Enquanto tento administrar meu tempo entre empresa, emprego, sono, esposa, amigos, militância, animais... A vida corre e eu me pego tentando resolver essa história da papelada da adoção em doses homeopáticas.
Primeiramente, vamos esclarecer. A reunião passada não foi aquela correspondente ao tal curso para adotantes, foi apenas um procedimento comum aqui do Fórum da minha cidade. Depois daquele dia, levei semanas para juntar a documentação, apesar de não ser nada assim do outro mundo. Apenas depois de entregar tudo e esperar formarem uma turma de adotantes é que começa o tal curso com a duração de três encontros.
Ao solicitar as certidões negativas no Fórum, a moça pediu se podia fazer a minha e a da Cah juntas. Eu fiquei animada com a naturalidade do pedido e autorizei: recebi um único documento comprovando que tanto eu quanto a minha esposa não temos antecedentes criminais. Mas na hora de pedir o atestado de capacidade física e mental ao meu chefe (que é psicanalista), a dúvida pintou: segundo ele, cerca de 3 anos atrás um casal de amigas adotou uma criança, porém o pedido foi feito apenas no nome de uma delas, mesmo as duas vivendo na mesma casa. Ele pediu se eu queria fazer a declaração do casal ou apenas de uma de nós duas...
E agora? Arriscamos algo duvidoso ou vamos pelo óbvio?
O que pesou mais nessa questão foi o fato de que vamos tentar o casamento civil no ano que vem, logo, não poderia solicitar a adoção como solteira. E mesmo que não seja, me parece tão hipócrita fazer a solicitação como solteira, sendo que as visitas ocorrerão, as fotos mostram nós duas juntas e todas as pessoas que nos conhecem sabem que mantemos uma relação estável há anos. Não seria ridículo entrar com processo de adoção como solteira?? Qual a diferença para o juiz, uma vez que a criança vai conviver com duas mães de qualquer jeito?
São muitas dúvidas.... Por um lado, o judiciário alega que não são mais feitas restrições nos processos de adoção por casais homossexuais. Por outro, sabemos que a habilitação é concedida de forma bastante pessoal: dependemos da vontade da assistente social e do juiz. Assim corremos o risco, durante o percurso, de nosso processo esbarrar em um ou outro homofóbico (ou naquelas pessoas que trazem o velho discurso: "não tenho nada contra os gays...mas sei lá, colocar uma criança NESSE MEIO parece errado").
Temos consciência de que nossa vida é uma batalha constante. Apenas gostaria de ter as mesmas chances de ganhar um "habilitado" do que qualquer tentante.
Por fim, optei por apresentar um atestado do casal. Vamos agir como sempre agimos: juntas. Infelizmente só vamos saber como seremos recebidas no momento em que a assistente social ligar. Até lá...como sobreviver? rs
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quinta-feira, 24 de novembro de 2011
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Dois anos em poesia
Um registro para 30 de maio de 2011
sobre 30 de maio de 2009.
Se a gente resolver levar a cabo tudo o que vivemos em tempo real e costumeiro, meu amor, nossa vida em dois anos de casamento pode se transformar em dez.
Se eu pudesse mudar a vida de alguém para melhor a cada troca de olhar que tivemos, as mazelas do mundo já teriam desaparecido.
Se eu ganhasse um doce a cada gesto de amor que recebi nesses dois anos, já pesaria uns 200 Kg. Se o sentimento que tenho por você fosse concreto como uma pedra, já teríamos construído uma réplica em tamanho real das pirâmides do Egito.
Se precisasse guardar tudo o que aprendi com você em uma caixa, nesta caberia o Planeta Terra. Se eu tivesse ganho uma moeda a cada sorriso seu, Bill Gates me pediria emprestado.
Se o meu coração inflasse toda vez que escuto sua voz doce dizendo "eu te amo", já teria explodido há muito. Mas se o gelo derretesse diante do seu calor, viveríamos o fim do mundo agora.
Se a minha admiração por você fosse uma música, esta poderia ser uma orquestra inteira. Se o meu orgulho em andar ao seu lado tivesse nome, seria preciso criar uma nova terminologia.
Isso porque viver com você é sempre imenso, intenso, beirando o impossível, o inacreditável. Se tivesse que dizer "obrigada" simplesmente por ter me escolhido sua esposa, então teria que ter nascido falando...e nem mesmo se eu vivesse até os 100 anos teria tempo suficiente.
Explicar você é como justificar a mim mesma, então desisto e corto os versos ao meio por medo de estragar dando uma razão ao intangível: eu e você.
Meu amor, em dois anos de casamento já sei que o que temos não é uma relação e sim um encontro se renovando dia após dia. Obrigada por ter acreditado no destino.
P.S. Mas se me largar já sabe...vai sem as pernas rsss
sobre 30 de maio de 2009.
Se a gente resolver levar a cabo tudo o que vivemos em tempo real e costumeiro, meu amor, nossa vida em dois anos de casamento pode se transformar em dez.
Se eu pudesse mudar a vida de alguém para melhor a cada troca de olhar que tivemos, as mazelas do mundo já teriam desaparecido.
Se eu ganhasse um doce a cada gesto de amor que recebi nesses dois anos, já pesaria uns 200 Kg. Se o sentimento que tenho por você fosse concreto como uma pedra, já teríamos construído uma réplica em tamanho real das pirâmides do Egito.
Se precisasse guardar tudo o que aprendi com você em uma caixa, nesta caberia o Planeta Terra. Se eu tivesse ganho uma moeda a cada sorriso seu, Bill Gates me pediria emprestado.
Se o meu coração inflasse toda vez que escuto sua voz doce dizendo "eu te amo", já teria explodido há muito. Mas se o gelo derretesse diante do seu calor, viveríamos o fim do mundo agora.
Se a minha admiração por você fosse uma música, esta poderia ser uma orquestra inteira. Se o meu orgulho em andar ao seu lado tivesse nome, seria preciso criar uma nova terminologia.
Isso porque viver com você é sempre imenso, intenso, beirando o impossível, o inacreditável. Se tivesse que dizer "obrigada" simplesmente por ter me escolhido sua esposa, então teria que ter nascido falando...e nem mesmo se eu vivesse até os 100 anos teria tempo suficiente.
Explicar você é como justificar a mim mesma, então desisto e corto os versos ao meio por medo de estragar dando uma razão ao intangível: eu e você.
Meu amor, em dois anos de casamento já sei que o que temos não é uma relação e sim um encontro se renovando dia após dia. Obrigada por ter acreditado no destino.
P.S. Mas se me largar já sabe...vai sem as pernas rsss
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Nosso maio
Há dois anos escolhemos o mês de maio para celebrar nosso casamento do jeitinho que sonhamos desde que enfiamos os olhos uma na outra. Agora, por acidente, nosso filho que seria feito em abril vai chegar alguns dias antes do nosso aniversário de casamento.
E para melhorar a história, a lei nos fez o favor de legalizar a união estável homossexual quando? Maio.
Pois bem, decidimos que a efetivação do nosso contrato de casamento será feito nos embalos do nosso querido e sortudo mês. Ligamos para um cartório, o custo para o registro da documentação é R$ 89. Basta comparecer ao local com CPF e RG, duas testemunhas e pronto.
Só um porém, o dia 30 cairá justamente numa segunda-feira. Faz sentido casar numa segunda? É chique? rss Estamos aqui decidindo como será feito isso, mas dessa vez não terá festa, só um almoço básico para os amigos mais chegados. Aguardem novidades sobre o segundo casamento da família Ribeiro de Souza Fiorio.
E para melhorar a história, a lei nos fez o favor de legalizar a união estável homossexual quando? Maio.
Pois bem, decidimos que a efetivação do nosso contrato de casamento será feito nos embalos do nosso querido e sortudo mês. Ligamos para um cartório, o custo para o registro da documentação é R$ 89. Basta comparecer ao local com CPF e RG, duas testemunhas e pronto.
Só um porém, o dia 30 cairá justamente numa segunda-feira. Faz sentido casar numa segunda? É chique? rss Estamos aqui decidindo como será feito isso, mas dessa vez não terá festa, só um almoço básico para os amigos mais chegados. Aguardem novidades sobre o segundo casamento da família Ribeiro de Souza Fiorio.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Das coisas que mais gostamos
Adorei os selos que recebemos, já estão devidamente inseridos no blog! Esse novo a gente ganhou do blog MãesLes. Obrigada meninas!!!
Agora, como TODOS OS BLOGS DO PLANETA já receberam esse selo, vou apenas me prestar a postar as 5 coisas que a gente gosta de fazer. Como eu e a Camila somos absolutamente o oposto uma da outra, aqui vai um Top five duplo... ou melhor, triplo, porque afinal de contas tem muita coisa que adoramos fazer juntas hehe
1
Eu: Criar e escrever histórias de todo o tipo
Ela: Ler histórias de ficção
Nós: Ler em voz alta uma para a outra TUDO o que encontramos de divertido na internet
2
Eu: Assistir filmes super cabeça na sexta, super dramáticos no sábado e super idiotas no domingo
Ela: Assistir seriados policiais durante a semana e filmes românticos em qualquer momento da vida
Nós: Baixar 234349654 filmes e ver um atrás do outro terminando sempre com uma animação
3
Eu: Cozinhar todo o tipo de massas com molhos engordativos
Ela: Fazer mil doces geralmente de chocolate com chocolate
Nós: Comer brigadeiro no domingo para acompanhar as sessões de filmes
4
Eu: Agarrar meus gatos gordos e coçar as respectivas barrigas até cansar
Ela: Pegar todos os cães no colo um por um para que ninguém fique com ciúmes
Nós: Bater papo diariamente com toda a bicharada, inclusive com o peixe
5
Eu: Fazer cafuné por horas na Cah enquanto ela dorme
Ela: Me acordar com uma deliciosa massagem nos pés
Nós: Acordar várias vezes no sábado e ficar agarradinhas até ter coragem de levantar
Agora, como TODOS OS BLOGS DO PLANETA já receberam esse selo, vou apenas me prestar a postar as 5 coisas que a gente gosta de fazer. Como eu e a Camila somos absolutamente o oposto uma da outra, aqui vai um Top five duplo... ou melhor, triplo, porque afinal de contas tem muita coisa que adoramos fazer juntas hehe
1
Eu: Criar e escrever histórias de todo o tipo
Ela: Ler histórias de ficção
Nós: Ler em voz alta uma para a outra TUDO o que encontramos de divertido na internet
2
Eu: Assistir filmes super cabeça na sexta, super dramáticos no sábado e super idiotas no domingo
Ela: Assistir seriados policiais durante a semana e filmes românticos em qualquer momento da vida
Nós: Baixar 234349654 filmes e ver um atrás do outro terminando sempre com uma animação
3
Eu: Cozinhar todo o tipo de massas com molhos engordativos
Ela: Fazer mil doces geralmente de chocolate com chocolate
Nós: Comer brigadeiro no domingo para acompanhar as sessões de filmes
4
Eu: Agarrar meus gatos gordos e coçar as respectivas barrigas até cansar
Ela: Pegar todos os cães no colo um por um para que ninguém fique com ciúmes
Nós: Bater papo diariamente com toda a bicharada, inclusive com o peixe
5
Eu: Fazer cafuné por horas na Cah enquanto ela dorme
Ela: Me acordar com uma deliciosa massagem nos pés
Nós: Acordar várias vezes no sábado e ficar agarradinhas até ter coragem de levantar
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Procurando o girino ideal
Bem, é chegada a consulta de retorno dos exames com o médico da Cah. Eu estava curiosa para conhecê-lo, uma vez que minha excelentíssima havia se encantado com ele logo na primeira consulta. Na sala de espera aquele bando de barrigas proeminentes, só a gente lá dentro tinha cintura com menos de 100 cm. Mas com certeza o sorriso delas era maior - porque era duplo.
O médico é realmente muito legal, muito atencioso e muito tranquilo (leia-se: lento). Eu, ansiosa de nascença, já queria tirar os exames da mão dele (que eu já conhecia decor) e sair dizendo "ok ok ela não tem AIDS, nem Sifilis, nem Hipertireoidismo, nem X nem Y nem Z. Mas não. Esperei e esperei atéééé ele chegar no exame do útero, aquele antipático que apontou o mioma.
Para nossa felicidade, parece que vcs todas estavam certas: ele afirmou que o mioma é super pequeno e não irá interferir na gravidez de forma alguma. Os suspiros de alívio foram por motivos óbvios: a Cah suspirou por saber que seu maior sonho ainda poderia ser realizado; eu por saber que não teria que engravidar no lugar dela.
Enfim, vários UFA's depois, saímos de lá com uma carta de indicação para o banco de sêmen do Paraná. Agora é oficial: vamos escolher o doador! Acho que essa é a primeira diversão que teremos, deve ser muito interessante procurar o girininho ideal no meio de tantos. Nós combinamos que o doador teria as minhas características físicas (contra a minha vontade, é claro, pobrezinho do baby), mas tudo pode acontecer até lá. Ainda não sabemos bem como funciona, o médico explicou que faremos uma entrevista e depois teremos acesso a um login e senha (mudéééérnoo). Já estou eu imaginando praticamente um Facebook da procriação rss.
Aguardem novidades paternalísticas em breve.
O médico é realmente muito legal, muito atencioso e muito tranquilo (leia-se: lento). Eu, ansiosa de nascença, já queria tirar os exames da mão dele (que eu já conhecia decor) e sair dizendo "ok ok ela não tem AIDS, nem Sifilis, nem Hipertireoidismo, nem X nem Y nem Z. Mas não. Esperei e esperei atéééé ele chegar no exame do útero, aquele antipático que apontou o mioma.
Para nossa felicidade, parece que vcs todas estavam certas: ele afirmou que o mioma é super pequeno e não irá interferir na gravidez de forma alguma. Os suspiros de alívio foram por motivos óbvios: a Cah suspirou por saber que seu maior sonho ainda poderia ser realizado; eu por saber que não teria que engravidar no lugar dela.
Enfim, vários UFA's depois, saímos de lá com uma carta de indicação para o banco de sêmen do Paraná. Agora é oficial: vamos escolher o doador! Acho que essa é a primeira diversão que teremos, deve ser muito interessante procurar o girininho ideal no meio de tantos. Nós combinamos que o doador teria as minhas características físicas (contra a minha vontade, é claro, pobrezinho do baby), mas tudo pode acontecer até lá. Ainda não sabemos bem como funciona, o médico explicou que faremos uma entrevista e depois teremos acesso a um login e senha (mudéééérnoo). Já estou eu imaginando praticamente um Facebook da procriação rss.
Aguardem novidades paternalísticas em breve.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Perguntar não ofende... mas INCOMODA
Foi divertido receber tanta visita e comemorar a virada do ano com o entusiasmo secreto dos nossos planos para 2011. Já festejamos a chegada do bebê com tanta certeza que precisamos tomar todo o cuidado do universo para não deixar escapar a novidade na frente dos parentes.
Todavia, recebemos um copinho de água fria na cabeça um pouco antes da virada: a Cah foi fazer a eco e descobriu um mioma no útero. Ainda não sabemos se é grande ou pequeno, se é problemático ou não. Dia 10 falaremos com o médico sobre isso. Por enquanto não quero me contaminar, então estou pensando positivo - não há de ser um problema. E NÃO PODE SER MESMO!! Visto que prometi pra Camila que teríamos esse bebê de qualquer jeito e a opção "eu-grávida" meio que me apavora rss
Não sei como é para vocês, mas parece que ao passarmos para essa etapa mais família, a pergunta clássica "quem come quem?" deu lugar à "como decidiram quem vai engravidar?". Será mesmo que o mundo lésbico é assim TÃO interessante e diferente aos olhos do mundo?? Da minha parte, acho meio cansativo depois da décima vez que acontece, mas fico pensando qual será a próxima pergunta padrão que teremos que responder pelo resto de nossas vidas.
Imagina se eu chego para um casal hetero e pergunto: "ei, vocês gostam da posição frango-assado?" ou então chego na minha gineco e: "o que fez você decidir passar a vida cutucando vaginas?". E se engana quem acha que a saída é dar uma de esperta e bolar AQUELA resposta inteligentóide - as pessoas só sossegam mesmo com a respostinha normal. Tanta gente falando que casamento é monótono, começo a pensar que monótona mesmo é a vida social.
Todavia, recebemos um copinho de água fria na cabeça um pouco antes da virada: a Cah foi fazer a eco e descobriu um mioma no útero. Ainda não sabemos se é grande ou pequeno, se é problemático ou não. Dia 10 falaremos com o médico sobre isso. Por enquanto não quero me contaminar, então estou pensando positivo - não há de ser um problema. E NÃO PODE SER MESMO!! Visto que prometi pra Camila que teríamos esse bebê de qualquer jeito e a opção "eu-grávida" meio que me apavora rss
Não sei como é para vocês, mas parece que ao passarmos para essa etapa mais família, a pergunta clássica "quem come quem?" deu lugar à "como decidiram quem vai engravidar?". Será mesmo que o mundo lésbico é assim TÃO interessante e diferente aos olhos do mundo?? Da minha parte, acho meio cansativo depois da décima vez que acontece, mas fico pensando qual será a próxima pergunta padrão que teremos que responder pelo resto de nossas vidas.
Imagina se eu chego para um casal hetero e pergunto: "ei, vocês gostam da posição frango-assado?" ou então chego na minha gineco e: "o que fez você decidir passar a vida cutucando vaginas?". E se engana quem acha que a saída é dar uma de esperta e bolar AQUELA resposta inteligentóide - as pessoas só sossegam mesmo com a respostinha normal. Tanta gente falando que casamento é monótono, começo a pensar que monótona mesmo é a vida social.
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Escorregão número 2
Tão logo decidimos ter o bebê, combinamos que não contaríamos a novidade para ninguém (além de vcs que compartilham do mesmo sonho). Não passou uma semana e todos os meus amigos já estavam sabendo rs A Camila também não aguentou muito e logo foi soltando o verbo por aí.
Depois veio a segunda regrinha: não compraríamos nada NADA para o bebê antes de tê-lo minúsculo lá na barriguinha da Cah. Eis que hoje vou buscar a madame no trabalho e olha o que veio junto:
É....... Escorregão número dois da dupla, mas ao mesmo tempo dois corações cheios de macaquinhos sorridentes. Pois é, o (a) Enzo/Luiza ainda nem tem doador definido, mas já tem presente de Natal.
Eu sempre achei fofo bichinhos de pelúcia (eu e a torcida do flamengo), mas o primeiro bichinho de pelúcia do nosso bebê que ainda nem existe... Ahhh esse mereceu amassos e apertões até quase perder a forma.
E atire a primeira pedra quem nunca escorregou.
Depois veio a segunda regrinha: não compraríamos nada NADA para o bebê antes de tê-lo minúsculo lá na barriguinha da Cah. Eis que hoje vou buscar a madame no trabalho e olha o que veio junto:
É....... Escorregão número dois da dupla, mas ao mesmo tempo dois corações cheios de macaquinhos sorridentes. Pois é, o (a) Enzo/Luiza ainda nem tem doador definido, mas já tem presente de Natal.
Eu sempre achei fofo bichinhos de pelúcia (eu e a torcida do flamengo), mas o primeiro bichinho de pelúcia do nosso bebê que ainda nem existe... Ahhh esse mereceu amassos e apertões até quase perder a forma.
E atire a primeira pedra quem nunca escorregou.
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Tudo o que somos é apenas o que somos
"Ah é você vai poder adotar... que bom!" Esse foi o jeito que minha mãe encontrou de entender e aceitar minha sexualidade depois de tantas conversas. Ela sabia que esse era meu sonho, não o de ser mãe biológica, mas o de poder conquistar o amor de uma criança mesmo que não existam laços genéticos. Isso, somado ao carinho que meus pais têm por crianças me faz acreditar que o dia de dar a grande notícia será comemorado.
Transformar a ideia que as pessoas mais conservadoras têm em relação à nossa sexualidade é só um dos nossos desafios. Fazê-los entender que o sexo não é tudo o que nos motiva a buscar a plenitude em uma relação homossexual faz toda a diferença e digo isso por experiência própria. Meus pais só conseguiram encarar minha sexualidade numa boa mesmo quando passaram a conviver conosco, frequentar nossa casa, passar os feriados aqui participando da nossa vida.
Estendendo para a sociedade como um todo, creio que essa seja a conquista mais importante dos casais homoafetivos. Afinal, não lutamos apenas contra o preconceito dos heterossexuais, dos fanáticos e dos sexistas, lidamos com a questão moral (mesmo que hipócrita) a que nos confere o título de lésbicas. E como irrita quando a gente luta tanto para mostrar que tem uma vida extremamente normal quando chega a Parada Gay e o que vemos é a promiscuidade geral, se ao frequentar uma balada LGBT só o que vemos são meninas e meninos se agarrando em grupos, colocando o fetiche acima de qualquer coisa.Acredito que todos os lados cometem erros nesse sentido e, para piorar, parece que o mundo insiste em se separar, criar guetos estereotipados. Ao invés de conquistar os direitos de igualdade, acabam estimulando ainda mais o preconceito alegando que de fato somos tão diferentes a ponto de não querermos frequentar os mesmos lugares, ter os mesmos amigos. O hiato que se cria entre os grupos é só mais um nessa sociedade com mania de segmentação e ninguém - absolutamente ninguém - sai ganhando.
Por que um bar precisa ser diferenciado pela sexualidade dos frequentadores? Por que os filmes perdem as categorias de romance, ação, aventura, épicos quando trazem casais gays na trama? Por que nas novelas o personagem gay é sempre O Personagem Gay?
Para acabar com um preconceito desde a raiz precisamos fazer as pessoas se acostumarem com o diferente - que é o normal - ao contrário de tentar mostrar o tempo todo o quão diferente somos. Porque não somos de fato. Todos sentem, riem, choram, amam, odeiam, trabalham, estudam, pensam, saem, entram, fofocam, participam, convivem. Temos que ter orgulho do que somos e de tudo o que compõe nossa essência - incluindo a sexualidade - mas temos que lembrar de sermos iguais a todo mundo, senão seremos sempre O Personagem Gay onde quer que a gente vá. Eu sou lésbica, e sou jornalista, esposa, amiga, pisciana, ansiosa, tagarela, baixinha, ateia, branca, colorada, empresária. E serei mãe.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Dois buquês
Morávamos em São Paulo quando decidimos nos casar. Minha família estava toda no RS e a da Camila, em MG. Como unir todo mundo e encontrar tempo para organizar um evento legal (lembrando do quesito pobreza rs)? Salvas pelo gongo, a mãe da Camila se ofereceu para organizar a festa lá no interior de Minas.
Eu não queria convidar toda a minha família pq, além de ser muito numerosa, ainda não era muito bem aceita por todos. Em um mundo ideal, teríamos uma festa enorme com 500 convidados, mas nos concentramos em 50 pessoas rs
Do lado da Cah tudo foi mais fácil: família querendo comparecer em peso, amigos todos envolvidos. Resultado: dos 50 convidados, apenas 3 pessoas da minha família (mãe levemente contrariada, irmã e cunhado vibrantes). Capítulo à parte: meu pai recusou o convite e ficou em casa sozinho. No dia do casamento ele me ligou aos prantos arrependido. Sorry, tarde demais né?
A verdade é que nada atrapalhou nosso dia. A gente casou de branco e fez questão de um buquê cada uma. A gente fez a seleção das músicas especialmente para o dia. A gente fez o convite. A gente escolheu como seria a entrada, a cerimônia, onde ficariam os convidados, o que seria servido... Escolhemos um palestrante espírita para fazer o discurso e eu chorei desde a primeira palavrinha.
Nós usamos salto alto e as mesas tinham flores. Nós trocamos alianças jurando amor eterno e tivemos padrinho assinando o documento de união estável. Nossas mães choraram até se esgotar e nos arrependemos de não ter contratado fotógrafo.
Nós ganhamos a lua de mel em um hotel charmoso e mesmo um tanto alcoolizadas e mortas de cansaço aproveitamos muitoooooooooo cada segundo.
Nos sentimos donas da festa e verdadeiramente casadas. Nossas bochechas doíam no dia seguinte de tanto que sorrimos. Nós ficamos repetindo a palavra ESPOSA até cansar. Nós nos vimos diferente, o respeito e a admiração se multiplicaram do dia para a noite. Nós fizemos planos para o futuro. Nós jogamos os buquês e ganhamos mil abraços.
Nós nos casamos.
Eu não queria convidar toda a minha família pq, além de ser muito numerosa, ainda não era muito bem aceita por todos. Em um mundo ideal, teríamos uma festa enorme com 500 convidados, mas nos concentramos em 50 pessoas rs
Do lado da Cah tudo foi mais fácil: família querendo comparecer em peso, amigos todos envolvidos. Resultado: dos 50 convidados, apenas 3 pessoas da minha família (mãe levemente contrariada, irmã e cunhado vibrantes). Capítulo à parte: meu pai recusou o convite e ficou em casa sozinho. No dia do casamento ele me ligou aos prantos arrependido. Sorry, tarde demais né?
A verdade é que nada atrapalhou nosso dia. A gente casou de branco e fez questão de um buquê cada uma. A gente fez a seleção das músicas especialmente para o dia. A gente fez o convite. A gente escolheu como seria a entrada, a cerimônia, onde ficariam os convidados, o que seria servido... Escolhemos um palestrante espírita para fazer o discurso e eu chorei desde a primeira palavrinha.
Nós usamos salto alto e as mesas tinham flores. Nós trocamos alianças jurando amor eterno e tivemos padrinho assinando o documento de união estável. Nossas mães choraram até se esgotar e nos arrependemos de não ter contratado fotógrafo.
Nós ganhamos a lua de mel em um hotel charmoso e mesmo um tanto alcoolizadas e mortas de cansaço aproveitamos muitoooooooooo cada segundo.
Nos sentimos donas da festa e verdadeiramente casadas. Nossas bochechas doíam no dia seguinte de tanto que sorrimos. Nós ficamos repetindo a palavra ESPOSA até cansar. Nós nos vimos diferente, o respeito e a admiração se multiplicaram do dia para a noite. Nós fizemos planos para o futuro. Nós jogamos os buquês e ganhamos mil abraços.
Nós nos casamos.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Quando o coração grita
Quando conheci a Camila pela internet não imaginei que ela seria a minha história de amor mais bonita. Conversávamos todos os dias sobre tudo, e a cada momento eu descobria que, ao mesmo tempo em que não combinávamos em absolutamente nada, também crescia uma grande amizade e admiração. Mas bastou vê-la na minha frente que recebi um sinal. Era meu coração avisando que havia encontrado a mãe dos meus filhos.
Ela gostava de esportes, eu sempre fui a nerd do grupo. Ela adorava baladas, eu no máximo curtia um barzinho com amigos. Ela sempre adorou uma cervejinha, eu não bebo cerveja de jeito nenhum. Ela era toda saúde, eu fumava e fazia mil horas extras. Ela trabalhava para viver, eu vivia para trabalhar. Ela gostava de blockbusters, eu só frequentava cinema europeu. Ela gostava de comédias, eu de trajédias. Ela era doida por eletrônicos, eu mal sabia usar meu celular. Ela gostava de acordar cedo, eu sempre dormia tarde. Ela é louca por organização, eu nunca sei onde estão minhas coisas. Ela gosta dos números, eu das letras. Ela é espírita, eu atéia. Das coisas que ela odeia, eu acho graça. E vice-versa.
Ela quis casar. Eu quis mais ainda...
As pessoas sempre me perguntavam como eu podia ter essa certeza toda, eu dizia sempre a mesma coisa: não sei. Só sei que as diferenças atrapalharam bastante, mas foi infinitamente mais forte a vontade de estar junto, de crescer e aprender a tolerar e evoluir. Hoje ainda somos luz e sombra, mas me digam: existe uma coisa sem a outra??
Amor é isso. Tudo isso e somente isso.
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