Uma das descobertas mais dolorosas que eu fiz quando comecei a me perceber adulta é de como é difícil ser feliz.
É difícil demais aprender a equilibrar nossas expectativas com a realidade. Assim como também é difícil aceitar que a realidade é o que é, não mais e nem menos. E que querer mais é irreal - e não um sonho. Querer o que a realidade nos dá não é falta de ambição e sim adquirir a consciência de que a vida tem sua forma, seus caminhos, sua razão de ser.
Eu não sou religiosa, sou ateísta. Vivo num mundo mergulhado em "graças a deus", "que deus te acompanhe", "durma com os anjos", "deus ilumine seu caminho"... É exaustivo quando se acredita calorosamente que isso tudo é fruto de subterfúgios cultivados há séculos, milênios por todos os povos e que eu, pobre de mim, jamais conseguirei combater. Então, cansada de correr contra o vento, decido aceitar tais palavras como uma ordem de carinho recebida pelos mais queridos amigos e familiares. Foi uma sábia decisão. Com ela, não luto mais contra isso, não gasto mais energia com o inevitável.
Isso é aceitar a realidade. Não aceitá-la seria o mesmo que viver frustrada, brigando com o mundo e com as convicções do outro que - peraí - não deixa de ser reflexo da minha própria convicção!
Mas voltando ao ponto. É difícil ser feliz porque a vida nos empurra no sentido contrário. Nada no mundo faria sentido se não tivéssemos nós mesmos que descobri-lo em nosso próprio caminhar. Então o esforço, a dor, o sofrimento, as dificuldades e as barreiras que a vida nos impõe não são injustiças, castigos divinos ou o chamado de satã - como queiram definir. São nada menos do que a vida acontecendo.
E é por ser que vivemos. Se apenas o ser é fundamental para a vida, talvez a dificuldade em encontrar a felicidade (ou reconhecê-la) esteja em nossa tentativa de deixar de ser. Em ter, fazer, sustentar... Qualquer coisa que sufoque o ser.
E o que a Laura tem a ver com tudo isso? Tem que ela é uma menina que acaba de completar 3 anos de vida e que já carrega uma maletinha de situações curiosas, interessantes e também difíceis. Se temos pena? Não, nenhuma. Laura nasceu e vive sua história, ela encontrará seus meios para enfrentar os desafios - desafios esses que não são maiores do que os que enfrentamos todos nós. A grande questão é: se nós mesmos, adultas e com certa experiência de vida, amparadas uma pela outra, enfrentamos avessamente tantos obstáculos da vida, como saberemos nós a melhor maneira de ensiná-la a fazer isso com sabedoria?
Creio que só seja possível alcançarmos juntas. Então, como tropeço na difícil arte do caminhar, desconfio que ainda vamos esbarrar na felicidade por aí.
sábado, 10 de agosto de 2013
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Dia das mães com certidão em mãos!
Depois de saída a sentença, fiquei de olho no prazo do processo para retirada da certidão de nascimento da Laura. Como ela foi registrada inicialmente em Belo Horizonte, onde nasceu, foi necessário solicitar o cancelamento do documento por lá para então obtermos a autorização de registrá-la aqui, onde vivemos.
E esse dia finalmente chegou: às 15h30 do dia 06 de maio tomei posse da certidão de nascimento da Laura. Lá no topo, seu nome completo; logo abaixo, eu e Cah no campo Filiação. Depois, avós maternos de ambos os lados.
A sensação? Não sei dizer... Eu resolvi fazer a certidão sozinha em segredo para presentear a Cah no Dia das Mães, então não pude ligar para ela e desabar chorando. Tampouco quis pagar mico no cartório, que estava cheio de gente. Fiquei o tempo todo tentando fazer meu pensamento fugir desse que foi um dos acontecimentos mais importantes da minha vida. Engasguei diversas vezes e quando me entregaram o documento pronto, agradeci à moça como se ela tivesse me dado a Laura embrulhada pra presente. O resto do dia pouco trabalhei. E como era de se imaginar, não consegui segurar a surpresa até domingo, naquela noite mesmo entreguei o "presente" à Camila, que ficou tão besta quanto eu. E aí sim pudemos chorar nossa vitória.
Nossa família nasceu.
No Dia das Mães, cercadas de amigos e crianças, curtimos um presente ainda mais legal! Uma matéria publicada no canal iGay do portal IG estampando nossa felicidade assim, para quem quisesse ver.
http://igay.ig.com.br/2013-05-12/nosso-primeiro-dia-das-maes---camila-e-vivian-adoram-filha-laura.html
Pode ser melhor???
Aproveito aqui para deixar muitos beijos e abraços a todas as mamães (e futuras também, pois sonhar já é ser um pouquinho mãe) que nos acompanham por aqui =)
E esse dia finalmente chegou: às 15h30 do dia 06 de maio tomei posse da certidão de nascimento da Laura. Lá no topo, seu nome completo; logo abaixo, eu e Cah no campo Filiação. Depois, avós maternos de ambos os lados.
A sensação? Não sei dizer... Eu resolvi fazer a certidão sozinha em segredo para presentear a Cah no Dia das Mães, então não pude ligar para ela e desabar chorando. Tampouco quis pagar mico no cartório, que estava cheio de gente. Fiquei o tempo todo tentando fazer meu pensamento fugir desse que foi um dos acontecimentos mais importantes da minha vida. Engasguei diversas vezes e quando me entregaram o documento pronto, agradeci à moça como se ela tivesse me dado a Laura embrulhada pra presente. O resto do dia pouco trabalhei. E como era de se imaginar, não consegui segurar a surpresa até domingo, naquela noite mesmo entreguei o "presente" à Camila, que ficou tão besta quanto eu. E aí sim pudemos chorar nossa vitória.
Nossa família nasceu.
No Dia das Mães, cercadas de amigos e crianças, curtimos um presente ainda mais legal! Uma matéria publicada no canal iGay do portal IG estampando nossa felicidade assim, para quem quisesse ver.
http://igay.ig.com.br/2013-05-12/nosso-primeiro-dia-das-maes---camila-e-vivian-adoram-filha-laura.html
Pode ser melhor???
Aproveito aqui para deixar muitos beijos e abraços a todas as mamães (e futuras também, pois sonhar já é ser um pouquinho mãe) que nos acompanham por aqui =)
domingo, 28 de abril de 2013
A lenda do desfralde
Hoje, um domingo lindo nascido depois de um sábado exaustivo, seguido de uma semana loucamente cansativa, eu e esposa dormíamos serenamente quando fomos acordadas por um serzinho que sussurrava:
- Mãe, todô!
Laura acordou. Feliz da vida porque finalmente aprendeu a levantar da cama, abrir a porta e sair ao invés de ficar lá sentada como se não andasse, gritando MANHÊÊÊ como se não houvesse amanhã. Sim. Laura teve que ser estimulada a sair do quarto por conta própria, como também teve que ser estimulada a brincar, pular e fazer inúmeras atividades que tantas crianças fazem normalmente. E não estou contando isso para fazer brotar a compaixão no coração da humanidade - odeio compaixão. Falei por que isso talvez dê bases para que entendam como está sendo o processo de desfralde aqui em casa.
Pois bem, antes de ter filhos eu tinha pânico do desfralde. Me apavorava com a ideia de ter uma criança se mijando toda pela casa, me via limpando xixi por todo o canto, tudo fedendo, etc. Mas lá por outubro ou novembro, época em que a Laura entrou na escolinha, deu a louca e tirei a tal da fralda. Então, para quem ainda não se aventurou, aqui vai nosso beabá:
No segundo dia ela concentrou seu ódio no penico. Assim que o viu abriu o maior berreiro, não quis saber de sentar no dito cujo e mandá-la fazer xixi parecia o mesmo que dizer: "filha, vá para a forca e morra". Mesmo assim não teve nenhum vazamento, mesmo contrariadíssima ela fez xixi no penico bem bonitinha.
Nos dias que se seguiram, como o mau humor aumentava, Camila resolveu colocar o penico na sala, assim ficaria mais perto de nós e talvez não se irritasse tanto. Deu super certo, ela fez as pazes com a privadinha e voltou à animação do primeiro dia. Nesse ponto, resolvemos avisar na escola que estávamos mantendo-a sem fralda durante o dia, que se possível dessem continuidade ao trabalho por lá.
Material usado: calcinhas, pano, desinfetante e paciência.
Recursos adicionais: convite para fazer xixi a cada 2 minutos e meio (não eram perguntas, eram CONVITES, creio que faz toda a diferença quando a criança está na fase do NÃO), dancinha do xixi e do cocô feliz, tchau para o xixi, repetição do ritual pós-penico: levanta do penico, limpa a perereca, coloca a calcinha, dá a descarga.
Resultado: nem contabilizei quantos xixis tivemos na calça, mas foram poucos, pouquíssimos, nem cheguei a me irritar.
Tirada de fralda primeira etapa: sucesso total.
Mas quando o dia chegou, chegou chegando. Tiramos e ela fez direitinho a parte dela. Dois momentos foram cruciais para percebermos de que ela estava mesmo preparada para viver sem fraldas:
1- Um dia eu retornando para casa com ela quando encaro um belo congestionamento. Lá pelas tantas, Laura fala a frase arrepiante "Mãe, té xixi". Olhei para ela disfarçando a tensão e falei: "agora não filha, mas quando a gente chegar em casa você pode fazer xixi ok? (por favor por favor por favor por favor)". Ela: "tá bom!" E cumpriu o combinado, chegamos em casa muitos minutos depois e a calcinha estava seca.
2- Pouco tempo depois de tirarmos a fralda nos trajetos, encaramos uma viagem longa para o RS. Foram 7 horas na ida e 10 horas na volta. Paramos duas vezes em cada etapa, Laura não pediu para parar nenhuma vez e fez xixi somente nos banheiros. Sei que não estava apertada, pois seguiu brincando e se divertindo - e até dormindo - numa boa o caminho todo.
Material usado: calcinhas.
Recursos adicionais: nenhum.
Resultado: Laura nunca fez xixi na cadeirinha, então o resultado não poderia ser melhor.
Tirada de fralda segunda etapa: sucesso total.
Mas como acontece sempre, um belo dia a gente se jogou na coisa: enfiamos um saco de lixo gigante na cama sob o lençol, reduzimos o líquido da noite e fizemos a lição de casa com a pimpolha. Ela já estava sendo adestrada para isso há um tempinho, mas o lance foi mais intenso no dead line. E assim começou:
1º dia: cama sequinha de manhã, criança e mamães felizes a cantar. Esse foi o assunto que reinou no café da manhã e a Laura não parava de falar sobre o fato, não duvido que tenha contado até para a professora.
2º dia: mais um dia de cama sequinha e eu já começava a respirar - então minha filha seria dessas crianças iluminadas?
3º dia: HA-HA. Acordei e lidei com uma criança tão enxarcada que deu a impressão de que ela fez xixi plantando bananeira na cama. Fiquei irritada e tal, expliquei que ela deveria ter levantado e feito xixi no penico, mas ok né? Acontece.
4º dia: mais xixi e mamãe aqui um pouquinho menos paciente explicando o que ela deveria fazer e quase esquecendo de imprimir na voz aquele tom positivo ideal para uma maternidade saudável.
5º dia: só não tinha mais xixi porque senão faltaria espaço para o cocô. Sim, uma criança que nunca havia feito cocô na calça, que sempre foi um reloginho, desregulou. E a mãe aqui desregulou mais ainda: dei bronca, perdi a paciência, tirei a roupa suja aos puxões e dei um banho com zero amor. Como parecia que ela não se importava, aquilo me frustrava ainda mais. Ridículo eu sei, mas eu sou assim: ridícula e irracional de manhã.
6º dia: cheguei no quarto e vi a cena: lençol e plástico no chão, criança deitada no colchão cheia de xixi... (calma que agora vem a parte difícil)... Cantando. Sim, ela estava cantando. Tarja preta para o meu momento surtado: fiz tudo o que não podia fazer, briguei, gritei, falei sem parar por vários minutos, fiquei de mau humor o resto da manhã, coloquei criança de castigo por ter tirado o plástico, etc. Um horror. Depois desse show matinal, liguei pra Camila que estava no trabalho e desandei a contar tudo e dizer que eu não ia me arrepender de coisa nenhuma, que aquela criança tava fazendo de propósito e que tudo se foda. Cinco minutos depois uma culpa me corroeu fundo e fui bater um papo com uma Laura triste. Falei coisas mais positivas, usei voz calma, olhei no olho, abracei, convidei para brincar... Enfim, o equilíbrio em pessoa.
Material usado: máquina de lavar, vários pijamas, calcinhas e lençóis, grandes doses de irritação.
Recursos adicionais: gritos, broncas e daí para pior. Cheguei a tirá-la da cama uma noite para fazer xixi, mas morri de pena porque ela dorme muito bem. O habitual era reduzir líquidos à noite, mandar fazer xixi antes de dormir e logo ao acordar.
Resultado: começou bem, mas graças à habilidade maternal aqui, o negócio desandou.
Tirada de fralda segunda etapa: fracasso total.
Depois de alguns dias com xixi diário na cama, eu disfarçando a raiva de ter que fazer a cama e lavar tudo todos os dias para não sobrecarregar nossa gostosinha que não tem culpa de ter uma mãe estressada, passamos a considerar outras opções. Em uma conversa com uma amiga que é psicóloga, mãe e super ponderada, contei a novela do desfralde noturno e perguntei se ela achava que seria problemático voltar às fraldas à essa altura da história. A decisão foi tomada depois de eu ouvir a pergunta: "O que você acha que será mais traumático: ela acordar todos os dias vendo você fingir que não se irrita ou voltar a usar fraldinha por um tempo e ter a mamãe feliz de volta?"
Né gente, eu sempre levando os tapas na cara. Fui pra casa decidida a voltar para as fraldas. À noite, na hora de dormir, conversei com ela. Mostrei a fralda e falei que eu a admirava por se esforçar em fazer xixi no penico, e que o xixi na cama não era um problema, que iríamos colocar a fralda de novo e mais tarde tentaríamos mais uma vez. Que isso significava que ela estava crescendo e aprendendo a ser uma criança maiorzinha e que a mamãe estava (cof cof) super feliz com isso. Aplausos.
1º dia de fralda: Laura acorda feliz da vida dizendo que não fez xixi na cama. Te falar? Psicologia infantil não é ciência, é praga rs
A partir desse dia, hoje ela completa 4 dias de retorno às fraldas e além de não fazer um pingo de xixi na cama, também aprendeu a sair da cama e abrir a porta. Não sei ainda quando vamos tirar novamente, mas fica a dica para quem vai passar por isso: escândalos matinais não resolvem.
Então a grande lição é: não superestime seus poderes de mãe - uma cama molhada ainda pode te derrubar!
Ok, agora a lição verdadeira: o aprendizado no ser humano não é linear, e sim espiral. Aprendemos e desaprendemos a todo o instante e isso é muito fácil de perceber nas crianças, pois elas ainda sabem poucas coisas. Portanto tudo tem que ser incansavelmente repetido e sim, temos que agir de forma positiva, pois eles percebem nosso olhar raivoso e tom de cobrança, sensação horrível que acabam carregando para a vida.
- Mãe, todô!
Laura acordou. Feliz da vida porque finalmente aprendeu a levantar da cama, abrir a porta e sair ao invés de ficar lá sentada como se não andasse, gritando MANHÊÊÊ como se não houvesse amanhã. Sim. Laura teve que ser estimulada a sair do quarto por conta própria, como também teve que ser estimulada a brincar, pular e fazer inúmeras atividades que tantas crianças fazem normalmente. E não estou contando isso para fazer brotar a compaixão no coração da humanidade - odeio compaixão. Falei por que isso talvez dê bases para que entendam como está sendo o processo de desfralde aqui em casa.
Pois bem, antes de ter filhos eu tinha pânico do desfralde. Me apavorava com a ideia de ter uma criança se mijando toda pela casa, me via limpando xixi por todo o canto, tudo fedendo, etc. Mas lá por outubro ou novembro, época em que a Laura entrou na escolinha, deu a louca e tirei a tal da fralda. Então, para quem ainda não se aventurou, aqui vai nosso beabá:
Primeira etapa
Começamos testando a reação dela só em casa e durante o dia. Foi um sucesso no primeiro dia, ela amou ficar sem fraldas e se empolgou total com a dancinha senta e levanta no penico. Inicialmente tive medo de deixá-la curtir o sofá da sala, já que a impermeabilização não funciona para o xixi (oi?). Ficava de minuto a minuto convidando: "vamos fazer xixi filha!" Pegava pela mão a criatura e levava para o penico lá no banheiro, ensinava a tirar a calça, blablabla.No segundo dia ela concentrou seu ódio no penico. Assim que o viu abriu o maior berreiro, não quis saber de sentar no dito cujo e mandá-la fazer xixi parecia o mesmo que dizer: "filha, vá para a forca e morra". Mesmo assim não teve nenhum vazamento, mesmo contrariadíssima ela fez xixi no penico bem bonitinha.
Nos dias que se seguiram, como o mau humor aumentava, Camila resolveu colocar o penico na sala, assim ficaria mais perto de nós e talvez não se irritasse tanto. Deu super certo, ela fez as pazes com a privadinha e voltou à animação do primeiro dia. Nesse ponto, resolvemos avisar na escola que estávamos mantendo-a sem fralda durante o dia, que se possível dessem continuidade ao trabalho por lá.
Material usado: calcinhas, pano, desinfetante e paciência.
Recursos adicionais: convite para fazer xixi a cada 2 minutos e meio (não eram perguntas, eram CONVITES, creio que faz toda a diferença quando a criança está na fase do NÃO), dancinha do xixi e do cocô feliz, tchau para o xixi, repetição do ritual pós-penico: levanta do penico, limpa a perereca, coloca a calcinha, dá a descarga.
Resultado: nem contabilizei quantos xixis tivemos na calça, mas foram poucos, pouquíssimos, nem cheguei a me irritar.
Tirada de fralda primeira etapa: sucesso total.
Segunda etapa
Como a coisa toda tava uma maravilha, arriscamos tirar a fralda também durante os percursos de carro. Nosso maior medo aqui era que se rolasse uma escapada o trabalho seria triplo - santa paciência tirar a capa daquela cadeirinha para lavar -, sem contar que percorremos com ela longos trajetos cada vez que saímos de casa. Tudo isso fez com que levássemos algumas semanas para criar coragem.Mas quando o dia chegou, chegou chegando. Tiramos e ela fez direitinho a parte dela. Dois momentos foram cruciais para percebermos de que ela estava mesmo preparada para viver sem fraldas:
1- Um dia eu retornando para casa com ela quando encaro um belo congestionamento. Lá pelas tantas, Laura fala a frase arrepiante "Mãe, té xixi". Olhei para ela disfarçando a tensão e falei: "agora não filha, mas quando a gente chegar em casa você pode fazer xixi ok? (por favor por favor por favor por favor)". Ela: "tá bom!" E cumpriu o combinado, chegamos em casa muitos minutos depois e a calcinha estava seca.
2- Pouco tempo depois de tirarmos a fralda nos trajetos, encaramos uma viagem longa para o RS. Foram 7 horas na ida e 10 horas na volta. Paramos duas vezes em cada etapa, Laura não pediu para parar nenhuma vez e fez xixi somente nos banheiros. Sei que não estava apertada, pois seguiu brincando e se divertindo - e até dormindo - numa boa o caminho todo.
Material usado: calcinhas.
Recursos adicionais: nenhum.
Resultado: Laura nunca fez xixi na cadeirinha, então o resultado não poderia ser melhor.
Tirada de fralda segunda etapa: sucesso total.
Terceira etapa
Quem pegou no sono com tanto tédio agora pode acordar que a ladainha começou rs Depois de meses usando fraldas apenas para dormir, eu e Camila fugindo sempre da conversa enfim decidimos encarar: já era hora de tirar a fralda noturna. Como sempre esquecíamos de comprar aquela capa para forrar o colchão, fomos adiando a data, o que não sei se foi bom. Afinal, Laura muitas vezes deu sinal de que era capaz de segurar o xixi durante a noite - várias manhãs vieram com fralda sequinha. Mas passava o tempo e o xixi voltava a surgir, nos desencorajando a começar a terceira e dolorosa etapa.Mas como acontece sempre, um belo dia a gente se jogou na coisa: enfiamos um saco de lixo gigante na cama sob o lençol, reduzimos o líquido da noite e fizemos a lição de casa com a pimpolha. Ela já estava sendo adestrada para isso há um tempinho, mas o lance foi mais intenso no dead line. E assim começou:
1º dia: cama sequinha de manhã, criança e mamães felizes a cantar. Esse foi o assunto que reinou no café da manhã e a Laura não parava de falar sobre o fato, não duvido que tenha contado até para a professora.
2º dia: mais um dia de cama sequinha e eu já começava a respirar - então minha filha seria dessas crianças iluminadas?
3º dia: HA-HA. Acordei e lidei com uma criança tão enxarcada que deu a impressão de que ela fez xixi plantando bananeira na cama. Fiquei irritada e tal, expliquei que ela deveria ter levantado e feito xixi no penico, mas ok né? Acontece.
4º dia: mais xixi e mamãe aqui um pouquinho menos paciente explicando o que ela deveria fazer e quase esquecendo de imprimir na voz aquele tom positivo ideal para uma maternidade saudável.
5º dia: só não tinha mais xixi porque senão faltaria espaço para o cocô. Sim, uma criança que nunca havia feito cocô na calça, que sempre foi um reloginho, desregulou. E a mãe aqui desregulou mais ainda: dei bronca, perdi a paciência, tirei a roupa suja aos puxões e dei um banho com zero amor. Como parecia que ela não se importava, aquilo me frustrava ainda mais. Ridículo eu sei, mas eu sou assim: ridícula e irracional de manhã.
6º dia: cheguei no quarto e vi a cena: lençol e plástico no chão, criança deitada no colchão cheia de xixi... (calma que agora vem a parte difícil)... Cantando. Sim, ela estava cantando. Tarja preta para o meu momento surtado: fiz tudo o que não podia fazer, briguei, gritei, falei sem parar por vários minutos, fiquei de mau humor o resto da manhã, coloquei criança de castigo por ter tirado o plástico, etc. Um horror. Depois desse show matinal, liguei pra Camila que estava no trabalho e desandei a contar tudo e dizer que eu não ia me arrepender de coisa nenhuma, que aquela criança tava fazendo de propósito e que tudo se foda. Cinco minutos depois uma culpa me corroeu fundo e fui bater um papo com uma Laura triste. Falei coisas mais positivas, usei voz calma, olhei no olho, abracei, convidei para brincar... Enfim, o equilíbrio em pessoa.
Material usado: máquina de lavar, vários pijamas, calcinhas e lençóis, grandes doses de irritação.
Recursos adicionais: gritos, broncas e daí para pior. Cheguei a tirá-la da cama uma noite para fazer xixi, mas morri de pena porque ela dorme muito bem. O habitual era reduzir líquidos à noite, mandar fazer xixi antes de dormir e logo ao acordar.
Resultado: começou bem, mas graças à habilidade maternal aqui, o negócio desandou.
Tirada de fralda segunda etapa: fracasso total.
Depois de alguns dias com xixi diário na cama, eu disfarçando a raiva de ter que fazer a cama e lavar tudo todos os dias para não sobrecarregar nossa gostosinha que não tem culpa de ter uma mãe estressada, passamos a considerar outras opções. Em uma conversa com uma amiga que é psicóloga, mãe e super ponderada, contei a novela do desfralde noturno e perguntei se ela achava que seria problemático voltar às fraldas à essa altura da história. A decisão foi tomada depois de eu ouvir a pergunta: "O que você acha que será mais traumático: ela acordar todos os dias vendo você fingir que não se irrita ou voltar a usar fraldinha por um tempo e ter a mamãe feliz de volta?"
Né gente, eu sempre levando os tapas na cara. Fui pra casa decidida a voltar para as fraldas. À noite, na hora de dormir, conversei com ela. Mostrei a fralda e falei que eu a admirava por se esforçar em fazer xixi no penico, e que o xixi na cama não era um problema, que iríamos colocar a fralda de novo e mais tarde tentaríamos mais uma vez. Que isso significava que ela estava crescendo e aprendendo a ser uma criança maiorzinha e que a mamãe estava (cof cof) super feliz com isso. Aplausos.
1º dia de fralda: Laura acorda feliz da vida dizendo que não fez xixi na cama. Te falar? Psicologia infantil não é ciência, é praga rs
A partir desse dia, hoje ela completa 4 dias de retorno às fraldas e além de não fazer um pingo de xixi na cama, também aprendeu a sair da cama e abrir a porta. Não sei ainda quando vamos tirar novamente, mas fica a dica para quem vai passar por isso: escândalos matinais não resolvem.
Resumo da ópera
Por mais que a gente se prepare para o momento; que saiba que essa é uma tarefa simples para nós, mas importantíssima e muito difícil para os pequenos; que saiba que temos que ter muita paciência e amor, criando estímulos para que a criança aprenda a controlar seu xixi; que isso funcione como um trampolim para que a criança se torne mais segura e independente... Por mais que a gente saiba de tudo isso, na hora do vamovê a situação é: você trabalhou até tarde, acordou todos os dias da semana com - além das tarefas habituais - cama molhada, lençol, cobertor, travesseiro, pijama, calcinha, meia e criança para lavar, falou a mesma coisa infinitas vezes e a criança parece ter entendido mas é difícil saber o que realmente entende uma criança de 2 anos. Enfim, você está com frio, cansada e estressada antes de tomar o café da manhã.Então a grande lição é: não superestime seus poderes de mãe - uma cama molhada ainda pode te derrubar!
Ok, agora a lição verdadeira: o aprendizado no ser humano não é linear, e sim espiral. Aprendemos e desaprendemos a todo o instante e isso é muito fácil de perceber nas crianças, pois elas ainda sabem poucas coisas. Portanto tudo tem que ser incansavelmente repetido e sim, temos que agir de forma positiva, pois eles percebem nosso olhar raivoso e tom de cobrança, sensação horrível que acabam carregando para a vida.
segunda-feira, 22 de abril de 2013
Enfim nossa!
Hoje, dia 22 de abril de 2013, exatamente 9 meses e dois dias depois de pegarmos a Laura no colo pela primeira vez na vida, podemos encher o peito de orgulho para dizer: ela é nossa!
Tudo começou na quinta-feira passada. Eu havia passado o dia cobrindo evento fora de casa, cheguei exausta, irritada, cheia de trabalhos acumulados. Era 19h quando sentei em frente ao computador e acessei o site do Projudi certa de que mais uma vez entraria lá para ver nada. Mas adoro viver sem expectativas, pois é aí que as boas notícias acontecem: estava lá o documento redigido pela juíza da nossa comarca confirmando o que nosso coração já sabia - Laura é, enfim, nossa filha legítima.
Eu nem consegui terminar de ler o texto e já caí no choro. Nesse momento, nós três ali diante do computador nos amassamos como uma verdadeira família deve fazer. Laura parecia sentir, pois comemorava feliz da vida nos enchendo de beijos - okey, ela comemora qualquer coisa, mas deixa eu acreditar rs.
Fomos hoje ao cartório da Vara da Infância e Juventude para tomar ciência da sentença. Em dez dias teremos a certidão da Laura em mãos. Nos espaços em branco, terá nossos nomes e dos nossos pais como avós de Laura Ribeiro de Souza Fiorio.
Indescritível.
Tudo começou na quinta-feira passada. Eu havia passado o dia cobrindo evento fora de casa, cheguei exausta, irritada, cheia de trabalhos acumulados. Era 19h quando sentei em frente ao computador e acessei o site do Projudi certa de que mais uma vez entraria lá para ver nada. Mas adoro viver sem expectativas, pois é aí que as boas notícias acontecem: estava lá o documento redigido pela juíza da nossa comarca confirmando o que nosso coração já sabia - Laura é, enfim, nossa filha legítima.
Eu nem consegui terminar de ler o texto e já caí no choro. Nesse momento, nós três ali diante do computador nos amassamos como uma verdadeira família deve fazer. Laura parecia sentir, pois comemorava feliz da vida nos enchendo de beijos - okey, ela comemora qualquer coisa, mas deixa eu acreditar rs.
Fomos hoje ao cartório da Vara da Infância e Juventude para tomar ciência da sentença. Em dez dias teremos a certidão da Laura em mãos. Nos espaços em branco, terá nossos nomes e dos nossos pais como avós de Laura Ribeiro de Souza Fiorio.
Indescritível.
segunda-feira, 15 de abril de 2013
Visita da Dora
No início da semana passada a agenda da escola da Laura veio com um recadinho: "mães, no próximo fim de semana a Laura levará o peixinho para casa". A escola tem essa proposta de que cada fim de semana uma criança leva um peixinho e fica responsável por ele, devolvendo-o na segunda. Só de ouvir falar no assunto já mil argumentos pulam na minha cabeça e o fato é que não, eu não gosto dessa ideia.
Não me entendam mal, eu ADORO peixe. Nós já tivemos 3 peixinhos fofos, sendo que a mais velha, a Kika, ficou conosco por muitos anos, quando morreu eu chorei e fiz luto como acontece com qualquer outro animal de estimação. Eu gosto tanto de peixinhos que não concordo com a ideia de fazer do mesmo um objeto, uma experiência. Aloww, a Laura convive com SEIS animais de estimação! Se é para aprender a respeitar uma vidinha, ter responsabilidades, etc, tudo isso ela aprende x6. Mas ok né? Futuras mamães aí lembrem-se de que a vida tem dessas.
Na sexta-feira, ao buscá-la na escola, veio então o dito cujo - que na verdade é uma dita cuja chamada Dora, uma peixinha beta linda e feliz.
Recebemos a encomenda com aquele nosso mau humor característico. Ainda mais ao constatar que o aquário não tinha tampa e nós temos gatos - um deles bem atentado (corta para a cena de eu dirigindo a 60 km/h na BR e a Cah segurando o aquário que não parava de balançar com a coitada da Dora agitando lá dentro).
Ao chegar em casa, colocamos o pobre ser dentro do armário para passar a noite - isso nos daria tempo para pensar em como cuidar para que ele não fosse devorado nos próximos dois dias. Na mochila dela havia comida, produtos para a água e o Diário do Peixinho. Abri o diário: "Olá! Você está recebendo a visita da Dora! bla bla bla". O texto falava sobre os cuidados e a seguir os pais relatavam a experiência - uma mais incrível e empolgante que a outra (de onde vêm esses pais?). E a gente gostando cada vez mais rs
Respirei fundo e falei: vamos lá, se Laura recebeu essa tarefa, ela vai fazer da melhor forma e pronto. Cah complementou: tira uma foto do peixe, assim se alguém o comer compramos outro igual.
- Vamos dar papá para a Dora filha? Já está na hora do jantar da sua amiguinha! (essa fui eu toda alegria de viver). Abri o pote de ração e...
Derrubei tudo no chão. Bolinhas minúsculas espalhadas pelo quarto, gatos querendo comer tudo, eu sem paciência NE-NHU-MA comecei a resmungar putadavida. Cah riu muito da minha cara.
Corta novamente para a cena de nós ajoelhadas no chão catando bolinhas e colocando no pote. Mas o que para mim começou como uma tarefa super hiper irritante, terminou como sempre termina tudo o que fazemos com a Laura. Ela ajudando a recolher as bolinhas, de repente parou, me deu um baita abraço apertado e falou:
- Mãe, timamu!
Tem como ficar de mau humor??? Hoje, ao devolver a Dora, entreguei também o Diário com um texto bobo-alegre igual ao dos outros pais.
quarta-feira, 27 de março de 2013
O cabelo da nega
Sabendo que a Laura viria para uma família de brancos, para uma região de predominância branca, não nos surpreendeu que ela fosse a única criança negra da escola. Aliás, ela é a única criança negra em vários lugares. E já tive que ouvir muitas vezes, ao fazer essas observações acima, que não devemos vê-la como uma criança NEGRA. Ela é apenas uma criança igual às outras, que perceber isso só faz com que alimentemos o racismo dentro de nós. Oi?
Sempre saio com a sensação de que me chamam de racista pelo simples fato de VER a minha filha como ela é! Ver sua cor, reconhecer sua raça e valorizar a cultura de seus antepassados, tudo isso faz parte de uma luta de séculos pela visibilidade negra. Se eu, caucasiana, opto por ignorar esse "detalhe", estou corroborando para aquela tática estrategicamente cega que predomina o nosso mundinho safado: "racismo não existe mais".
Assim, tratamos de trabalhar muito bem a autoestima da nossa fofolete, enaltecendo todos os atributos pessoais e referentes à raça. Vamos combinar que isso não dá muito trabalho, visto que minha filha é linda de morrer (cof cof).
E um dos alvos principais do racismo cotidiano é, sem dúvida, o cabelo afro. Gente como o povo se incomoda com a revolta dos cachos! O cabelo dela é lindo, cheio de personalidade, super versátil, permite um sem número de penteados, fica bom de qualquer jeito, não tem dia ruim, não tem problema em ficar armado, não precisa lavar todos os dias, etc. São tantas qualidades que não consigo mais ter tolerância com comentários adversos.
Mas eles acontecem, pois não tenho como impedir a proliferação da ignorância do povo. E acontecem tão agressivamente sob sorrisos "amigáveis" que nos deixam, muitas vezes, sem resposta. Parece que eles têm o poder de entalar um caroço na nossa garganta, impedindo-nos de sair em defesa do absurdo para que eles possam seguir suas vidas medíocres balançando seus cabelos lindos.
Um dia saímos à caça de um espaço para fazer a festa de aniversário da Laura e nos apaixonamos por uma chácara. Uma senhora nos atendeu e mostrou todo o lugar, o tempo inteiro sendo simpática com a Laura, pegando na mão, fazendo-lhe gracinhas. Bem, as mães de plantão aqui vão concordar: quando alguém trata bem nossos filhos, baixamos a guarda e guardamos as garras. E foi assim, durante mais de uma hora passeamos pelo local conversando, volta e meia ela fazia umas perguntinhas sobre adoção, tudo na maior paz. Até que.
Na hora de ir embora, ela solta: "Ah essa Laura é muito linda, pena que quando crescer vai sofrer com esse cabelo". A Camila tirou força do útero para tentá-la ajudar a reparar a indelicadeza: "sofrer para pentear?"
Mas ela não entendeu a deixa e lascou o derradeiro: "Pra tudo! Agora ela não liga, mas quando crescer vai ter que alisar né? Ela não vai querer ficar com esse cabelo quando todo mundo tem cabelo liso bonito".
Aquilo doeu tanto que nos deixou sem ação. Só viramos as costas e saímos, Camila falou algo como "Não teremos esse problema, Laura tem um cabelo lindo e nós adoramos". Até hoje minha cabeça formula respostas destruidoras, mas na hora não conseguimos reagir, tão surpreendente foi aquilo.
O triste disso tudo é que esse não foi nem de longe o único comentário sobre o cabelinho enroladinho da minha nega. E mesmo a gente valorizando e torcendo muito para que ela se curta e tenha a autoestima tão firme quanto uma rocha, dia desses a TV exibia uma insuportável propaganda de chapinha.
Quando vi que a Laura estava muito atenta às imagens de "crespa infeliz, lisa feliz", perguntei: "Laura, quem tem o cabelo mais bonito do mundo?" (esse tipo de pergunta sempre gera a resposta "EUUU!!!" seja qual for o elemento). Mas dessa vez ela demorou um instantinho e respondeu:
- A MAMÃE!!
Sempre saio com a sensação de que me chamam de racista pelo simples fato de VER a minha filha como ela é! Ver sua cor, reconhecer sua raça e valorizar a cultura de seus antepassados, tudo isso faz parte de uma luta de séculos pela visibilidade negra. Se eu, caucasiana, opto por ignorar esse "detalhe", estou corroborando para aquela tática estrategicamente cega que predomina o nosso mundinho safado: "racismo não existe mais".
Assim, tratamos de trabalhar muito bem a autoestima da nossa fofolete, enaltecendo todos os atributos pessoais e referentes à raça. Vamos combinar que isso não dá muito trabalho, visto que minha filha é linda de morrer (cof cof).
E um dos alvos principais do racismo cotidiano é, sem dúvida, o cabelo afro. Gente como o povo se incomoda com a revolta dos cachos! O cabelo dela é lindo, cheio de personalidade, super versátil, permite um sem número de penteados, fica bom de qualquer jeito, não tem dia ruim, não tem problema em ficar armado, não precisa lavar todos os dias, etc. São tantas qualidades que não consigo mais ter tolerância com comentários adversos.
Mas eles acontecem, pois não tenho como impedir a proliferação da ignorância do povo. E acontecem tão agressivamente sob sorrisos "amigáveis" que nos deixam, muitas vezes, sem resposta. Parece que eles têm o poder de entalar um caroço na nossa garganta, impedindo-nos de sair em defesa do absurdo para que eles possam seguir suas vidas medíocres balançando seus cabelos lindos.
Um dia saímos à caça de um espaço para fazer a festa de aniversário da Laura e nos apaixonamos por uma chácara. Uma senhora nos atendeu e mostrou todo o lugar, o tempo inteiro sendo simpática com a Laura, pegando na mão, fazendo-lhe gracinhas. Bem, as mães de plantão aqui vão concordar: quando alguém trata bem nossos filhos, baixamos a guarda e guardamos as garras. E foi assim, durante mais de uma hora passeamos pelo local conversando, volta e meia ela fazia umas perguntinhas sobre adoção, tudo na maior paz. Até que.
Na hora de ir embora, ela solta: "Ah essa Laura é muito linda, pena que quando crescer vai sofrer com esse cabelo". A Camila tirou força do útero para tentá-la ajudar a reparar a indelicadeza: "sofrer para pentear?"
Mas ela não entendeu a deixa e lascou o derradeiro: "Pra tudo! Agora ela não liga, mas quando crescer vai ter que alisar né? Ela não vai querer ficar com esse cabelo quando todo mundo tem cabelo liso bonito".
Aquilo doeu tanto que nos deixou sem ação. Só viramos as costas e saímos, Camila falou algo como "Não teremos esse problema, Laura tem um cabelo lindo e nós adoramos". Até hoje minha cabeça formula respostas destruidoras, mas na hora não conseguimos reagir, tão surpreendente foi aquilo.
O triste disso tudo é que esse não foi nem de longe o único comentário sobre o cabelinho enroladinho da minha nega. E mesmo a gente valorizando e torcendo muito para que ela se curta e tenha a autoestima tão firme quanto uma rocha, dia desses a TV exibia uma insuportável propaganda de chapinha.
Quando vi que a Laura estava muito atenta às imagens de "crespa infeliz, lisa feliz", perguntei: "Laura, quem tem o cabelo mais bonito do mundo?" (esse tipo de pergunta sempre gera a resposta "EUUU!!!" seja qual for o elemento). Mas dessa vez ela demorou um instantinho e respondeu:
- A MAMÃE!!
terça-feira, 19 de março de 2013
Dias de guerra
Há tempos enfrentamos dificuldades à mesa. Laura tem um excelente paladar: gosta de tudo, come de tudo. O problema é a quantidade e a disposição para tal, detalhe que nos deixa constantemente de cabelos em pé.
Recentemente fomos ao médico e descobrimos que ela cresceu um pouquinho, porém perdeu peso - um peso que já era abaixo do normal. A pediatra não demonstrou preocupação, pois os exames mostram que ela está com a saúde excelente. Porém, como fazer o coração de duas mães acreditar nisso? São meses e meses de táticas falidas, conselhos infundados, dicas que não dão certo e, no meio disso, ela alterna entre períodos de jejum absoluto e alimentação reduzida. Tem vezes que apenas um pratinho de comida é a quantidade ingerida durante um dia inteiro.
Para mamães que vivem esse desespero, relato aqui as táticas que já usamos e seus resultados:
- Não sai da mesa enquanto não terminar: essa é a tática dos ancestrais, até a Super Nanny usa. Mas ela não conhece a Laura. A mulinha já passou horas na mesa, já emendou uma refeição na outra sem sair, já dormiu na cadeira, já passou mais de quatro horas sentada sem demonstrar cansaço ou interesse em ceder. Sucesso: 1/10. Tática abandonada por falta de tempo e ineficácia.
- Só vai comer isso e nada mais: outra dica comumente ouvida e lida por aí, ainda a usamos volta e meia. Só funciona de tempos em tempos, se fizer isso dois dias seguidos ela fecha a fábrica e não quer nem saber. Sucesso: 3/10. Tática volta e meia aplicada disfarçadamente, mas em sequência não funciona.
- Castigo: horripilante. Além de não funcionar, é uma das piores que já tentamos. A hora de comer vira um inferno, a gente come mal, ela come mal, choradeira por horas... Aff não recomendo. Sucesso: 0/1000. Tática completamente abandonada (mas já foi resgatada em dias de irritação suprema).
- Empurrar a comida goela abaixo: não, não tenho vergonha de dizer que já tentamos isso sim. Mas que é absurdo, isso sem dúvida! Essa tática é a pior de todas e NUNCA funciona nem tem chance de funcionar, visto que ela rejeita a comida justamente porque está sendo tratada com total agressividade. Sucesso: -2/10. Tática completamente abandonada sem chance de voltar.
- Psicologia reversa: um dia em meio aos seus momentos anorexia forever eu dei um nó na cabeça dela: "se você não comer eu vou tirar o prato e não deixo você comer!". Sim, funcionou perfeitamente. Ela se agarrou ao prato e comeu como se não houvesse amanhã. Eu segurei o riso e comemorei internamente. Mas no dia seguinte tentei repetir o sucesso e... tcharan! Ela já estava vacinada. Sucesso: 2/10. Tática abandonada por inconsistência teórica e prática, mas volta e meia dá pra usar.
- Brincando com a comida: a tática mais amada do Brasil, pois não é agressiva, não é deprimente, é politicamente correta e combina com o nosso estilo de educação positiva. Coloquei a comida em panelinhas de brinquedo com talheres e pratinhos de brinquedo. Ela adorou e comeu tudo! Mas tão feliz quanto veio, foi. Na segunda tentativa ela não achou mais graça. Sucesso: 1/10. Tática abandonada pelo trabalho extra que dá e porque na segunda tentativa quase arremessei os brinquedos na parede.
- Criança não morre de fome com um prato na frente: eu tento provar diariamente que essa teoria é uma mentira descabida! Exageros à parte, claro que não se morre de fome assim, mas morrer não é o único infortúnio de não comer direito né minha gente? Quando a criança se contenta com 100 gramas de alimento diário, você tem que fazer com que esses 100 gramas sejam o supra sumo da nutrição. Mas isso é impossível! Então quem acha que não é estressante passa o telefone do terapeuta. Sucesso: 0/0. Tática abandonada por falta de estrutura emocional das mães.
- Comida não é importante: quando adquirimos certo grau de serenidade decidimos encarar essa tática. A regra da casa mudou: comida não era mais importante, imagine só! Na prática, se a Laura não quisesse comer, ok vápraputaqueopariu lá brincar e me deixe almoçar em paz. Não quer? Tem quem queira! Sucesso: 3/10. Tática não completamente abandonada porque funciona mais do que todas as outras, mas invariavelmente ela deixa de comer no almoço pra depois repetir o lanchinho na escola. Isso me deixa tão irritada que não consigo manter o equilíbrio todos os dias.
- Compensação: eu e muitas mães no mundo odeiam essa tática, pois ela ensina errado - o resultado é que comer é apenas um trampolim para ganhar aquilo que ela realmente gosta - enaltecendo o valor da porcaria da sobremesa ou daquele brinquedo inútil que não agrega nada. Mas vá... Como ninguém é de ferro tentamos algumas vezes. Sucesso: 2/10. Tática não-orgulhosamente usada volta e meia, especialmente em público quando queremos evitar estresse.
- Televisão: também não é nada bonito de se dizer, mas como todo mundo fala que comer na frente da TV engorda, lá fui eu mudar a posição da Laura na mesa para que ela pudesse comer vendo seus desenhos favoritos. Um desastre: ela abstrai tanto que esquece até de mastigar o que está na boca, quanto mais de comer o que está no prato. Sucesso: 0/3. Tática abandonada por falta de adesão das partes.
- Criança que não come não vai pra escola: tem coisa mais horrível do que isso? Pois é, a que ponto chegamos. Mas não criamos essa tática à toa, foi mais por que um dia a hora passava e nada de ela encostar no prato, até que se não comesse logo teria que levá-la para a escola sem almoço. Então saiu sem querer: "Laura se você não comer, não vai pra escola hoje!" Pum. Comeu tudinho em minutos. Achei aquilo uma maravilha, mas fiquei envergonhada pela tática desleal. O problema maior foi quando começou a falhar e tive que bancar o prometido. Sucesso: 5/10. Tática nada recomendada. Funciona, mas nem sempre, e a culpa quando não funciona é imensa.
- Ignorando a existência da pessoa: criança sempre faz tudo para ganhar a atenção de todos, com base nisso resolvemos ignorar seus protestos e seguir conversando e comendo calmamente. No início funcionavam bem, ela via que não ia ganhar nossa atenção e então não fazia sentido seguir com a greve de fome. Mas ficou confuso com o tempo, pois o que fazer ao terminarmos? Deixá-la na mesa até comer tudo ou tirá-la mesmo que não tenha tocado no prato? A elaboração dessa dúvida nos levou para outras táticas inevitavelmente. Sucesso: 3/10. Tática abandonada por si só.
- Cobras e lagartos: desde quando viver sob gritos é bom? Num mundo ideal nunca agimos com agressividade contra crianças, bichos, esposas, mães, etc. Mas o cotidiano é desgracento, faz a gente perder as estribeiras e nesse ponto não é difícil fazer uma descendente de italianos dar seus gritos. Já bancamos o general com a Laura na mesa infinitas vezes, mas é desgastante e, sobretudo, contra os nossos princípios - apesar de funcionar. Sucesso: 5/10. Tática exaustivamente abandonada por que não aceitamos viver nem educar no volume máximo.
- Supervalorização: ao invés de criticar sua não-alimentação, naturalmente passamos a vibrar muito a cada boca cheia. A mesa virou um circo e ela usou muito isso para se safar sem comer. Sucesso: 0/10. Tática abandonada porque parece bonitinha, mas simplesmente não funciona.
- Blablabla: não dizem que conversar é o melhor a fazer sempre? Pois é o que fazemos: conversamos, explicamos o motivo pelo qual ela precisa se alimentar, falamos sobre o quanto é importante ela encher a barriguinha, contamos historinhas sobre crianças que comem e crianças que não comem, oferecemos a chance de ela fazer uma escolha, parabenizamos quando faz a coisa certa, tornamos a explicar quando não faz... Sucesso: -/-. Tática usada sempre para tudo, mas sem qualquer sinal de que funciona - apenas seguimos fazendo porque acreditamos que um dia quem sabe.
- Insistir mas não forçar: ninguém para pra pensar no quanto essa tática é contraditória. Se você oferece um alimento e a criança diz não, ao insistir ela falará não novamente, e aí você terá duas escolhas: ou forçar ou deixar pra lá. No caso da Laura, cada negativa dela que aceitamos é um perigo, pois ela passa a dizer mais nãos ainda! E se não podemos forçar, mas também não podemos ceder, como insistir então? Sucesso: 0/10000000. Tática abandonada por sua inviabilidade prática.
- Mão na cintura e contato visual: essa é a tática campeã. Consiste apenas em parar ao seu lado em pé de mão na cintura olhando fixamente para os seus olhos. Eu não sei o que ocorre, mas em minutos ela baixa a cabeça, pega o talher e come. Sucesso: 10/10. Tática ótima, porém abandonada por que Laura chegou ao ponto de só enfiara porra do garfo na boca depois de travar essa batalha silenciosa TODAS AS VEZES, nos obrigando a passar a refeição inteira parando, levantando, esperando ela comer, tornando a sentar, depois levantando novamente, parando, etc. Aí não né?
Atualmente ela come melhor do que antes, mas ainda gosta de dar trabalho nesse quesito. O fato é que nenhuma tática funciona isoladamente, e nada dura por muito tempo.
Hoje depois de horas de briga para beber meia canequinha de leite, muito choro e frustração de ambas as partes, resolvi que era hora de fazermos as pazes. Depois de conversar muito, abracei minha magrelinha e senti o corpinho dela sacudir num soluço... Ela se agarrou em mim e falou: "Pupa... sim mamãe". Com isso quis dizer que entendeu o que eu falei e pediu desculpas. Quase chorei.
Ah maldita maternidade rs
Recentemente fomos ao médico e descobrimos que ela cresceu um pouquinho, porém perdeu peso - um peso que já era abaixo do normal. A pediatra não demonstrou preocupação, pois os exames mostram que ela está com a saúde excelente. Porém, como fazer o coração de duas mães acreditar nisso? São meses e meses de táticas falidas, conselhos infundados, dicas que não dão certo e, no meio disso, ela alterna entre períodos de jejum absoluto e alimentação reduzida. Tem vezes que apenas um pratinho de comida é a quantidade ingerida durante um dia inteiro.
Para mamães que vivem esse desespero, relato aqui as táticas que já usamos e seus resultados:
- Não sai da mesa enquanto não terminar: essa é a tática dos ancestrais, até a Super Nanny usa. Mas ela não conhece a Laura. A mulinha já passou horas na mesa, já emendou uma refeição na outra sem sair, já dormiu na cadeira, já passou mais de quatro horas sentada sem demonstrar cansaço ou interesse em ceder. Sucesso: 1/10. Tática abandonada por falta de tempo e ineficácia.
- Só vai comer isso e nada mais: outra dica comumente ouvida e lida por aí, ainda a usamos volta e meia. Só funciona de tempos em tempos, se fizer isso dois dias seguidos ela fecha a fábrica e não quer nem saber. Sucesso: 3/10. Tática volta e meia aplicada disfarçadamente, mas em sequência não funciona.
- Castigo: horripilante. Além de não funcionar, é uma das piores que já tentamos. A hora de comer vira um inferno, a gente come mal, ela come mal, choradeira por horas... Aff não recomendo. Sucesso: 0/1000. Tática completamente abandonada (mas já foi resgatada em dias de irritação suprema).
- Empurrar a comida goela abaixo: não, não tenho vergonha de dizer que já tentamos isso sim. Mas que é absurdo, isso sem dúvida! Essa tática é a pior de todas e NUNCA funciona nem tem chance de funcionar, visto que ela rejeita a comida justamente porque está sendo tratada com total agressividade. Sucesso: -2/10. Tática completamente abandonada sem chance de voltar.
- Psicologia reversa: um dia em meio aos seus momentos anorexia forever eu dei um nó na cabeça dela: "se você não comer eu vou tirar o prato e não deixo você comer!". Sim, funcionou perfeitamente. Ela se agarrou ao prato e comeu como se não houvesse amanhã. Eu segurei o riso e comemorei internamente. Mas no dia seguinte tentei repetir o sucesso e... tcharan! Ela já estava vacinada. Sucesso: 2/10. Tática abandonada por inconsistência teórica e prática, mas volta e meia dá pra usar.
- Brincando com a comida: a tática mais amada do Brasil, pois não é agressiva, não é deprimente, é politicamente correta e combina com o nosso estilo de educação positiva. Coloquei a comida em panelinhas de brinquedo com talheres e pratinhos de brinquedo. Ela adorou e comeu tudo! Mas tão feliz quanto veio, foi. Na segunda tentativa ela não achou mais graça. Sucesso: 1/10. Tática abandonada pelo trabalho extra que dá e porque na segunda tentativa quase arremessei os brinquedos na parede.
- Criança não morre de fome com um prato na frente: eu tento provar diariamente que essa teoria é uma mentira descabida! Exageros à parte, claro que não se morre de fome assim, mas morrer não é o único infortúnio de não comer direito né minha gente? Quando a criança se contenta com 100 gramas de alimento diário, você tem que fazer com que esses 100 gramas sejam o supra sumo da nutrição. Mas isso é impossível! Então quem acha que não é estressante passa o telefone do terapeuta. Sucesso: 0/0. Tática abandonada por falta de estrutura emocional das mães.
- Comida não é importante: quando adquirimos certo grau de serenidade decidimos encarar essa tática. A regra da casa mudou: comida não era mais importante, imagine só! Na prática, se a Laura não quisesse comer, ok vá
- Compensação: eu e muitas mães no mundo odeiam essa tática, pois ela ensina errado - o resultado é que comer é apenas um trampolim para ganhar aquilo que ela realmente gosta - enaltecendo o valor da porcaria da sobremesa ou daquele brinquedo inútil que não agrega nada. Mas vá... Como ninguém é de ferro tentamos algumas vezes. Sucesso: 2/10. Tática não-orgulhosamente usada volta e meia, especialmente em público quando queremos evitar estresse.
- Televisão: também não é nada bonito de se dizer, mas como todo mundo fala que comer na frente da TV engorda, lá fui eu mudar a posição da Laura na mesa para que ela pudesse comer vendo seus desenhos favoritos. Um desastre: ela abstrai tanto que esquece até de mastigar o que está na boca, quanto mais de comer o que está no prato. Sucesso: 0/3. Tática abandonada por falta de adesão das partes.
- Criança que não come não vai pra escola: tem coisa mais horrível do que isso? Pois é, a que ponto chegamos. Mas não criamos essa tática à toa, foi mais por que um dia a hora passava e nada de ela encostar no prato, até que se não comesse logo teria que levá-la para a escola sem almoço. Então saiu sem querer: "Laura se você não comer, não vai pra escola hoje!" Pum. Comeu tudinho em minutos. Achei aquilo uma maravilha, mas fiquei envergonhada pela tática desleal. O problema maior foi quando começou a falhar e tive que bancar o prometido. Sucesso: 5/10. Tática nada recomendada. Funciona, mas nem sempre, e a culpa quando não funciona é imensa.
- Ignorando a existência da pessoa: criança sempre faz tudo para ganhar a atenção de todos, com base nisso resolvemos ignorar seus protestos e seguir conversando e comendo calmamente. No início funcionavam bem, ela via que não ia ganhar nossa atenção e então não fazia sentido seguir com a greve de fome. Mas ficou confuso com o tempo, pois o que fazer ao terminarmos? Deixá-la na mesa até comer tudo ou tirá-la mesmo que não tenha tocado no prato? A elaboração dessa dúvida nos levou para outras táticas inevitavelmente. Sucesso: 3/10. Tática abandonada por si só.
- Cobras e lagartos: desde quando viver sob gritos é bom? Num mundo ideal nunca agimos com agressividade contra crianças, bichos, esposas, mães, etc. Mas o cotidiano é desgracento, faz a gente perder as estribeiras e nesse ponto não é difícil fazer uma descendente de italianos dar seus gritos. Já bancamos o general com a Laura na mesa infinitas vezes, mas é desgastante e, sobretudo, contra os nossos princípios - apesar de funcionar. Sucesso: 5/10. Tática exaustivamente abandonada por que não aceitamos viver nem educar no volume máximo.
- Supervalorização: ao invés de criticar sua não-alimentação, naturalmente passamos a vibrar muito a cada boca cheia. A mesa virou um circo e ela usou muito isso para se safar sem comer. Sucesso: 0/10. Tática abandonada porque parece bonitinha, mas simplesmente não funciona.
- Blablabla: não dizem que conversar é o melhor a fazer sempre? Pois é o que fazemos: conversamos, explicamos o motivo pelo qual ela precisa se alimentar, falamos sobre o quanto é importante ela encher a barriguinha, contamos historinhas sobre crianças que comem e crianças que não comem, oferecemos a chance de ela fazer uma escolha, parabenizamos quando faz a coisa certa, tornamos a explicar quando não faz... Sucesso: -/-. Tática usada sempre para tudo, mas sem qualquer sinal de que funciona - apenas seguimos fazendo porque acreditamos que um dia quem sabe.
- Insistir mas não forçar: ninguém para pra pensar no quanto essa tática é contraditória. Se você oferece um alimento e a criança diz não, ao insistir ela falará não novamente, e aí você terá duas escolhas: ou forçar ou deixar pra lá. No caso da Laura, cada negativa dela que aceitamos é um perigo, pois ela passa a dizer mais nãos ainda! E se não podemos forçar, mas também não podemos ceder, como insistir então? Sucesso: 0/10000000. Tática abandonada por sua inviabilidade prática.
- Mão na cintura e contato visual: essa é a tática campeã. Consiste apenas em parar ao seu lado em pé de mão na cintura olhando fixamente para os seus olhos. Eu não sei o que ocorre, mas em minutos ela baixa a cabeça, pega o talher e come. Sucesso: 10/10. Tática ótima, porém abandonada por que Laura chegou ao ponto de só enfiar
Atualmente ela come melhor do que antes, mas ainda gosta de dar trabalho nesse quesito. O fato é que nenhuma tática funciona isoladamente, e nada dura por muito tempo.
Hoje depois de horas de briga para beber meia canequinha de leite, muito choro e frustração de ambas as partes, resolvi que era hora de fazermos as pazes. Depois de conversar muito, abracei minha magrelinha e senti o corpinho dela sacudir num soluço... Ela se agarrou em mim e falou: "Pupa... sim mamãe". Com isso quis dizer que entendeu o que eu falei e pediu desculpas. Quase chorei.
Ah maldita maternidade rs
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