tão doces.
- Detesta mingaus e vitaminas.
- Nunca dá nome para as bonecas, só chama de boneca.
- Não gosta de lugares tumultuados.
- Se ela se machuca em público, finge que não doeu e ri forçado.
- Traquinagem favorita: riscar paredes.
- Já está com 96cm, mas ainda pesa 11kg e continua comendo pouquíssimo.
- Ensinou o Nico a bater palminhas e é a única que arranca gargalhadas dele com a maior facilidade.
- Quando está de bom humor, fala pra gente que nos ama a cada meia hora.
- Adora o escuro (inclusive já usou isso como referência: eu te amo gigante, do tamanho do escuro).
- Fica mau humorada quando leva bronca logo cedo.
- Gosta de rock, música eletrônica e também de baladas com voz feminina.
- Entre as canções infantis, as preferidas são: todas as da Galinha Pintadinha, as mais famosas do Patati & Patatá, algumas do Balão Mágico (super fantástico, somos amigos, cafuné, galinha magricela) e algumas do Palavra Cantada.
- Ela realmente curte climas diversos: dias de chuva, dias de sol, calor ou frio. Só não viu graça nenhuma na neve.
- Adora carros, percebe semelhanças entre estilos e reconhece alguns modelos (inclusive de anos diferentes), embora não saiba os nomes. Ela sabe, por exemplo, quais são os carros/caminhonetes/minivans/caminhões/motos semelhantes ao nosso e aos dos nossos parentes e amigos mais próximos.
- Geniosa, sempre que não gosta da ordem que recebe, ela resmunga como se fosse uma adolescente.
- É bastante metódica com suas atividades diárias e suas coisas. Se encontra uma porta fechada, mantém sempre fechada; se encontra um sapato em uma prateleira, guarda sempre no mesmo lugar da mesma forma que o encontrou; se tem uma ordem de tarefas no dia, segue exatamente a mesma ordem e se trocarmos algo ela se confunde e/ou questiona.
- Em um grupo de crianças, se destaca totalmente: fala menos, mas ri bastante, brinca de um jeito exclusivo, não parece sentir necessidade de companhia embora aprecie quando aparece, prefere ficar perto de crianças maiores.
- Fica chata e irritada com facilidade, mas a nuvem cinza passa fácil se não embarcarmos no mau humor dela.
- Simplesmente ama tomar banho e escovar os dentes.
- Tem dias que contraria absolutamente tudo o que dizemos.
- Nunca falou sobre sonhos, nunca teve pesadelos (só uma vez, na primeira semana logo que chegou)
- Caiu da cama uma única vez, mas adora dormir toda espalhada.
- Muitas vezes sente as coisas quietinha. Coisas como ciume, saudade, vontade de ter algo que não tem, frustração e incerteza fazem com que ela se feche e sofra. Mas ao mesmo tempo ela nos deixa acessar tudo isso e ajudá-la a falar sobre o assunto.
- É extremamente sensível a tudo o que acontece ao seu redor e se empenha muito quando percebe que estamos tristes, além de demonstrar profundo respeito quando estamos chateadas com algo. Ela pergunta: o que foi mamãe? Então respondemos e ela pensa um pouquinho, responde: ahh tendi. Fica em silêncio e abraça, dá um beijinho, fala coisas como: eu adoro você, vou trabalhar do seu lado. <3

Posso com isso? =)

sábado, 9 de novembro de 2013

Aos 30

"Todos vamos morrer. Porém, não podemos decidir como e quando, mas podemos escolher como iremos viver até lá. Olhe ao seu redor e veja se é essa vida que você quer viver".

Eu sempre me achei durona e achava que era papo furado essa coisa de repensar a vida quando completamos uma etapa marcante - e que mulher vai dizer que fazer trinta anos não é marcante? -, mas eu estava errada. 

Olho para trás e vejo muitas coisas. Vejo erros, acertos e coisas que ainda não consegui definir o que são. Magoei pessoas, aprendi com algumas, fui magoada por algumas também. Me diverti muito, fiz tudo o que queria fazer (tirando me mudar pro Canadá). Gostaria de não ter feito certas escolhas, sentir o que senti, magoar quem eu magoei. Eu não me envergonho de dizer que tenho arrependimentos. Queria ter pensado mais antes de agir, ter persistido mais em algumas coisas, aberto mão de outras mais cedo.

Mas olhando para onde estou hoje, posso dizer: é exatamente onde e cmo eu gostaria de estar (ok, ok, poderia ter uma variação para mais na minha conta bancária). Ver meus filhos brincando juntos, nossa casa com cada detalhe escolhido por nós, nossos amigos acima de qualquer erro ou julgamento, minha esposa... Ah esse é um capítulo à parte, ela me enlaçou, me agarrou e quando eu percebi estava casada... hahaha, mas essa foi a melhor escolha, que com certeza faz parte dos acertos. Ela me ajuda a caminhar, a crescer, acredita em mim e eu a amo muito.

Então vendo tudo isso, pensando aqui no alto dos meus 30 anos muito bem vividos, só tenho a agradecer ao Universo por ter conspirado a meu favor, por ter me permitido crescer, amadurecer e viver para sentir toda essa felicidade.


                                                                                        Abraços Cah

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Dor verdadeira

Basta ler alguns dos meus posts por aqui para perceber que esse espaço me inspira à reflexão. Na verdade não é o espaço em si, várias vezes desabafo em caracteres silenciosos no word só para depois ter o prazer de deletar, simbolicamente tentando também apagar minhas aflições.

Desde o dia 27 de julho estamos de licença do trabalho. Essa "folga" veio depois de uma sequência, creio eu, de uns 4 ou 5 anos sem férias. Ou mais. Assim, com tanta novidade para assimilar, estava ansiosa para poder deixar algumas preocupações de lado, mas confesso que essa etapa da vida mexeu muito mais comigo do que eu esperava. Por um lado, a felicidade de poder ter aquele pouco mais de calma que a vida pede; por outro, o medo de me afastar demais de mim.

Não ficamos paradas um segundo. Tivemos funções exaustivas com médicos, cadastro para retirada de medicamentos, consultas, inclusão da L. nos planos odontológico e de saúde, compras mil, a escolha da escolinha, revezamento de visitas de amigos e parentes que moram longe, encaminhar adoção definitiva... Enquanto isso, zero salários. Adotantes precisam dar entrada diretamente no INSS para receber o benefício, diferentemente de gestantes que continuam recebendo o valor da empresa, que é reembolsada pelo INSS. Falando assim parece simples. Até que você liga e descobre que precisa fazer um agendamento prévio (no meu caso foi para mais de um mês adiante), e que depois de ser atendida pela primeira vez, o seu pedido vai para avaliação e você aguarda uns 40 dias para receber uma carta em casa indicando o dia do pagamento.

"Mas não se preocupe, eles pagam retroativo", foi o que me disseram os atendentes nas mais de duas vezes que estive lá. Pois e como faço para viver retroativo? Pagar as contas retroativo? Comer retroativo??

Sem salário de ambas, eu e a Cah passamos a viver das nossas economias (que obviamente estavam reservadas para outros fins) e do pouco que minha empresa lucra. Hoje, dia 02 de outubro, ainda não recebemos um centavo e não sabemos quando o $$ virá. Por si só, esse assunto já é suficiente para reativar minha gastrite que estava mais para um vulcão adormecido.

Mas além das praticidades (ou falta de), é um pouco angustiante descobrir que você não ganha superpoderes com a maternidade. Aquela paciência ilimitada não existe para seres humanos normais, que se entopem de defeitos no decorrer dos anos. Sentir que você vira mãe e não está melhor do que antes e que aquele defeito horripilante não desapareceu magicamente é frustrante. Eu me tornei mãe assim, cheia de falhas. E isso é doloroso de se perceber. Acho que quando buscamos a maternidade temos muitas expectativas com o filho sim, mas mais ainda com nós mesmas. E todas elas desabam no primeiro castigo que não surtiu o efeito esperado, no primeiro dia que você olha para sua família perfeita e não se sensibiliza tanto assim....

Mas a vida é caprichosa, faz o favor de nos cutucar ou sacudir se preciso. Ontem soube que uma conhecida do trabalho sofreu um grave acidente de carro. Ela tem a minha idade e o filho, que estava com ela no momento, é mais novo que L.

Minha amiga (sobre)viveu ao acidente, mas seu filho não. Ele morreu um mês antes de completar 2 anos.



Lembro do dia em que ela encheu os olhos de lágrimas ao saber da história de L. e disse: "Depois que nos tornamos mães, não conseguimos suportar a dor de saber que existem crianças sem família".

Agora existe uma família sem sua criança. E então descobri que isso dói muito mais.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Empurrando com a barriga

Eu sempre tive o péssimo defeito de empurrar tudo com a barriga. Meu lema é "por que fazer hoje o que podemos fazer amanhã?". Não satisfeita, ainda reforço: "por que fazer amanhã se a gente pode dar uma enroladinha e concluir tudo depois de amanhã bem cedinho?".

Mas antes que alguém jogue pedras, aviso: não é nada fácil ser assim! Não é uma decisão, é algo como uma bactéria agarrada aos meus neurônios que vai se multiplicando na medida em que os anos passam, tornando cada vez mais difícil essa arte de concluir uma tarefa.

Pois o destino, se fosse uma pessoa, trabalharia no elenco de Zorra Total, tão imenso é seu senso de humor canastrão. Acontece que nossa entrevista com a assistente social da Vara da Infância, que estava marcada para o dia 28 de março, foi remarcada para 29. Enquanto isso, a consulta na Androlab sobre o cadastro de ovodoadora que estava marcada para amanhã, dia 20, foi remarcada para o dia 22.

Isso é um teste?

domingo, 16 de outubro de 2011

Urubus da vida moderna

Como a adoção sempre foi um tema presente em nossas vidas, frequentemente lemos e conversamos sobre o assunto. Um blog que acompanhei desde o princípio foi o www.epinion.com.br/adocao, que depois virou o livro "A Aventura da Adoção".

Hoje volto a ler os poucos posts com outros olhos, já me imaginando no lugar deles, que compartilharam todas as experiências, angústias e ansiedades antes de ter o filho tão sonhado no colo. Uma delas já estamos vivenciando, antes mesmo de iniciar o processo: são os amigos e conhecidos urubuzentos. Com certeza vocês já devem conhecer alguém assim. Urubuzentas são aquelas pessoas que, por maldade, ignorância, preconceito ou falta de noção mesmo, opinam sobre a sua vida de forma negativa, prevendo desgraças e problemas que você poderá enfrentar tomando esta ou aquela decisão. É um tal de "dar força contra" que, me desculpem os mais evoluídos espiritualmente, a mim irrita horrores!

Eis que comentávamos felizes sobre nossos planos de adoção em um grupo de amigos, quando escutamos coisas do tipo: "ih mas vocês vão ter muito problema com isso", "aguardem, quando ele chegar na adolescência vai ser só estresse", "conheço casos de pessoas muito boas que se ferraram pq adotaram", etc.

Não preciso reforçar aqui que isso, além de ser extremamente deselegante, é de muito mal gosto. Me ponho a pensar em quanto essa justificativa de "isso vai ser um problema" afasta as pessoas de experiências ricas e gratificantes. Será que essas pessoas imaginam que vida significa o quê? Um mar sem ondas, um campo sem vento? Querem se enviar numa bolha e evitar tudo o que possa desviá-los de uma vida perfeitamente controlável?

Isso sem falar na dificuldade de se comprometer. Andei ouvindo muita história de pessoas que adotam e, depois de meses ou anos devolvem a criança. Como assim devolvem? Se o filho sai da barriga, você não tem a quem devolver, mas se ele vem de um abrigo, basta complicar sua vida e você desiste dele? É como um produto no mercado, como comprar uma geladeira: você compra, acha linda e funciona super bem. Mas quando começa a apresentar defeito, corre pra devolver antes de acabar a garantia... Se acaba a garantia faz o que? Joga no lixo? Imagino que essas são as mesmas pessoas que largam o emprego quando levam um puxão de orelha do chefe, que largam a esposa ou o marido quando conhece as manias chatas, que rompem uma amizade porque não concordam com um ponto de vista do outro, que abandona o cachorro porque ele fez xixi no tapete.

Adoção é uma surpresa, uma expectativa. Assim como a gestação. Ter um filho que nasceu do coração ou da barriga só difere nas características básicas. Você pode dar a luz a um filho que se tornará um adolescente problemático, com ódio do mundo, ou então pode ter cárie, alergia, precisar de óculos, de aparelho nos dentes, ele pode ter dislexia, pode ter uma deficiência de cálcio, nascer surdo, pode perder uma mão, quebrar o pé, pode nascer com síndrome de down, pode ter paralisia infantil, caxumba, gripe, asma, sarampo, pode ser hiperativo, canhoto, tímido, esperto, pode ter dificuldade de aprender matemática, pode sofrer bullying, praticar bullying, pode colocar um sapo na sala do diretor da escola, pode fazer você perder trabalho por causa de uma dor de barriga.

Ele pode ser e fazer tanta coisa que você não imagina! Se você engravida ou entra na fila da adoção, naturalmente sabe que tudo isso é possível, mas a única coisa que você quer é viver a experiência de ter um filho, de ser mãe, de sentir esse amor incondicional e entender qual é a graça de ouvir a mesma música besta 20 mil vezes só para curtir o sorriso do seu bebê. Então já é hora de essa gente acordar desse sonho neurótico de vida cor-de-rosa e se propor uma vida normal. Isto é: com erros, falhas, imperfeições, contratempos, acidentes... Enfim, com "problemas".

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Angel...

Uma coincidência cor-de-rosa me fez acreditar que já era hora de voltar a escrever por aqui. Esse tempo todo distante não teve uma razão tão drástica. Na realidade, como não tínhamos muito o que dizer, fomos deixando um pouco de lado, ocupando o tempo com o corre-corre de sempre... logo o blog ficou tão abandonado que deu a impressão de que o retorno teria que ser algo digno. E de fato é.

Hoje acordei animada, sonhei que tivemos uma linda menininha. Mas antes mesmo de comentar com a Cah, ela mesma lançou: "amor, hoje sonhei com o nosso bebê, e era uma menina!". Saímos de casa um tiquinho mais felizes, coisa que se esvaiu em alguns segundos, quando recebemos a notícia de que nossa grande amiga, a primeira, deixou esse mundo.

Eu até quis me agarrar às crenças, encontrar um consolo em algumas frases feitas. Ela era a prometida madrinha do nosso filho, sonhou conosco, pesquisou temas de quartos de bebê, acompanhou todos os passos e esperou ansiosa a nova tentativa. Cada texto escrito aqui foi acompanhado por aquele par de olhos doces e iluminados, cada notícia foi dividida, comemorada e consolada.

Angelita, nossa Angel, vai deixar saudade imensa. E como sabemos que tristeza era algo que não existia no seu vocabulário, tomamos esse último exemplo de vida com pelo menos uma certeza: a danada deu um jeito de conhecer o afilhadinho dela antes da gente. É... não é à toa que recebeu nome de anjo.


quinta-feira, 7 de abril de 2011

O ponto 36

Como é comum entre as futuras mamães lésbicas, eu e a Cah sempre conversamos muito sobre o futuro. Não só sobre o nosso futuro, mas também sobre o futuro do bebê, do planeta, da vida humana, da ciência, do horóscopo, da novela... Qualquer amanhã nos diverte, mas também nos preocupa.

Já entramos em pé de guerra ao pensar na educação do nosso pimpolho. Mas tanta diferença assim seria mesmo real? Afinal de contas, quando qualquer coisa nos afeta, viramos duas onças bravas tentando defender essa relação que, de tão contraditória, chega a ser a coisa mais verdadeira e pura que já tivemos em nossas vidas. Creio que estamos num estágio que posso chamar de ponto 36 - nem 8, nem 80. E olha o resultado dessa constatação:

Sabemos que ela é quem vai cuidar dos machucados físicos enquanto eu cuido dos emocionais. Porque ela é do tipo de mãe que o beijo cura e aconchega. Eu sou mais da linha que o beijo distrai e diverte. Também tentamos adivinhar o futuro dele. A Cah é da linha emprego e segurança, eu sou do risco e estímulo de potenciais. E nós duas somos da ideia de que com tudo se aprende.
Concluímos, por fim, que respeito à vida, ao próprio corpo e à natureza não são religiões, apenas uma forma completa de simplesmente ser humano. E estará tudo sempre bem sobre esses três pilares.
Foram tantas coisas em comum que lembramos só no final que a gente não sabe de nada, que tudo será diferente como tudo sempre é diferente do que planejamos.

Mas não dá pra negar que é gostoso pensar no futuro, ainda mais quando ele nos sacode de volta para o presente: faltam menos de 20 dias :)

terça-feira, 22 de março de 2011

Todo mundo precisa de...... NOÇÃO!

Gente estou super blogueira hoje hein? Não que eu tenha levado sermão da esposa pela ausência online, mas hoje os assuntos estão brotando assim, como aquela aguinha da fonte que nunca seca! rs

Tanto que estava trabalhando concentradíssima e, fazendo uma pesquisa no site da revista Pais e Filhos, me deparei com uma pérola macho-man. Adoraria que tivessem paciência de ler até o final e, se a mão coçar de vontade de comentar, sugiro que acessem o link direto aqui e vejam também os comentários dos leitores que, por sinal, dão um SHOW no colunista. Fiquei até feliz pq a maioria dos comentários foi feito por homens e/ou heteros.

Coluna Pingos nos is, de André Mantovani

Todo mundo precisa de pai

Não gosto quando dizem que crianças não precisam de pais homens, gosto menos ainda quando dizem que sem pais homens as crianças ficam melhores ainda. A principal matéria deste mês trata desse assunto, e a primeira vez que ouvi que “filhos de casais de lésbicas se tornam adolescentes mais bem estruturados psicologicamente” pensei: tá bom, devem ser super bem estruturados esses adolescentes, só que só vão sair da casa da mamãe aos 55 anos de idade! Não é?

Não gosto de mães tipo Xuxa que criam filhos dizendo não precisar de pai. Não gosto que nos tratem como machos reprodutores. Mulher que faz isso é porque não consegue se relacionar bem com homem. Criança, adolescente e até adulto precisa de pai. Eu preciso de pai, da sua figura, daquilo que ele representa.

Sem pai quem é que vai comprar a bicicleta? O videogame? Quem vai jogar na piscina e quem vai arrancar o dente de leite? Quem vai dizer "chega de conversa", "vai pro seu quarto"? Quem vai ensinar a dirigir e a arrotar? Quem vai espantar o bicho-papão, ensinar o que realmente é um carro, o Batman, o Botafogo de Ribeirão Preto e a lei do impedimento?

E CÁ ENTRE NÓS, QUEM QUER FILHOS EQUILIBRADOS? TEM QUEM QUEIRA, EU PREFIRO OS MEUS UM POUCO FORA DE PRUMO, FICAM MAIS CRIATIVOS. CLARO, EU SEI, NÃO VAMOS CRIAR DELINQUENTES, POR ÓBVIO. MAS ESSA COISA EQUILIBRADINHA QUE DORME DE PIJAMA COM CAMISA DE BOTÃO... NÃO QUERO, NÃO. EUROPEUS E ESTADUNIDENSES, QUE É DE ONDE VEIO ESSA PESQUISA, ADORAM GENTE EQUILIBRADA, DÁ MENOS TRABALHO, OBEDECE MAIS FACILMENTE, TRABALHA MELHOR E NÃO PEDE AUMENTO DE SALÁRIO.

Sempre que ouço coisas do tipo dessa pesquisa, fico pensando como seria o mundo se todos vivessem assim, sociedades de mães, bancos de esperma e adolescentes equilibrados. Eu sei, eu sei, é só uma pesquisa, foi só um estudo, mas que manda uma mensagem muito perigosa. Não tenho nada contra lésbicas criarem filhos, nada mesmo. Tenho contra dizerem que sem a gente, nós, pais, é melhor. Espera só um pouco, pai é bom e eu gosto. Viver sem pai é ruim.

Sabe o que é sentir falta do mar sem nunca ter pisado na areia da praia? Viver sem pai dá isso, fica um vazio, maior que o vazio normal que já vem conosco de fábrica.

Uma ressalva, pai bom é aquele que está perto. Que está presente na vida da criança. Se for pai ausente, talvez seja melhor duas mães mesmo. O difícil vai ser chegar a hora de parar de discutir a relação pra todos poderem ir dormir. Sorria!

segunda-feira, 14 de março de 2011

Dívida nossa de cada dia

Não tem nada mais corriqueiro na minha vida do que as dívidas. Fico em dívida com o sono todas as noites e nem dá tempo de terminar o dia seguinte, lá estou eu acumulando dívidas com os clientes, com o estômago, com o pulmão...

Minha esposa diz volta e meia que estou em dívida com ela, e é em dívida com o lazer que tento diminuir essa distância lá no finzinho dos finais de semana. Fico em dívida com meus livros, com a faxina da casa, com meus cães que passam dias com poucos afagos. Isso sem falar nos amigos! Esses daqui a pouco mandarão fatura de cobrança tamanha a dívida que fiz com cada um.

Agora meu filho está perto, estou em dívida com o relógio. Ele me diz que falta um mês apenas para nossas vidas mudarem completamente, e eu fico em dívida comigo mesma por esquecer disso às vezes e pensar que a vida é só uma louca correria.

Sexta-feira passada fomos a uma das últimas consultas antes da I.A. O médico está lerdo tranquilo como sempre e confirmou o que os exames diziam: nossa barriga está prontinha para receber o bebê. Quanto aos procedimentos, aos quais dificilmente me atenho, estamos negociando a parte chata, dinheirística, tentando barganhar umas condições de pagamento, um desconto. Parece até errado falar de dinheiro qdo a questão é nosso filho, mas vai... importante né gentem??

Acontece que há duas formas de fazer: ou realizamos a inseminação no consultório do Dr. Berger, e aí temos que pagar transporte do semen e o médico; ou realizamos na clínica Androlab, onde contratamos o girino, sem ter que tirar o esperma daqui e levar lá, mas com um custo mais alto.

Portanto, única coisa que falta agora é saber se eles parcelam essa dívida.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Pesadelos

Desde que começamos a corrida em busca do pote de ouro, esta que vos fala, cuja imaginação é tão fértil que poderia engravidar cérebros por aí, vem tendo pesadelos das mais diversas representações: desde os tipos mais dramáticos e sofridos até flashs de bizarrices que nem sequer consigo relatar.
O mais recente aconteceu essa noite e por causa dele passei boa parte do dia olhando torto para a minha excelentíssima, a vilã do meu sonho conturbado.

No sonho, acordei com ela animada dizendo "a bolsa estourou!". Eu corri para o hospital e enquanto brigava para ser atendida de forma decente diante da negligência das atendentes, minha querida deu a luz a um bebê que bem poderia já ter uns 3 meses de vida. Era uma menina loirinha de olhos verdes, igualzinha à Cah quando bebê.

Eu passeei com ela e exibi para todo mundo, apresentei aos meus pais e tios e estava toda saltitante quando, de repente, a ficha caiu: "Ei, mas não fizemos a inseminação ainda" - essa foi a minha constatação corna do momento.
Resultado: a Cah havia se empolgado em uma festinha com colegas e um deles se ofereceu para inseminá-la (jeito meigo de falar). Eu fiz um escândalo, lembro de olhar para a menina e falar: agora ela tem um pai, e aí como ficamos?? (leia-se: sua fdp vc me enfiou tantos galhos na cabeça que não passo mais pela porta de casa). Eu queria  me separar e ficar com a menina, nessa confusão e tormento familiar eu acordei. Fervendo de ódio é claro.

Depois, com a Dona Racionalidade da Silva de volta, pensei muito sobre isso. Lembrei do diálogo do badalado casal de Desejo Proibido, como um desabafo que deve ser o de todas nós que não seremos as mães biológicas da história: "minha maior frustração é não poder engravidar você".


Ahhh se eu pudesse ser um homem por um diazinho sequer, escolheria o dia fértil da minha amada.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Enquanto o mundo gira...

Depois de passar pelo doloroso exame provocativo-gramatical, minha querida esposa se fortaleceu. Eu, positiva como nunca, lasquei "calma xuxu, agora a dor do parto vai superar todas essas", e ela se conformou. Entendo, é realmente difícil imaginar que enfiam coisas gigantes em vc e retorcem seus órgãos sem nem pedir licença e mesmo assim você tem que sorrir e dizer "obrigada senhor por mais este exame feliz!" rss
Tenho que buscar o resultado amanhã e já estou curiosa, não sei que tipo de resultado sai dessa tortura, mas sei que é algo bom. Hoje liguei para o Banco de Semen do Paraná, fui atendida por uma mulher tão doce que parecia exatamente com o que esperamos do humor de quem trabalha ajudando bebês virem ao mundo. Marquei uma consulta para o dia 10, data em que levaremos a carta de recomendação do médico e descobriremos o que mais está por vir até que the best sperm seja acomodado na barriga da Cah.

Pretendemos aproveitar a ocasião para descobrir se é possível fazer uma doação compartilhada. Não apenas pela redução dos custos, mas porque acreditamos que cada ajuda que recebemos, uma ajuda temos que oferecer. De que adianta lutarmos tanto para ter nosso bebê se não pudermos amolecer nosso coração e ajudar mulheres que precisam de algo ainda mais difícil - o óvulo?

Da minha parte estou ansiosa. E eufórica. Por horas essa mistura se transforma em impaciência e irritação. A tentativa de fazer o mundo girar mais rápido não está funcionando, então estou precisando lidar com esse ritmo lerdinho mesmo rs. E enquanto tento day by day colocar nossos negócios em dia, equilibrar as dívidas e tentar não fazer outras, mentalizo todas as noites o quão privilegiadas nós somos, simplesmente porque podemos sonhar e realizar.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Trava língua

Esperando notícias e imaginando como devem ser ao vivo as bochechas da Mariah, não há como não nos remetermos ao futuro um pouquinho. Afinal, há poucos meses as mamães mineiras estavam iniciando todo o processo de gravidez e agora lá está a garotinha pulando barriga afora para o colo das duas. Doce final, emocionante início!

Assim, nossas atenções são desviadas para um escândalo gramatical: a Camila terá que fazer uma Histerossalpingografia, um nome que é uma afronta de um exame que dizem ser igualmente difícil de engolir. A ideia genial foi do obstetra, que decidiu tirar a prova da capacidade ovulacional da minha excelentíssima a fins de garantir uma gravidez retumbante. Trata-se de uma espécie de desentupidora de trompas. Admirável medicina ¬.¬


Bem, decidimos fazer o exame antes de contratar o espermatozóide campeão, só para sentir bem o gostinho de cada etapa.

Enquanto isso não acontece, seguimos em uma miserável tentativa de findar o mês percebendo que tudo o que queremos na vida é que o tão esperado abril chegue trazendo consigo uma barriguinha saliente. Eu nem ligo em acelerar o mês do meu aniversário (que se aproxima assustadoramente) só para matar de vez essa ansiedade louca que nos devora.

Beijos a todas e três pulinhos de "Viva!" para a Mariah =]

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Perguntar não ofende... mas INCOMODA

Foi divertido receber tanta visita e comemorar a virada do ano com o entusiasmo secreto dos nossos planos para 2011. Já festejamos a chegada do bebê com tanta certeza que precisamos tomar todo o cuidado do universo para não deixar escapar a novidade na frente dos parentes.

Todavia, recebemos um copinho de água fria na cabeça um pouco antes da virada: a Cah foi fazer a eco e descobriu um mioma no útero. Ainda não sabemos se é grande ou pequeno, se é problemático ou não. Dia 10 falaremos com o médico sobre isso. Por enquanto não quero me contaminar, então estou pensando positivo - não há de ser um problema. E NÃO PODE SER MESMO!! Visto que prometi pra Camila que teríamos esse bebê de qualquer jeito e a opção "eu-grávida" meio que me apavora rss

Não sei como é para vocês, mas parece que ao passarmos para essa etapa mais família, a pergunta clássica "quem come quem?" deu lugar à "como decidiram quem vai engravidar?". Será mesmo que o mundo lésbico é assim TÃO interessante e diferente aos olhos do mundo?? Da minha parte, acho meio cansativo depois da décima vez que acontece, mas fico pensando qual será a próxima pergunta padrão que teremos que responder pelo resto de nossas vidas.

Imagina se eu chego para um casal hetero e pergunto: "ei, vocês gostam da posição frango-assado?" ou então chego na minha gineco e: "o que fez você decidir passar a vida cutucando vaginas?". E se engana quem acha que a saída é dar uma de esperta e bolar AQUELA resposta inteligentóide - as pessoas só sossegam mesmo com a respostinha normal. Tanta gente falando que casamento é monótono, começo a pensar que monótona mesmo é a vida social.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Tudo o que somos é apenas o que somos

"Ah é você vai poder adotar... que bom!" Esse foi o jeito que minha mãe encontrou de entender e aceitar minha sexualidade depois de tantas conversas. Ela sabia que esse era meu sonho, não o de ser mãe biológica, mas o de poder conquistar o amor de uma criança mesmo que não existam laços genéticos. Isso, somado ao carinho que meus pais têm por crianças me faz acreditar que o dia de dar a grande notícia será comemorado.

Transformar a ideia que as pessoas mais conservadoras têm em relação à nossa sexualidade é só um dos nossos desafios. Fazê-los entender que o sexo não é tudo o que nos motiva a buscar a plenitude em uma relação homossexual faz toda a diferença e digo isso por experiência própria. Meus pais só conseguiram encarar minha sexualidade numa boa mesmo quando passaram a conviver conosco, frequentar nossa casa, passar os feriados aqui participando da nossa vida.

Estendendo para a sociedade como um todo, creio que essa seja a conquista mais importante dos casais homoafetivos. Afinal, não lutamos apenas contra o preconceito dos heterossexuais, dos fanáticos e dos sexistas, lidamos com a questão moral (mesmo que hipócrita) a que nos confere o título de lésbicas. E como irrita quando a gente luta tanto para mostrar que tem uma vida extremamente normal quando chega a Parada Gay e o que vemos é a promiscuidade geral, se ao frequentar uma balada LGBT só o que vemos são meninas e meninos se agarrando em grupos, colocando o fetiche acima de qualquer coisa.

Acredito que todos os lados cometem erros nesse sentido e, para piorar, parece que o mundo insiste em se separar, criar guetos estereotipados. Ao invés de conquistar os direitos de igualdade, acabam estimulando ainda mais o preconceito alegando que de fato somos tão diferentes a ponto de não querermos frequentar os mesmos lugares, ter os mesmos amigos. O hiato que se cria entre os grupos é só mais um nessa sociedade com mania de segmentação e ninguém - absolutamente ninguém - sai ganhando.
Por que um bar precisa ser diferenciado pela sexualidade dos frequentadores? Por que os filmes perdem as categorias de romance, ação, aventura, épicos quando trazem casais gays na trama? Por que nas novelas o personagem gay é sempre O Personagem Gay?

Para acabar com um preconceito desde a raiz precisamos fazer as pessoas se acostumarem com o diferente - que é o normal - ao contrário de tentar mostrar o tempo todo o quão diferente somos. Porque não somos de fato. Todos sentem, riem, choram, amam, odeiam, trabalham, estudam, pensam, saem, entram, fofocam, participam, convivem. Temos que ter orgulho do que somos e de tudo o que compõe nossa essência - incluindo a sexualidade - mas temos que lembrar de sermos iguais a todo mundo, senão seremos sempre O Personagem Gay onde quer que a gente vá. Eu sou lésbica, e sou jornalista, esposa, amiga, pisciana, ansiosa, tagarela, baixinha, ateia, branca, colorada, empresária. E serei mãe.

Simples assim.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Cada dia mais mães

Saímos para comprar coisas para a casa. Ao ver as contas subindo sem parar, digo preocupada que temos que controlar os gastos no fim do ano. A Cah, por sua vez, larga "vamos aproveitar e comprar essas coisas agora porque no ano que vem tudo será para o bebê".

Não é incrível esse poder de transformação que encaramos ao decidir ter um filho? Até um tempo atrás, gostávamos de ser individualistas, gostávamos de cuidar só da gente e tínhamos infinitos planos a duas. Agora, não tem momento do dia que não nos faça ponderar e pensar no bebê que está para vir.
Por causa dele (ou dela), as compras do mês agora têm mais frutas e verduras. Por causa dele, a poupança virou regra. As pausas diante das vitrines de lojas infantis são mais prolongadas e no calendário não marcamos mais nossos compromissos, mas sim o dia da menstruação da Camila. Decidimos fazer exercício físico, yoga, meditação, dieta, artesanato, culinária. Reduzimos a frequência do dia do cachorro-quente (tradicional evento semanal). Brincamos com as crianças na rua, trabalhamos com mais ânimo, limpamos a casa com mais atenção. E tudo o que envolve o ano que vem parece suspenso, aguardando o dia em que diremos o tão esperado "Estamos grávidas!"


Bem vindo 2011.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Quando o coração grita

Quando conheci a Camila pela internet não imaginei que ela seria a minha história de amor mais bonita. Conversávamos todos os dias sobre tudo, e a cada momento eu descobria que, ao mesmo tempo em que não combinávamos em absolutamente nada, também crescia uma grande amizade e admiração.

Mas bastou vê-la na minha frente que recebi um sinal. Era meu coração avisando que havia encontrado a mãe dos meus filhos.

Ela gostava de esportes, eu sempre fui a nerd do grupo. Ela adorava baladas, eu no máximo curtia um barzinho com amigos. Ela sempre adorou uma cervejinha, eu não bebo cerveja de jeito nenhum. Ela era toda saúde, eu fumava e fazia mil horas extras. Ela trabalhava para viver, eu vivia para trabalhar. Ela gostava de blockbusters, eu só frequentava cinema europeu. Ela gostava de comédias, eu de trajédias. Ela era doida por eletrônicos, eu mal sabia usar meu celular. Ela gostava de acordar cedo, eu sempre dormia tarde. Ela é louca por organização, eu nunca sei onde estão minhas coisas. Ela gosta dos números, eu das letras. Ela é espírita, eu atéia. Das coisas que ela odeia, eu acho graça. E vice-versa.

Ela quis casar. Eu quis mais ainda...


As pessoas sempre me perguntavam como eu podia ter essa certeza toda, eu dizia sempre a mesma coisa: não sei. Só sei que as diferenças atrapalharam bastante, mas foi infinitamente mais forte a vontade de estar junto, de crescer e aprender a tolerar e evoluir. Hoje ainda somos luz e sombra, mas me digam: existe uma coisa sem a outra??

Amor é isso. Tudo isso e somente isso.